Portugal, Espanha e França voltaram a assumir um compromisso conjunto para acelerar as interligações energéticas entre a Península Ibérica e o resto da Europa. A reunião ministerial do Grupo das Interligações do Sudoeste Europeu, realizada em Paris, reuniu a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a ministra francesa da Energia, Maud Bregeon. Participaram ainda a ministra espanhola para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, e o comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen.

O encontro centrou-se no avanço dos projetos de interligação elétrica e na definição de novas medidas para reduzir o isolamento energético da Península Ibérica. Além disso, os participantes acordaram realizar uma nova reunião técnica em setembro e incluir este dossiê nas próximas cimeiras bilaterais entre França e Portugal e entre França e Espanha.
No final da reunião, Maria da Graça Carvalho mostrou satisfação com os resultados alcançados. “A reunião decorreu como esperávamos e permitiu chegar a conclusões importantes, nomeadamente a realização de um novo encontro técnico em setembro para dar continuidade aos trabalhos”, afirmou.
Portugal e Espanha exigem mais investimento europeu
Durante o encontro, Portugal e Espanha defenderam que a União Europeia deve atribuir prioridade ao investimento nas redes elétricas e nas interligações no próximo Quadro Financeiro Plurianual.
Segundo Maria da Graça Carvalho, os dois países solicitaram “uma atenção especial da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e do Conselho”. O pedido foi apresentado durante as negociações do futuro orçamento comunitário. Para a ministra, a energia representa um setor estratégico para reforçar a competitividade, a segurança do abastecimento e a transição climática da Europa.
Ao mesmo tempo, Portugal voltou a insistir na necessidade de ultrapassar um problema estrutural que continua a limitar o mercado energético nacional.
“Portugal continua a funcionar como uma ilha elétrica”
Apesar dos progressos registados nos últimos anos, Maria da Graça Carvalho recordou que a reduzida capacidade de ligação ao resto da Europa continua a condicionar o sistema elétrico português.
“Do ponto de vista energético, Portugal continua, na prática, a funcionar como uma ilha elétrica”, afirmou.
A ministra explicou que esta realidade obriga o país a investir em soluções de armazenamento, maior flexibilidade da rede e mecanismos adicionais de segurança. Além disso, defendeu que Portugal deve beneficiar de instrumentos europeus de financiamento adaptados à sua situação. A medida seguiria o exemplo do apoio concedido a outras regiões da União Europeia com limitações geográficas.
Renováveis reforçam posição portuguesa
Durante a reunião, Portugal destacou o percurso realizado na transição energética e o crescimento da produção de eletricidade renovável.
Maria da Graça Carvalho sublinhou que Portugal alcançou, no primeiro trimestre deste ano, a maior percentagem de produção de energia renovável da Europa, ultrapassando mesmo a Dinamarca.
“Portugal fez o seu percurso e ocupa hoje uma posição de destaque na produção de energias renováveis”, afirmou.
A governante recordou ainda que a entrada em funcionamento da décima interligação elétrica com Espanha, entre o Minho e a Galiza, permitiu atingir a meta. Trata-se da capacidade de interligação de 15% recomendada pela Comissão Europeia.
Hidrogénio verde e eólica offshore impulsionam estratégia
Outro dos temas em destaque foi o corredor europeu de hidrogénio renovável, que ligará Portugal, Espanha, França e Alemanha. O projeto mantém o calendário previsto, com a primeira fase até 2027 e o arranque da construção em 2028.
Maria da Graça Carvalho considera que o hidrogénio verde poderá fortalecer a indústria nacional. “Hoje, pela primeira vez, reunimos as condições para liderar uma nova revolução industrial baseada na energia limpa, acessível e produzida a partir de recursos endógenos”, afirmou.
Por outro lado, Portugal, Espanha e França reforçaram a cooperação na energia eólica offshore, sobretudo no desenvolvimento de parques flutuantes no Atlântico. A ministra explicou que os três países pretendem assim criar um cluster industrial que envolva portos, indústria e centros de investigação. O objetivo passa por aproveitar a experiência portuguesa adquirida com o projeto-piloto WindFloat.
Além disso, Portugal analisa a possibilidade de estabelecer uma futura ligação elétrica com Marrocos, embora o Governo admita que a viabilidade económica do projeto exige uma avaliação rigorosa.
Em suma, a reunião de Paris confirmou, assim, a vontade política dos três países e da Comissão Europeia para acelerar a integração energética da Península Ibérica, reforçar a segurança do abastecimento e consolidar o papel das energias renováveis na estratégia europeia.
Veja a conferência de imprensa da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na Embaixada de Portugal em França:



