Susana Gaspar cresceu no Arrabal, uma pequena aldeia a sete quilómetros de Leiria, rodeada pela família, pelas memórias simples da infância e por uma comunidade “de portas abertas”. Atualmente, continua profundamente ligada ao crescimento do grupo empresarial que ajudou a construir ao lado do marido, o Grupo Lusiaves, numa história em que a afirmação da empresa e a criação dos três filhos correram em paralelo ao longo de quatro décadas.

Crescer numa pequena aldeia rodeada da família
Susana Gaspar guarda a infância como um dos capítulos mais felizes da sua vida. Foi na aldeia, rodeada pela família e amigos de infância, que construiu as memórias e os valores que ainda hoje a acompanham.
“A minha aldeia é a mais bonita de todas”, conta, com indisfarçável orgulho. Com mais de 500 anos de história, era ali que se cruzavam diariamente gerações inteiras da sua família materna e paterna, algo que considera raro nos tempos modernos.
“Era uma aldeia de portas abertas, de liberdade e de família. Sentia-me mimada por todos”, recorda.
As ruas eram o cenário predileto para a partilha e para a proximidade genuína entre vizinhos: “Brincava-se na rua, comia-se de casa em casa. Era uma aldeia de gente boa, genuína, alegre e amiga”, descreve. Entre as memórias mais especiais, destaca os tradicionais convívios anuais, onde cada família levava as suas especialidades para partilhar num grande piquenique comunitário. “Era um dia memorável”, lembra.
Foi também nessa infância, perto do rio da casa dos seus avós, que nasceu a sua ligação à pintura. As suas primeiras telas foram os seixos rolados que ali apanhava, pintando na simplicidade das pedras o início de uma paixão que a acompanha até hoje.
Família e empresa cresceram juntas
A empresária começou a trabalhar muito jovem, apoiando os pais no setor da hotelaria, área na qual viria a focar os seus estudos de gestão. Mas foi em 1986, ano do seu casamento com Avelino Gaspar, presidente e fundador do Grupo Lusiaves, que se desenhou um novo caminho: passou também ela a testemunhar e a participar ativamente no dealbar da Lusiaves, uma pequena empresa que viria a transformar-se num enorme ecossistema verticalizado, um Grupo com mais de 40 empresas que atuam no setor agroalimentar, saúde e nutrição animal e logística.
“A empresa e a família foram crescendo ao mesmo tempo”, recordou.
Olhando para trás, a administradora admite que conciliar a gestão familiar com as exigências do mundo corporativo exigiu sacrifícios. “Houve alturas muito difíceis. Era preciso muita resiliência”, confessa.Mas essa dedicação do passado deu frutos, atualmente, a nova geração da família colidera os destinos da organização com uma visão partilhada e complementar, onde Paulo Gaspar deixa o seu cunho nas áreas estratégicas de IT e Marketing, Mariana Gaspar assume a gestão de pessoas, e Francisco Gaspar projeta a ambição global da instituição, dedicando o seu foco à internacionalização e ao desenvolvimento de novos negócios.
No seio da estrutura, Susana Gaspar é consensualmente descrita como “a alma e a serenidade” que permitiram a esta obra manter-se profundamente humana ao longo de quarenta anos. Já com três netos, a empresária resume com emoção o legado que deseja deixar: “Gostava que dissessem que têm orgulho em nós”.
“A minha mãe era uma força da natureza”
Quando questionada sobre a maior inspiração da sua vida, Susana Gaspar não hesita em apontar a figura materna: “A minha mãe foi a minha inspiração. Era uma mulher muito trabalhadora, muito alegre e cuidadora de toda a gente”.
É nessa herança que a empresária encontra a energia, a vivacidade e a força necessárias para enfrentar qualquer desafio da vida.
A pintura como refúgio equilíbrio
Fora do mundo empresarial, a arte ocupa um lugar sagrado na sua vida. A pintura tornou-se um espaço de tranquilidade e equilíbrio perante a pressão do dia a dia.
“Preciso desses momentos. Gosto de estar sozinha, a ouvir música, a ler ou a pintar”, explica.
Esta paixão, que nasceu de forma intimista, conquistou já o seu espaço no panorama cultural nacional, somando exposições de relevo no Coletivo 284, em Lisboa, e na Real Companhia Velha, no Porto. O passo seguinte será levar a sua arte além-fronteiras, iniciando a internacionalização das suas telas em Paris, uma cidade que lhe é profundamente querida.
Com um percurso pautado pela lealdade à sua essência, conclui com serenidade e orgulho na pessoa e empresária que é hoje: “As pessoas dizem que continuo a mesma. Acho que não mudei”.



