Eleito presidente da Liga Portugal em abril de 2025 com uma das maiores votações de sempre, Reinaldo Teixeira traça uma visão ambiciosa para o futebol português, centrada na sustentabilidade financeira, na centralização dos direitos televisivos e na aproximação às comunidades portuguesas no estrangeiro.

Quando Reinaldo Teixeira foi eleito presidente da Liga Portugal – entidade responsável por organizar e gerir o futebol profissional – com 81% dos votos, o resultado deixou pouco espaço para dúvidas: os clubes queriam estabilidade, mas também mudança. Em entrevista à Lusopress, o dirigente não romantiza o momento, pelo contrário.
“Quanto maior é a votação, maior é a responsabilidade”, afirma, refletindo sobre o primeiro ano de mandato, marcado mais por uma mudança de mentalidade do que por decisões abruptas.
Mudar a cultura antes de mudar o sistema
Com mais de 30 anos ligados ao futebol profissional, o presidente aposta numa transformação interna assente em maior rigor financeiro, visão comercial e proximidade aos clubes.
“O objetivo é simples: fazer hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje”, defende.
Para o dirigente de 62 anos, o futebol é simultaneamente paixão e indústria, um setor que exige gestão, planeamento e visão estratégica. Mais do que reformas imediatas, a prioridade passa por algo menos visível, mas estrutural: mudar a cultura, incentivar disciplina financeira e facilitar o trabalho dos clubes.
O empresário que entrou no futebol… sem sair da gestão
Antes de liderar a Liga, Reinaldo esteve ligado à Associação de Futebol do Algarve e foi membro do Conselho Consultivo do Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P. (IPDJ), entre outras funções ligadas ao associativismo empresarial.
Além disso, construiu uma longa carreira no mundo empresarial, sendo ainda CEO da Garvetur, experiência que continua a marcar a sua abordagem. Já que gerir o futebol profissional implica lidar com orçamentos elevados, centenas de profissionais e um ecossistema onde emoção e negócio coexistem diariamente.
“É um mundo de emoções, mas exige gestão, antecipação e planeamento”, sublinha.
A decisão de avançar para a presidência resultou de um duplo impulso: o desafio pessoal e a vontade de dar espaço a uma nova geração nas empresas que liderava. Um passo calculado e, até agora, sem arrependimentos.
Um produto chamado futebol português
Para o presidente da Liga, o futebol nacional continua a ser um dos maiores ativos do país – não apenas desportivo, mas também social e económico.
“Não há nada tão transversal na sociedade portuguesa como o futebol”, afirma. Dos estádios às casas, das crianças aos emigrantes, o jogo continua a ser um ponto de encontro.
Apesar do ruído que muitas vezes marca o debate público, o dirigente destaca sinais positivos: melhores comportamentos nos estádios, maior profissionalização e um posicionamento europeu cada vez mais relevante, com Portugal a ocupar o sexto lugar no ranking europeu de clubes.
Desafios da Liga Portugal
Entre os principais desafios da Liga está a centralização dos direitos televisivos, prevista para a época 2028/29. A ambição passa por valorizar o futebol português como um todo, aumentar receitas e garantir uma distribuição mais equilibrada entre os clubes.
“Será um momento marcante”, acredita o dirigente.
Ao mesmo tempo, estão em preparação novos projetos comerciais e digitais, pensados para diversificar receitas e reforçar a sustentabilidade financeira das sociedades desportivas.
Da diáspora à dimensão global
Com milhões de portugueses espalhados pelo mundo, a diáspora surge como prioridade. A Liga pretende reforçar a sua presença internacional, criando conteúdos direcionados ao chamado “mercado da saudade” e tornando os jogos mais acessíveis a quem acompanha o futebol português à distância.
Os emigrantes “são autênticos embaixadores do país”, sublinha.
O presidente deixa ainda o convite para conhecer a Arena Liga Portugal, no Porto, um espaço moderno e multifuncional pensado para valorizar o futebol profissional e aproximar adeptos de todas as idades e de todos os clubes.
A Arena Liga Portugal é um complexo que combina a administração da Liga, auditório para conferências, museu interativo, loja oficial, espaços para crianças e zonas de experiência para os adeptos, tornando-se no verdadeiro coração do futebol profissional português.
Um legado feito de valores
No final, mais do que números ou títulos, Reinaldo Teixeira aponta para um legado assente em princípios: transparência, credibilidade e confiança.
“Há ruído, mas não representa o todo”, afirma, numa tentativa de recentrar a imagem do futebol português.
O desafio está lançado: tornar a Liga mais forte dentro de portas e mais próxima de quem a vive além-fronteiras.









