Portugal afirmou-se como um dos grandes protagonistas da edição da Première Vision Paris, que decorreu entre 3 e 5 de fevereiro, ao reforçar a sua posição como território de saber-fazer no panorama internacional da indústria têxtil e do vestuário. Ao longo do evento, o país evidenciou a capacidade de cruzar património industrial, inovação tecnológica e sustentabilidade, num discurso consistente e alinhado com as exigências atuais do mercado global.

Desde logo, o destaque atribuído a Portugal partiu da própria organização da feira, no âmbito de uma iniciativa dedicada à valorização dos territórios de saber-fazer. Nesse contexto, António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal –, sublinhou a importância desta distinção. “É, em primeiro lugar, uma distinção que nos orgulha, sobretudo porque a iniciativa partiu da organização da feira, que nos contactou diretamente a pensar em Portugal”, afirmou. Além disso, considerou que este reconhecimento trouxe “alento para continuar o trabalho que o setor tem vindo a desenvolver, seguindo o caminho da inovação, da excelência e das soluções mais exigentes”.
Portugal como polo de conhecimento e inovação
No espaço Manufacturing da feira, o CITEVE apresentou Portugal como um polo estruturado de conhecimento, investigação aplicada e capacidade industrial. Assim, reforçou a imagem de um setor preparado para responder às necessidades das marcas internacionais e às transformações em curso na indústria. Sob o lema Portugal: Território de Saber-Fazer, o centro tecnológico apresentou um conjunto de silhuetas experimentais desenvolvidas no âmbito do projeto Be@t.
Estas peças refletiram avanços significativos nas áreas da sustentabilidade, da transformação digital e da investigação aplicada. Desde a fase de conceção, as equipas integraram princípios de ecodesign, economia circular e responsabilidade ambiental, num trabalho colaborativo que envolveu cerca de 50 empresas de toda a cadeia de valor do setor têxtil e do vestuário.
Sustentabilidade com resultados concretos
Segundo António Braz Costa, esta apresentação demonstrou de forma prática aquilo que a indústria nacional já consegue alcançar. “O que apresentámos foi uma montra muito interessante, porque todo o setor procura soluções mais sustentáveis e nós tivemos a satisfação de mostrar trabalho feito, com exemplos concretos e resultados práticos de empresas portuguesas”, destacou. Paralelamente, enquadrou o projeto Be@t numa estratégia mais ampla de desenvolvimento da bioeconomia e de redução da dependência de matérias-primas de base fóssil.
As silhuetas exibidas integraram ainda passaportes digitais de produto, que garantiram elevados níveis de transparência e rastreabilidade. Dessa forma, Portugal respondeu diretamente às expectativas das marcas internacionais e às futuras exigências regulamentares europeias.
Tecnologia, design e resiliência
Por outro lado, o diretor-geral do CITEVE realçou a importância do equilíbrio entre tecnologia e criatividade. “Este setor não vive apenas da performance dos materiais. Vive também de moda, de design e de criatividade”, afirmou. Em Paris, essa articulação ganhou forma através de propostas onde o design contemporâneo acompanhou soluções tecnológicas e sustentáveis.
Apesar das atuais incertezas económicas e geopolíticas, António Braz Costa destacou a resiliência do setor. Habituada a ciclos de crescimento e retração, a indústria têxtil e do vestuário portuguesa mostrou-se preparada para ultrapassar desafios conjunturais e retomar a trajetória de crescimento das exportações.
Uma mensagem clara ao mercado internacional
Por fim, a presença portuguesa na Première Vision Paris procurou reforçar a perceção internacional sobre a capacidade instalada no país. “É fundamental que compradores e marcas conheçam bem o que Portugal consegue fazer, para que esse reconhecimento se traduza em negócios concretos”, concluiu António Braz Costa. Assim, Portugal reafirmou-se como parceiro industrial de referência no contexto europeu e internacional.



