Portugal reforça, mais uma vez, a sua posição no panorama industrial europeu ao marcar presença na Global Industrie, que decorre entre 30 de março e 2 de abril, em Paris Nord Villepinte. Este ano, o país apresenta-se com cerca de 90 empresas e mais de 1.000 metros quadrados de exposição. Assim, alcança o estatuto de segunda maior representação internacional, com 16% dos expositores, ficando apenas atrás de Itália.

Além disso, a feira organiza-se em cinco grandes áreas — subcontratação industrial, indústria conectada, tecnologias de produção, soluções para chapas metálicas e equipamentos de medição. No total, o evento reúne aproximadamente 2.500 expositores de 40 países e espera receber 60 mil visitantes de 85 geografias. Desta forma, consolida-se como a principal montra da indústria transformadora em França.
Exportações impulsionam o setor
Por outro lado, a forte presença nacional resulta do peso crescente da metalurgia e metalomecânica na economia portuguesa. Este setor representa 33% das exportações da indústria transformadora e atingiu um recorde de 24 mil milhões de euros em 2025. Consequentemente, associações como a AIMMAP, a AIDA e a Produtech assumem um papel central na dinamização desta participação internacional.
Estratégia aposta na proximidade com mercados
Durante o evento, Pedro Bravo, gestor de projeto da Produtech, explicou a estratégia por detrás desta presença. “Queremos colocar as empresas nacionais em contacto direto com os decisores”, afirmou. Além disso, destacou a importância do mercado francês: “França continua a ser um dos mercados mais relevantes para Portugal, e existe margem para aumentar a nossa quota.”
Segundo o responsável, este posicionamento não surge por acaso. Pelo contrário, resulta de um trabalho consistente ao longo dos últimos 15 anos. “Temos investido fortemente em inovação, qualidade e expansão internacional. Este crescimento é natural e faz sentido continuarmos a apostar”, sublinhou.
Inovação como fator diferenciador
Entretanto, o fator decisivo já não se limita ao selo “Made in Portugal”. De acordo com Pedro Bravo, a inovação assume hoje um papel central. “O que realmente distingue as nossas empresas é a capacidade tecnológica. Conseguimos automatizar armazéns, otimizar processos logísticos e reduzir a dependência de mão de obra”, explicou.
Além disso, o crescimento do comércio eletrónico tem acelerado esta transformação. “As soluções portuguesas conseguem automatizar processos quase na totalidade. É esse esforço que tem garantido reconhecimento internacional”, acrescentou.
Europa como oportunidade estratégica
Por conseguinte, o enquadramento europeu surge como uma vantagem adicional. “O ‘Made in Portugal’ integrado no ‘Made in Europe’ ganha relevância num contexto de soberania industrial”, afirmou. Nesse sentido, destacou setores como a aeronáutica e a defesa como áreas estratégicas para o futuro.
Desafios exigem cooperação
No entanto, o setor enfrenta desafios importantes. Desde logo, a sustentabilidade impõe novas exigências. “Qualquer solução tem de garantir eficiência energética e capacidade de reciclagem. Não é opcional, é obrigatório”, defendeu.
Simultaneamente, o contexto geopolítico levanta preocupações. “Competimos com blocos como o chinês e o americano. A questão é saber se a Europa conseguirá responder de forma conjunta”, alertou. Assim, Pedro Bravo defende maior cooperação: “Precisamos de trabalhar mais em conjunto entre países europeus para fortalecer a nossa posição.”
Otimismo moderado para o futuro
Apesar das incertezas, o responsável mantém uma perspetiva cautelosamente positiva. “As empresas portuguesas continuam a crescer nos mercados externos”, afirmou. Ainda assim, reconheceu dificuldades em setores como o automóvel, embora identifique oportunidades noutros domínios. “Áreas como logística, retail, defesa e processamento alimentar têm grande potencial”, destacou.
Em conclusão, Portugal afirma-se na Global Industrie como um parceiro industrial competitivo, inovador e cada vez mais relevante no contexto europeu.



