A comunidade portuguesa em França tem demonstrado um interesse crescente pelas terapias alternativas, sobretudo na região de Paris. Entre práticas energéticas, desenvolvimento pessoal e bem-estar emocional, projetos como o Gaia de Qi refletem uma tendência que conquista cada vez mais adeptos, apesar do ceticismo que ainda persiste.

Foi precisamente de uma transformação pessoal profunda que nasceu o percurso de Isabel Rocha. Depois de vários anos ligados aos recursos humanos, a portuguesa decidiu mudar radicalmente de vida. A perda de uma pessoa próxima, em 2018, marcou o início dessa mudança interior.
“Aconteceu um despertar”, recorda a terapeuta, ao descrever um período de forte questionamento emocional e espiritual. A partir desse momento, começou a procurar novas formas de compreender a vida e o equilíbrio pessoal.
Pouco depois, iniciou formação em várias áreas das terapias energéticas, incluindo Reiki, Ho’oponopono e técnicas de trabalho corporal. Em 2023, criou o Gaia de Qi, um projeto que junta diferentes abordagens terapêuticas focadas no equilíbrio emocional, energético e espiritual.
Segundo Isabel Rocha, o nome do projeto simboliza precisamente essa união entre diferentes dimensões. “É naquilo em que eu vibro e é naquilo que sinto que tenho de ir”, afirma.
Terapias adaptadas a cada pessoa
Ao contrário de métodos rígidos ou padronizados, o Gaia de Qi aposta numa abordagem personalizada. Cada consulta começa com uma conversa detalhada sobre o percurso de vida da pessoa e sobre os desafios emocionais que enfrenta naquele momento.
“Quando um consulente vem para uma consulta, começo por conversar com essa pessoa, compreender o seu percurso de vida e aquilo que está a viver”, explica Isabel Rocha.
Depois dessa fase inicial, a terapeuta combina diferentes técnicas conforme as necessidades de cada caso. Em algumas situações, recorre ao Reiki para trabalhar bloqueios energéticos. Noutras, utiliza o Ho’oponopono para promover processos de perdão e libertação emocional.
“A prática constrói-se sempre a partir da escuta, da leitura da pessoa e da combinação das diferentes terapias”, sublinha.
Além disso, Isabel Rocha considera que esta mudança profissional transformou também a sua forma de lidar com os conflitos do quotidiano. “Hoje consigo fazer outra leitura e pensar: ‘ok, este é o ponto de vista dessa pessoa, o meu pode ser diferente e está tudo bem’”, afirma.
Comunidade portuguesa procura cada vez mais estas práticas
Nos últimos anos, a procura por terapias alternativas tem aumentado entre os portugueses residentes em França. Ainda assim, Isabel Rocha acredita que estas práticas continuam mais desenvolvidas em Portugal do que no território francês.
Muitos clientes do Gaia de Qi pertencem à comunidade portuguesa e situam-se entre os 40 e os 70 anos. E todos procuram apoio em momentos de maior fragilidade emocional, mudanças pessoais ou períodos de ansiedade.
Contudo, o ceticismo continua presente. Apesar disso, Isabel Rocha garante que prefere concentrar-se nos resultados sentidos pelas pessoas que acompanha. “Há pessoas que ainda continuam com muito ceticismo, mas eu fico feliz quando uma pessoa diz: ‘estou tão bem agora, sinto-me melhor’”, afirma.
Complemento à medicina tradicional
Apesar da crescente popularidade destas práticas, Isabel Rocha faz questão de sublinhar que as terapias energéticas não substituem a medicina convencional.
“Eu considero que são práticas complementares”, explica, defendendo a importância de manter qualquer acompanhamento médico ou tratamento clínico.
Na sua perspetiva, as terapias alternativas podem contribuir para o equilíbrio emocional e para o bem-estar geral, funcionando como um complemento ao trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde.
Enquanto estas práticas continuam a ganhar espaço em França, projetos como o Gaia de Qi mostram que uma parte da comunidade portuguesa procura cada vez mais abordagens integrativas para cuidar da saúde física e emocional.



