A Gala da Santa Casa da Misericórdia de Paris reuniu cerca de 200 pessoas na Sala Vasco da Gama, em Valenton, e criou um ambiente de união e reconhecimento. Depois de um ano cheio de obstáculos, a instituição celebrou a sua resiliência e reforçou o compromisso com as famílias portuguesas mais vulneráveis da região parisiense.

A provedora Ilda Nunes descreveu este percurso como “um ano de desafios superados com determinação”. A instituição passou meses sem instalações próprias e precisou de se reorganizar para continuar a ajudar quem mais precisava. Segundo a provedora, a nova fase trouxe finalmente tranquilidade: “Desde 23 de outubro voltámos a ter instalações. Encontrámos um espaço perto de Paris, em Arcueil, com escritório e armazém, e isso deixa-me extremamente feliz”.
Nesse momento difícil, o apoio imediato do Reitor Nuno Aurélio, do Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Paris, evitou que o trabalho ficasse comprometido.
Um acolhimento essencial
O Reitor recordou a colaboração com carinho e reconheceu a importância desta ligação: “Assim que soube que a Misericórdia perdia as salas, ofereci de imediato acolhimento. A relação é especial e a comunidade apoiou desde o primeiro momento”. Além disso, destacou a participação ativa nas campanhas de recolha de alimentos e no Dia Mundial dos Pobres. Afirmou também: “Quem ama sabe o que fazer; quem ama não desiste”.
Arcueil representa um novo começo
A mudança para Arcueil trouxe um grande alívio. Ilda Nunes explicou que encontrar um local foi difícil devido às rendas elevadas: propostas no departamento 77 ficaram afastadas da realidade das famílias. A provedora disse ainda que não imaginava “mães com crianças pequenas ou idosos” a fazer deslocações tão longas. O espaço disponibilizado pela Caisse des Dépôts, em Arcueil, garantiu, assim, condições dignas para retomar o atendimento regular.
Disponibilidade total para apoiar
Apesar de todas as dificuldades, a Santa Casa manteve o apoio permanente. A instituição continuou a responder a pedidos de ajuda, acompanhar pessoas a hospitais, apoiar processos de reforma, visitar isolados e assegurar atendimento 24 horas por dia, todos os dias do ano. A provedora convidou também novos voluntários a participarem nas próximas eleições do Conselho Administrativo.
Reconhecimento da comunidade
A gala contou com representantes de instituições portuguesas e autoridades consulares. A cônsul-geral Mónica Lisboa afirmou: “Ajudar vale a pena e é responsabilidade de todos, não apenas da Santa Casa”. Já Eurico Brilhante Dias destacou a tradição solidária portuguesa e garantiu que “a Misericórdia é uma casa de todos”. Em nome do Governo Português, Pedro Fonseca elogiou a mobilização dos portugueses de Paris e definiu estes 30 anos de trabalho como “uma obra notável”.
Recolha de Natal: todos chamados a ajudar
Com as novas instalações, a Misericórdia lançou a Recolha de Natal, entre 29 de novembro e 14 de dezembro. A ação reúne alimentos e produtos de higiene para apoiar famílias frágeis. A mensagem é simples e direta: a solidariedade transforma vidas e oferece esperança.
A gala encerrou com música e alegria, mas também com a certeza de que a solidariedade continua a ser o maior património da comunidade portuguesa em Paris. A Santa Casa reafirmou-se como um pilar essencial e uma casa sempre aberta a todos.



