Domingo, Julho 19, 2026
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Artistas portugueses na Bienal de Música de Veneza

Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox vão representar Portugal na 70.ª edição do Festival Internacional de Música Contemporânea da Bienal de Veneza, que decorre entre 10 e 24 de outubro, levando ao evento uma forte componente social e comunitária.

Fonte: Freepik

Um festival que cruza épocas e geografias

Sob o título “A Child of Sound”, a edição de 2026 é dirigida por Caterina Barbieri e reúne mais de 130 artistas em 40 eventos, incluindo 23 obras inéditas, 18 das quais em estreia mundial.

A programação propõe um diálogo entre tradição e modernidade, cruzando música clássica, experimental e eletrónica, numa abordagem que atravessa séculos e continentes.

A força da diáspora e dos sons de Lisboa

A participação portuguesa destaca a fusão entre música eletrónica e influências da diáspora africana, refletindo a cultura das comunidades descendentes das antigas colónias portuguesas.

Segundo a direção artística, este diálogo liga os sons de Lisboa a géneros como o kuduro, a batida e o gqom, nascidos em contextos urbanos e periféricos, com forte dimensão comunitária.

Nídia, Dj Firmeza e Helviofox apresentam projetos desenvolvidos com a editora Príncipe, reconhecida pela promoção da música de dança contemporânea nos bairros da capital.

Lara Dâmaso integra programa de residências

A artista Lara Dâmaso foi selecionada para o Biennale College 2026, um programa internacional de residências destinado a criadores com menos de 30 anos.

A compositora portuguesa integra um grupo de cinco jovens artistas que irão desenvolver projetos ao longo de três residências em Veneza, entre abril e setembro, com acompanhamento de nomes internacionais da música contemporânea.

Música como experiência primordial

O conceito central do festival inspira-se na ideia de que a música é a “infância do espírito”, recuperando o pensamento de Karlheinz Stockhausen sobre a escuta livre de convenções culturais.

A programação inclui obras ‘site-specific’, criações coletivas e experiências imersivas que exploram novas formas de escuta e participação.

Estreias mundiais e grandes nomes

Entre os destaques estão estreias mundiais como “Musica per una fine”, de Ennio Morricone, apresentada postumamente, e novas obras de compositores contemporâneos.

O festival inclui ainda colaborações transculturais, como o encontro entre Lyra Pramuk e o percussionista iraniano Mohammad Reza Mortazevi, além da participação de ensembles e artistas de renome internacional.

Tradição, experimentalismo e novas linguagens

A programação integra também música tradicional e experimental de várias geografias, desde o ritual egípcio zār ao singeli da Tanzânia, passando pela música afro-cubana e pela improvisação radical.

Figuras consagradas e novas vozes da música eletrónica e contemporânea partilham o cartaz, incluindo o japonês Keiji Haino, distinguido com o Leão de Ouro pela carreira.

O espaço Origine, no Arsenale, será dedicado a concertos, sessões de escuta e encontros, promovendo uma experiência imersiva e reflexiva em torno do som, com curadoria do japonês Masaru Hatanaka.

Fonte: Agência Lusa

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