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Portugueses de valor 2026: Adriano Carreira

Adriano Carreira nasceu a 31 de outubro de 1949, em Mata dos Milagres, no concelho de Leiria. Desde cedo, integrou o trabalho no seu dia a dia, o que moldou o seu caráter e preparou o caminho para o futuro. “Aos 8 anos já andava a lavrar com vacas e, aos 13, comecei como mecânico”, recorda. Assim, ainda em Portugal, na zona da Boavista, iniciou-se numa profissão que viria a acompanhar toda a sua vida.

Emigração e primeiros desafios

Em 1966, decidiu emigrar para França, procurando melhores condições de vida. No entanto, enfrentou um início difícil, marcado por incertezas e falta de reconhecimento legal. Trabalhou durante meses sem ver a sua situação regularizada, mas nunca desistiu. “Tive a sorte de encontrar alguém que me arranjou uma garagem. Foi assim que tudo começou”, explica. Pouco tempo depois, deu um passo decisivo: “Em 1970 comecei a trabalhar por minha conta, em Paris 15”.

Consolidação profissional e reconhecimento

Ao longo dos anos, Adriano consolidou a sua carreira com base na dedicação e no domínio técnico. Em 2011, adquiriu instalações próprias em Malakoff, onde ainda hoje mantém atividade. Destacou-se num setor exigente e conquistou reconhecimento junto de clientes e entidades oficiais. “Na altura, era dos poucos mecânicos em Paris que podia mexer num motor. Cheguei a reparar carros do Estado francês e da polícia”, afirma com orgulho.

Valores humanos e espírito de comunidade

Apesar do sucesso profissional, Adriano valoriza sobretudo as relações humanas. A amizade ocupa um lugar central na sua vida. “Tenho muitos amigos portugueses, de todo o lado. E tive clientes que vinham de propósito de Portugal para reparar os carros aqui”, conta. Além disso, nunca esqueceu a ajuda que recebeu no início. “Houve portugueses que me emprestaram dinheiro e me ajudaram a começar. Nunca esqueço isso”, sublinha, destacando o espírito solidário da comunidade emigrante.

Família e ligação a Portugal

Entretanto, construiu uma família sólida. Casou em 1973 e teve três filhos, que seguiram áreas distintas, desde a aviação à engenharia informática. Apesar de viver em França há décadas, mantém uma ligação forte a Portugal. “Vou lá sempre que posso. Tenho lá família, amigos e gosto muito de lá ir”, diz, reforçando o apego às suas raízes.

Superação e fé

Contudo, a vida trouxe também momentos difíceis. Em 2007, sofreu um grave acidente de mota que quase lhe custou a vida. “Estive um mês e meio em coma e seis meses no hospital. Ninguém me dava vida”, recorda. Ainda assim, recuperou de forma surpreendente. “Acredito que foi Nossa Senhora de Fátima que me salvou”, afirma, revelando uma fé profunda que o acompanha até hoje.

Orgulho português além-fronteiras

Ao longo da vida, viajou por vários países e encontrou sempre comunidades portuguesas. Essa presença reforçou o seu orgulho nacional. “Em todos os países onde estive, encontrei portugueses”, diz. Por isso, não hesita em afirmar: “Para mim, ser português é ser 100% português”.

Presente ativo e mensagem final

Atualmente, continua à frente do seu negócio, apesar dos desafios do setor automóvel. “O negócio está bem, continua”, garante. Mais do que uma carreira de sucesso, construiu uma vida baseada em relações e respeito mútuo. “Tenho o prazer de sentir que toda a gente gosta de mim”, partilha.

Por fim, deixa uma mensagem clara às comunidades emigrantes: “Continuem a gostar de Portugal e a ir ao país. Como Portugal não há outro”. E conclui com simplicidade: “É um país que adoro. Tudo o que é português, eu gosto”.

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