Este mês de setembro marcou a última visita oficial aos Estados Unidos de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República. A deslocação a Nova Iorque coincidiu com a sua participação final na Assembleia Geral das Nações Unidas. Esta ocasião marcou simbolicamente o encerramento de uma década de presidência, com momentos de proximidade junto da comunidade portuguesa e reflexões sobre o seu percurso no cargo.

Durante uma receção com portugueses residentes nos EUA e funcionários da ONU, Marcelo expressou profundo agradecimento pelo apoio ao longo dos seus dois mandatos. Com emoção, afirmou: “Onde está um português, está Portugal. Cada português ajuda a construir o país, mesmo longe do território físico”.
Orgulho nas comunidades portuguesas
Ao longo dos seus dez anos como Presidente, Marcelo demonstrou repetidamente o seu carinho pelas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Durante a visita a Nova Iorque, voltou a destacar essa ligação, sublinhando o orgulho com que termina o mandato: “Saio muito orgulhoso. Somos os melhores do mundo”.
Ainda assim, apesar das conquistas, confessou que gostaria de ter feito mais. Mais especificamente, o Presidente lamentou não ter visitado algumas comunidades no estrangeiro, reforçando, assim, o seu desejo de ter conhecido melhor a presença portuguesa em certos países.
Desafios e momentos difíceis
Marcelo também abordou os períodos mais exigentes da sua presidência. A pandemia de COVID-19 foi, segundo ele, o maior desafio que enfrentou. “Fechar os portugueses em casa durante dois anos foi das decisões mais difíceis”, recordou.
Além disso, mostrou-se também preocupado com a crescente instabilidade mundial. Nesse sentido, referiu a guerra na Ucrânia, os conflitos no Médio Oriente e a situação em África como sinais de um mundo mais imprevisível e perigoso. “Deixo um mundo mais complexo, mais agressivo, mais instável, e isso reflete-se na economia e na vida das pessoas”, referiu.
“Quero descobrir mais de Portugal e mais de Portugal no mundo”
Olhar para o futuro
Com o fim do mandato marcado para fevereiro, Marcelo já delineia os seus próximos passos. Pretende dedicar-se assim à família e aos amigos, regressar ao ensino básico e secundário, promover a língua portuguesa e envolver-se em atividades culturais. “Quero descobrir mais de Portugal e mais de Portugal no mundo”, afirmou com entusiasmo.
Política externa: Palestina e Conselho de Segurança

A visita a Nova Iorque coincidiu com datas simbólicas: os 80 anos da ONU e os 70 anos da adesão de Portugal à organização. Nesse contexto, acompanhado por Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, foi anunciada oficialmente a decisão de Portugal reconhecer o Estado da Palestina. Marcelo declarou ter seguido de perto todo o processo e apoiado a decisão: “Atuar agora é dar uma última hipótese à solução dos dois Estados. Esperar mais seria comprometer esse caminho”.
No dia seguinte, participou na Conferência Internacional sobre a Paz na Palestina, onde reafirmou o compromisso português com o Direito Internacional e a diplomacia. O Presidente também destacou a ambição nacional de garantir um lugar como membro não-permanente no Conselho de Segurança da ONU, para o biénio 2027-2028.
Despedida com continuidade
Em conclusão, a viagem a Nova Iorque representou mais do que um adeus à cena internacional. Foi o fecho simbólico de uma presidência marcada pela proximidade com os cidadãos. Marcelo Rebelo de Sousa deixa Belém com planos claros, mas mantém vivo o seu compromisso com Portugal — agora fora do cargo, mas não longe do país.














