
Dos Açores para a América: a história inspiradora de Ildeberto Medina, o emigrante que nunca esqueceu Portugal
Saiu da ilha Graciosa com apenas 15 anos e construiu um império na construção civil nos Estados Unidos. Hoje é um exemplo de sucesso, identidade e ligação às raízes portuguesas.
Nascido em 1962, na ilha Graciosa, nos Açores — conhecida como a “Ilha Branca” —, Ildeberto Medina cresceu numa família humilde, rodeado pela tranquilidade do Atlântico e pelas histórias de emigração que marcaram o seu destino.
Desde cedo, foi influenciado pelos relatos da avó paterna, que emigrou ainda jovem para os Estados Unidos num barco baleeiro, onde viveu durante 16 anos. As suas histórias, contadas em inglês perfeito, despertaram em Ildeberto um sonho que nunca mais o abandonou: construir uma vida na América.
Um sonho que começou aos 15 anos
A 27 de maio de 1977, com apenas 15 anos, Ildeberto partiu para os Estados Unidos com a família. O destino foi Boston, onde começaram de imediato a trabalhar na construção civil.
A adaptação não foi fácil. O frio, a língua e a diferença cultural levaram os pais a regressar aos Açores poucos meses depois. Mas Ildeberto não desistiu.
Determinados a ficar, ele e o irmão mais novo voltaram sozinhos para os EUA, fixando-se em Providence, no estado de Rhode Island. Viviam com dificuldades, numa cave sem aquecimento, enfrentando invernos rigorosos — mas com uma ambição inabalável.
De trabalhador a empresário de sucesso
Logo no dia seguinte à chegada, Ildeberto começou a trabalhar na manutenção de casas. O esforço rapidamente deu frutos.
Aos 17 anos, realizou o seu primeiro trabalho como empreiteiro independente. Em 1985, fundou a sua própria empresa, dando início a um percurso empresarial sólido.
Começou sozinho, mas com o tempo construiu equipas multiculturais e expandiu o negócio. Ao longo das décadas, criou três empresas nas áreas da construção e imobiliário, consolidando-se numa zona privilegiada junto à Universidade Brown.
O seu lema sempre foi claro: dignificar Portugal através do trabalho.
“Sempre que faço um trabalho, tento elevar o nome de Portugal.”
Estudo, disciplina e visão
Mesmo com uma carreira em crescimento, nunca abandonou os estudos. Concluiu o equivalente ao ensino secundário nos EUA e frequentou um curso universitário em línguas durante quatro anos.
Para Ildeberto, o conhecimento era uma realização pessoal — não apenas uma necessidade profissional.
Família: o verdadeiro pilar
Casado com Dina Bettencourt, é pai de dois filhos, a quem transmitiu a língua e cultura portuguesas.
A filha seguiu uma carreira na área da gestão e finanças numa grande empresa internacional. Já o filho apostou no empreendedorismo, criando o “Portu-galo”, um dos primeiros food trucks portugueses na Nova Inglaterra — um projeto de grande sucesso que mais tarde evoluiu para um dos cafés mais conhecidos de Rhode Island.
Hoje, Ildeberto é também avô de três netos, com quem privilegia cada vez mais o tempo em família.
Portugal sempre presente
Apesar de viver há quase cinco décadas nos Estados Unidos, nunca perdeu a ligação a Portugal.
Todos os anos regressa à ilha Graciosa, onde mantém uma casa junto ao mar — um refúgio onde reencontra as suas raízes.
Paralelamente, tem apoiado ativamente a comunidade portuguesa, nomeadamente nas celebrações do Dia de Portugal em Rhode Island.
Reconhecimento internacional
O seu percurso tem sido amplamente reconhecido ao longo dos anos:
- Destaque pelo Senado dos Estados Unidos (2006)
- Distinção pela cidade de Providence (2010)
- Insígnia Autonómica de Mérito nos Açores (2022)
- Reconhecimento oficial do Estado de Rhode Island (2024)
Estes são apenas alguns exemplos de uma carreira marcada pelo mérito, dedicação e impacto na comunidade.
Um exemplo de emigração de sucesso
A história de Ildeberto Medina é um retrato claro da determinação portuguesa além-fronteiras.
Do Atlântico açoriano para a América, construiu uma vida de sucesso sem nunca esquecer de onde veio.
Hoje, continua ativo nos negócios, mas com uma nova prioridade: aproveitar a vida com a família.
E quanto à reforma?
A resposta é simples:
“Ainda não é por enquanto.”



