Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox vão representar Portugal na 70.ª edição do Festival Internacional de Música Contemporânea da Bienal de Veneza, que decorre entre 10 e 24 de outubro, levando ao evento uma forte componente social e comunitária.

Um festival que cruza épocas e geografias
Sob o título “A Child of Sound”, a edição de 2026 é dirigida por Caterina Barbieri e reúne mais de 130 artistas em 40 eventos, incluindo 23 obras inéditas, 18 das quais em estreia mundial.
A programação propõe um diálogo entre tradição e modernidade, cruzando música clássica, experimental e eletrónica, numa abordagem que atravessa séculos e continentes.
A força da diáspora e dos sons de Lisboa
A participação portuguesa destaca a fusão entre música eletrónica e influências da diáspora africana, refletindo a cultura das comunidades descendentes das antigas colónias portuguesas.
Segundo a direção artística, este diálogo liga os sons de Lisboa a géneros como o kuduro, a batida e o gqom, nascidos em contextos urbanos e periféricos, com forte dimensão comunitária.
Nídia, Dj Firmeza e Helviofox apresentam projetos desenvolvidos com a editora Príncipe, reconhecida pela promoção da música de dança contemporânea nos bairros da capital.
Lara Dâmaso integra programa de residências
A artista Lara Dâmaso foi selecionada para o Biennale College 2026, um programa internacional de residências destinado a criadores com menos de 30 anos.
A compositora portuguesa integra um grupo de cinco jovens artistas que irão desenvolver projetos ao longo de três residências em Veneza, entre abril e setembro, com acompanhamento de nomes internacionais da música contemporânea.
Música como experiência primordial
O conceito central do festival inspira-se na ideia de que a música é a “infância do espírito”, recuperando o pensamento de Karlheinz Stockhausen sobre a escuta livre de convenções culturais.
A programação inclui obras ‘site-specific’, criações coletivas e experiências imersivas que exploram novas formas de escuta e participação.
Estreias mundiais e grandes nomes
Entre os destaques estão estreias mundiais como “Musica per una fine”, de Ennio Morricone, apresentada postumamente, e novas obras de compositores contemporâneos.
O festival inclui ainda colaborações transculturais, como o encontro entre Lyra Pramuk e o percussionista iraniano Mohammad Reza Mortazevi, além da participação de ensembles e artistas de renome internacional.
Tradição, experimentalismo e novas linguagens
A programação integra também música tradicional e experimental de várias geografias, desde o ritual egípcio zār ao singeli da Tanzânia, passando pela música afro-cubana e pela improvisação radical.
Figuras consagradas e novas vozes da música eletrónica e contemporânea partilham o cartaz, incluindo o japonês Keiji Haino, distinguido com o Leão de Ouro pela carreira.
O espaço Origine, no Arsenale, será dedicado a concertos, sessões de escuta e encontros, promovendo uma experiência imersiva e reflexiva em torno do som, com curadoria do japonês Masaru Hatanaka.
Fonte: Agência Lusa



