O número de portugueses e lusodescendentes mortos na sequência dos violentos sismos que atingiram a Venezuela a 24 de junho subiu para 89, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Entre as vítimas mortais encontram-se 17 crianças e 72 adultos, sendo que 77 dos mortos tinham também nacionalidade venezuelana. Há ainda 60 portugueses e lusodescendentes desaparecidos.

O balanço oficial das autoridades venezuelanas aponta agora para 2.295 mortos e mais de 12.400 feridos, números que continuam a agravar-se à medida que prosseguem os trabalhos de identificação das vítimas e de assistência às populações afetadas.
Luto e solidariedade
Perante a dimensão da tragédia, a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou sete dias de luto nacional. Em Portugal, o Governo decretou igualmente luto nacional para domingo, em homenagem aos cidadãos portugueses e lusodescendentes que perderam a vida na catástrofe.
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de intervalo, a cerca de 200 quilómetros de Caracas, e foram seguidos por centenas de réplicas. A região de La Guaira e a capital, Caracas, sofreram elevados níveis de destruição, com dezenas de edifícios a ruírem ou a ficarem gravemente danificados.
Ajuda humanitária parte na próxima semana
Enquanto continuam as operações de resposta à emergência, Portugal prepara agora uma nova fase de apoio humanitário. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, anunciou que dois aviões da Força Aérea Portuguesa deverão partir no início da próxima semana rumo à Venezuela.
As aeronaves transportarão seis toneladas de medicamentos, 15 toneladas de material de higiene, saneamento e conforto, além de duas ambulâncias totalmente equipadas para reforçar a assistência médica às populações afetadas.
Segundo Paulo Rangel, esta operação assinala a transição da fase de salvamento para uma resposta centrada na ajuda humanitária, no apoio médico e psicológico e na recuperação das comunidades atingidas.
Apoio às famílias e reconstrução
Além da ajuda material, Portugal vai apoiar projetos desenvolvidos pelas organizações não-governamentais Oikos e Cáritas, destinados a cerca de 1.500 famílias, através de um financiamento de 400 mil euros.
O Governo português canalizará ainda 250 mil euros para organizações locais que prestarão apoio psicológico e social às vítimas, reconhecendo que o impacto emocional da tragédia representa um dos maiores desafios da fase de recuperação.
“A situação anímica e psicológica de muitas pessoas e de muitas famílias é motivo de grande preocupação”, afirmou Paulo Rangel, sublinhando que, além dos cuidados médicos, da alimentação e do alojamento, será essencial garantir acompanhamento psicológico às populações.
Os dois aviões deverão regressar a Portugal com os elementos da força operacional conjunta que se encontram destacados nas operações de busca e salvamento em La Guaira, uma das regiões com maior concentração de portugueses e lusodescendentes e das mais afetadas pelos sismos.
Portugal mantém, assim, o compromisso de apoiar a Venezuela numa resposta que ultrapassa a fase de emergência e procura agora contribuir para a reconstrução das comunidades devastadas por um dos mais mortíferos desastres naturais da história recente do país.
Fonte: Agência Lusa



