A primeira visita oficial de António José Seguro a França, enquanto Presidente da República, centrou-se no reforço da cooperação entre Lisboa e Paris e na valorização da diáspora portuguesa como parceira estratégica para o crescimento económico dos dois países.

Durante a deslocação, realizada a 1 de julho, António José Seguro encontrou-se com o Presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. Os dois chefes de Estado analisaram temas como o futuro da União Europeia, a cooperação política e económica, a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente. Além disso, abordaram a implementação do Tratado de Amizade e Cooperação luso-francês, assinado em 2025, que pretende aprofundar a relação bilateral.
Relação bilateral vive fase positiva
Já na Embaixada de Portugal, em Paris, António José Seguro fez um balanço muito positivo do encontro.
“A reunião de trabalho não podia ter corrido melhor. Este é um bom momento das relações entre Portugal e França”, afirmou o Presidente da República à comunicação social.
Além disso, revelou que Emmanuel Macron manifestou vontade de realizar a primeira cimeira bilateral entre os dois países até ao final deste ano. O Chefe de Estado destacou igualmente a importância do ensino da língua portuguesa e da língua francesa entre os jovens lusodescendentes.
“Definimos como prioridade o ensino da língua portuguesa e da língua francesa”, sublinhou.
Por outro lado, António José Seguro recordou que pretende manter uma ligação próxima às comunidades portuguesas no estrangeiro.
“Não há nenhum país que visite sem estar com os portugueses que aí vivem e trabalham. Onde estão portugueses, está Portugal”, declarou.
Empresários pedem menos burocracia
Após o encontro institucional, o Chefe de Estado reuniu-se com cerca de duas dezenas de empresários portugueses radicados em França para ouvir preocupações e propostas relacionadas com o investimento em Portugal.
Fernando Lopes, empresário e diretor-geral da Rádio Alfa, considerou que o encontro transmitiu confiança aos investidores.
“O encontro correu muito bem. Senti um Presidente da República com vontade de ir mais longe”, afirmou à LusoPress.
O empresário destacou ainda a mensagem deixada pelo Chefe de Estado sobre a necessidade de simplificar os processos administrativos.
“Os investidores não devem ser confrontados com burocracia, mas encontrar um Estado que facilite e incentive o investimento”, referiu. Ainda assim, alertou que “a Administração Pública nem sempre funciona dessa forma”, defendendo que essa intenção deve traduzir-se em medidas concretas.
Diáspora quer diálogo permanente
Também Carlos Vinhas Pereira, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, valorizou o contacto direto com o Presidente da República.
“Esta reunião permitiu mostrar a dimensão da comunidade empresarial portuguesa em França”, afirmou.
No entanto, voltou a chamar a atenção para os obstáculos administrativos.
“Quando se investe, o tempo é dinheiro. Existem processos demasiado longos e uma burocracia que dificulta muitos investimentos”, explicou, destacando a disponibilidade demonstrada pelo Chefe de Estado.
“O Presidente disse que esta foi a primeira reunião, mas não será a última”, salientou, considerando essencial manter um diálogo regular entre o Estado e a diáspora empresarial.
Confiança para reforçar o investimento
Sandra Gonçalves, empresária e diretora da Casa Canelas, também elogiou o ambiente de proximidade criado durante o encontro.
“Tivemos oportunidade de ouvir todos os empresários presentes e de partilhar os desafios que enfrentamos”, afirmou.
Na sua opinião, a visita ao Eliseu reforçou igualmente a confiança nas relações entre Portugal e França.
“É muito positivo perceber que existe uma vontade clara de reforçar esta cooperação”, destacou.
Embora reconheça que ainda existem desafios, Sandra Gonçalves acredita que o caminho seguido poderá fortalecer o investimento, consolidar a presença da diáspora portuguesa e aproximar ainda mais os dois países.
Reforço da presença diplomática portuguesa na Europa
Antes de França, o Chefe de Estado já tinha realizado viagens oficiais a Espanha e Itália, no âmbito de uma estratégia de reforço da presença diplomática portuguesa na Europa.
Inicialmente prevista para maio, a reunião com Emmanuel Macron acabou por ser adiada devido a incompatibilidades de agenda, sendo agora concretizada, permitindo consolidar um dos primeiros grandes encontros bilaterais do mandato de António José Seguro com um dos principais parceiros europeus de Portugal.
Num dia marcado pela diplomacia e pela economia, a visita ficou registada como um momento de aproximação institucional e como um teste ao papel da diáspora empresarial portuguesa enquanto motor de ligação entre os dois países.Haut du formulaire



