A associação dos Fafenses em França celebrou o primeiro aniversário com um fim de semana de festa e convívio, nos dias 25 e 26 de abril, em Deuil-la-Barre, nos arredores de Paris. Desde logo, a escolha da data reforçou o simbolismo do evento, já que coincidiu com a Revolução dos Cravos, uma das datas mais marcantes da história de Portugal. Embora a associação tenha completado oficialmente um ano a 11 de abril, os responsáveis decidiram assinalar o momento num contexto carregado de significado para a diáspora portuguesa.

Além disso, a iniciativa reuniu centenas de portugueses, sobretudo naturais de Fafe, mas também oriundos de várias regiões do país. O ambiente destacou a identidade cultural e promoveu o espírito de união. Carlos Pires, membro da organização, afirmou: “Somos portugueses acima de tudo e qualquer português, esteja onde estiver, é bem-vindo na associação dos Fafenses”. O projeto assume um carácter inclusivo e aberto a toda a comunidade.
Origem e crescimento da associação
A criação da associação resultou de uma vontade simples, mas forte: aproximar os fafenses emigrados. “Isto nasceu de uma conversa entre colegas, quando decidimos criar uma associação de fafenses”, explicou Carlos Pires. “Há muitos fafenses espalhados pelo mundo e, aqui na região de Paris, também são bastantes”. Entretanto, ao longo do primeiro ano, o grupo organizou já três iniciativas, o que demonstra dinamismo e compromisso.
Apesar das dificuldades iniciais, sobretudo a falta de apoios, os fundadores mantiveram o projeto ativo. “Tivemos de investir do nosso próprio bolso, mas fomos conseguindo juntar alguns fundos para estabilizar a associação”, referiu. Ainda assim, sublinhou o propósito solidário: “Não estamos aqui para ganhar dinheiro, mas para dar e retribuir”.
Gastronomia e tradição em destaque
No sábado, o jantar dançante marcou o ponto alto das comemorações. Nesse momento, a gastronomia tradicional de Fafe assumiu o protagonismo, com destaque para a vitela assada no forno, acompanhada pelas típicas batatas. A qualidade do prato e o respeito pela tradição conquistaram os presentes.
Paulo Soares, responsável da empresa Fafe Talho, garantiu autenticidade no produto: “A Fafe Talho trouxe a vitelinha das nossas origens, diretamente de Fafe”. Além disso, destacou o valor do prato: “É algo verdadeiramente especial. É uma carne muito tenra, suculenta e com um sabor único, preparada com muito carinho e dedicação”. Embora não tenha revelado todos os segredos, assegurou que a receita continua a conquistar quem a prova.
Presença institucional e simbolismo
Entretanto, a celebração contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa. Durante o evento, o autarca destacou a importância histórica do 25 de Abril: “O 25 de Abril criou condições para que os portugueses tivessem melhores vidas no seu país e não emigrassem com tanta pressão como nas décadas de 60 e 70”.
Além disso, reforçou a ligação à diáspora: “Sinto que tenho o dever de representar não só os fafenses que vivem no concelho, mas também todos aqueles que tiveram de sair”. Depois de participar numa cerimónia oficial em Fafe, deslocou-se a França no próprio dia e afirmou: “É com muito gosto que me junto a esta celebração”.
Futuro com ambição solidária
Por fim, o domingo decorreu num ambiente mais descontraído, com gastronomia portuguesa e animação musical assegurada por artistas e DJs, prolongando o convívio e fortalecendo os laços entre os participantes.
Um ano após a fundação, a associação afirma-se como um ponto de encontro relevante para a comunidade. Ainda assim, os responsáveis querem ir mais longe. “No futuro, queremos ajudar algumas instituições. Assim que tivermos meios, vamos ajudar com toda a certeza”, garantiu Carlos Pires. Entre tradição, identidade e solidariedade, os fafenses em França continuam assim a honrar as suas raízes, mesmo longe de casa.



