O Parc du Plateau, em Champigny-sur-Marne, acolheu no passado dia 14 de junho uma cerimónia dedicada à história da emigração portuguesa em França. O local possui um forte significado simbólico para a comunidade, uma vez que ali existiu, durante as décadas de 1960 e 1970, um dos maiores bidonvilles portugueses da Europa.

Organizada pela associação Les Amis du Plateau em parceria com a APSCR de Champigny-sur-Marne, a iniciativa reuniu representantes institucionais, membros da comunidade e centenas de participantes para assinalar um percurso marcado por dificuldades, integração e sucesso.
Três homenagens para recordar um percurso coletivo
A cerimónia ficou marcada por três momentos simbólicos que prestaram homenagem às gerações de portugueses que deixaram o país em busca de melhores condições de vida: a celebração dos 10 anos do Monumento Louis Talamoni, a inauguração de um busto provisório de Linda de Suza e a valorização da escultura de Rui Chaves, que representa três gerações da comunidade portuguesa.
Fernando Filipe, presidente da APSCR de Champigny-sur-Marne, destacou a importância destas homenagens para preservar a memória da comunidade. “Estes três monumentos simbolizam as dificuldades que os nossos pais encontraram ao longo das nossas vidas, mas também o esforço que fizeram para garantir um futuro melhor aos seus filhos e netos”, afirmou.
Além disso, o dirigente recordou as origens da própria associação. “A APSCR celebra este ano 54 anos e nasceu precisamente no bidonville de Champigny-sur-Marne. Apesar das dificuldades, os portugueses uniram-se para criar laços de solidariedade e partilhar momentos de convívio”, explicou.
Louis Talamoni e a integração da comunidade
A celebração assinalou portanto os dez anos do monumento dedicado a Louis Talamoni, antigo presidente da Câmara Municipal de Champigny-sur-Marne. Durante os anos mais difíceis da emigração portuguesa, Talamoni desempenhou um papel importante no apoio às famílias que viviam no antigo bairro de barracas.
Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa que marcou presença nas celebrações enquadrou as homenagens numa perspetiva histórica mais ampla. “É uma festa que reúne passado, presente e futuro. Recorda um presidente de Câmara que apoiou a comunidade portuguesa, homenageia uma artista que retratou a experiência da emigração e celebra três gerações de portugueses em França”, declarou.
O antigo Presidente da República sublinhou ainda a relevância histórica da cidade. “Champigny foi a primeira capital da comunidade portuguesa e será sempre a primeira capital”, afirmou.
Uma comunidade integrada sem esquecer as suas raízes
O embaixador de Portugal em França, Francisco Ribeiro de Menezes, destacou o percurso de integração da comunidade portuguesa ao longo das últimas décadas.
“Esta celebração mostra tudo aquilo que a comunidade portuguesa enfrentou, ultrapassou e construiu. Hoje, os portugueses desempenham um papel importante na vida política, social, cultural e económica de França, sem nunca esquecerem as suas raízes”, referiu.
Também o deputado Carlos Gonçalves recordou os sacrifícios das primeiras gerações de emigrantes. “Este monumento homenageia aqueles que partiram nos anos 60 e viveram momentos de enorme dificuldade. Décadas depois, a comunidade portuguesa tem assim um peso económico, social e político notável em França”, destacou.
Linda de Suza e a força da cultura portuguesa
A dimensão cultural da emigração esteve igualmente presente através da homenagem a Linda de Suza, uma das figuras mais marcantes da comunidade portuguesa em França, através da inauguração de um busto provisório.
Francisco Ribeiro de Menezes elogiou a cantora e a sua autenticidade. “Linda de Suza tinha uma expressão única e transmitia uma sinceridade que marcou várias gerações”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a escultura de Rui Chaves reforçou a ligação entre passado e presente, representando as diferentes gerações de portugueses que construíram a sua vida em França.
Uma festa de convívio e amizade
Depois das cerimónias oficiais, o Parc du Plateau transformou-se num espaço de celebração popular. Sardinhadas, grelhados, música e atuações de grupos folclóricos reuniram centenas de pessoas num ambiente de convívio.
O presidente da Câmara Municipal de Champigny-sur-Marne, Laurent Jeanne, destacou a forte ligação entre os dois países. “Esta amizade traduz-se em inúmeros momentos de encontro e partilha”, afirmou, acrescentando que existe um interesse crescente pela língua e pela cultura portuguesas.
Assim, entre a memória do passado e a vitalidade do presente, Champigny-sur-Marne voltou a afirmar-se como um dos locais mais emblemáticos da história da emigração portuguesa em França.



