O Instituto Oceanográfico do Mónaco recebeu o último grande encontro de Marcelo Rebelo de Sousa com a diáspora durante o seu mandato presidencial. Mais de 600 portugueses encheram o emblemático edifício e criaram um ambiente emotivo, onde a nostalgia e o simbolismo guiaram toda a cerimónia. Marcelo Rebelo de Sousa encerrou um ciclo iniciado em 2016 e fê-lo tal como começou: junto de portugueses em território francês.

Logo à chegada, o Presidente da República avançou entre abraços, selfies, gargalhadas com crianças e o habitual “banho de multidão”. A energia do momento mostrou a relação próxima que cultivou ao longo de oito anos. Depois dessa receção calorosa, subiu ao palco para um discurso significativo.
“Termino quase como comecei”
Marcelo iniciou assim a intervenção com uma reflexão sobre a coincidência simbólica deste último encontro. Disse, com visível emoção: “Este foi o meu último encontro com uma comunidade portuguesa no estrangeiro durante o meu mandato. Sinto-me muito feliz por isso. A primeira comunidade que encontrei, em 2016, foi a portuguesa em França. Termino agora também em França, no Mónaco. Termino quase como comecei.”
A partir daí, conduziu a plateia por uma viagem de memórias e reafirmou o valor central da diáspora. Sublinhou que cada emigrante transporta Portugal dentro de si. Destacou também que o país vive não só no seu território físico, mas em cada portuguesa e português espalhado pelo mundo. “Onde há uma portuguesa ou um português, aí está Portugal”, afirmou com firmeza.
Marcelo reforçou a importância da comunidade como força viva do país. Desde trabalhadores a empresários, estudantes, artistas ou cientistas, todos contribuem para uma diplomacia ativa que projeta Portugal. Segundo o chefe de Estado, “temos portuguesas e portugueses influentes em todas as áreas. Onde somos bons, somos os melhores. Isso resulta do vosso mérito, do vosso esforço e da vossa capacidade”.
Um país que se reinventa
Ao longo do discurso, Marcelo valorizou o equilíbrio entre tradição e modernidade. Destacou o papel da educação, da ciência, da tecnologia e das novas indústrias na transformação do país. Relembrou também o dever do Estado em apoiar socialmente a diáspora e proteger a língua portuguesa.
A partir desse ponto, avançou para uma reflexão histórica sobre Portugal: “Temos quase 900 anos de história. Quando Portugal nasceu, muitos dos países que hoje conhecemos não existiam.” Para Marcelo, essa longevidade demonstra igualmente a resiliência nacional e a capacidade constante de reinvenção. “Temos dificuldades, mas damos sempre a volta”, afirmou com convicção.
Terminou o discurso com o seu habitual entusiasmo patriótico: “Para todos os que são compatriotas da melhor pátria do mundo: Viva Portugal!”
A imagem de proximidade que marcou um mandato
Similarmente, a despedida no Mónaco mostrou uma vez mais a imagem de proximidade que Marcelo construiu fora de Portugal. A comunidade reconheceu nele não apenas o Presidente, mas também o “Marcelo” acessível e espontâneo. Circulou entre as pessoas sem pressas e conversou com naturalidade.
O cônsul honorário de Portugal em Nice, Joaquim Pires, destacou a dimensão humana do momento. “Tivemos um dos maiores presidentes da República Portuguesa. Gosto de o tratar por Marcelo, e acredito que os portugueses o veem quase como um amigo.”
Aproveitou ainda para apelar à responsabilidade cívica nas próximas eleições. Recordou o esforço dos últimos anos e sublinhou a necessidade de proteger a estabilidade económica. “Um voto mal ponderado pode fazer-nos recuar”, alertou.
O empresário Armando Pereira Crespo, que gere vários restaurantes em Nice, descreveu o encontro como um gesto de gratidão. “Desempenhou a função de forma exemplar”, afirmou.
Também Jorge Mendes Constante, presidente da Delegação PACA da Câmara de Comércio Franco-Portuguesa, enalteceu a imagem de proximidade que o Presidente transmitiu ao longo dos dois mandatos. “Para nós, recebê-lo é uma honra”, disse.
A advogada Catarina Clemente Barros sublinhou que vê em Marcelo uma figura genuinamente próxima da população. Comparou a postura do Presidente português à do francês e destacou a diferença como um mérito nacional.
Por fim, o arquiteto Marcelo Moledo completou a homenagem ao recordar o impacto pessoal destes encontros. “Enquanto emigrante, senti-me acompanhado. O Presidente olhou muito pelos portugueses que vivem fora.”
“Para todos os que são compatriotas da melhor pátria do mundo: Viva Portugal!”
Um final profundamente português
A despedida no Mónaco encerrou assim oito anos de encontros intensos entre Marcelo e os portugueses espalhados pelo mundo. No fim, voltou ao meio das pessoas, rodeado de vozes, abraços e telemóveis erguidos. Cada rosto da diáspora representou um pedaço do país.
Em suma, Marcelo deixou o palco como sempre: com humanidade, calor e um forte sentido de portugalidade. E assim se despediu como chefe de Estado, mantendo o tom que marcou os seus dois mandatos — simples, próximo e profundamente português.
























