Vinte e duas empresas portuguesas marcam presença na edição de setembro da Maison & Objet, que decorre até 14 de setembro no Parc des Expositions de Paris Nord Villepinte, nos arredores da capital francesa. Entre cerâmica, loiça, cutelaria, acessórios de mesa e decoração, os expositores procuram reforçar a presença em França e conquistar novos clientes noutros mercados europeus.

Sob o tema “Pulse in Motion”, a edição deste ano destaca o movimento, a criatividade e a capacidade do design para criar novas tendências. Nesse contexto, os produtores portugueses ocupam diferentes espaços da feira, com particular destaque para a cerâmica e os artigos para a mesa.
França continua a ser um mercado estratégico
Para empresas como a Costa Nova e a Vista Alegre, a Maison & Objet mantém-se como uma oportunidade para reencontrar clientes e estabelecer novos contactos. No entanto, a edição de setembro apresenta uma dinâmica diferente da feira de janeiro.
“Em termos de afluência, é muito maior em janeiro”, explica Carla Santos, diretora comercial da Costa Nova. A responsável considera que a primeira edição do ano reúne mais compradores à procura de novidades para os meses seguintes. Em setembro, por outro lado, a feira apresenta uma componente internacional mais forte.
Ainda assim, a Costa Nova continua a apostar no mercado francês, onde tem registado um crescimento de dois dígitos. A empresa reforçou a estrutura comercial no país, com uma agente em Paris e responsáveis dedicadas ao retalho e à hotelaria.
Ao mesmo tempo, a marca acompanha a evolução dos hábitos de consumo através do comércio digital e da presença em grandes espaços comerciais, como as Galeries Lafayette. A hotelaria representa também uma área de crescimento. “As pessoas procuram ter em casa aquilo que veem nos hotéis e nos restaurantes”, afirma Carla Santos.
Europa ajuda a compensar diferenças entre mercados
A Vista Alegre utiliza igualmente a Maison & Objet para reforçar a sua rede internacional. Carlos Sousa Machado, diretor da empresa para a Europa, explica que a presença no certame já acontece há vários anos, tanto em janeiro como em setembro.
“Vimos cá para nos apresentarmos, como sempre, e para receber os nossos clientes, que são muitos, não só em França, mas também em Itália e em toda a Europa”, afirma.
Em França, a empresa encontra um mercado relativamente estável face ao ano passado, embora os compradores revelem alguma prudência perante o atual contexto económico e político.
Por outro lado, os mercados europeus apresentam comportamentos diferentes. O Brexit continua a dificultar as vendas para o Reino Unido, devido às barreiras alfandegárias e à maior complexidade das importações. Em contrapartida, Espanha, Portugal, países nórdicos e países bálticos apresentam uma evolução mais positiva.
“Uns mercados acabam por compensar os outros. É sempre assim”, resume Carlos Sousa Machado.
Esta diversificação torna-se particularmente importante num setor ligado ao consumo não essencial. Quando a instabilidade económica aumenta, os consumidores podem adiar a compra de artigos para a casa. Por isso, marcar presença em diferentes geografias permite às empresas portuguesas equilibrar eventuais quebras num mercado com melhores resultados noutro.
Terrafina procura pequenas lojas
Na Terrafina, marca da Ceramirupe, a estratégia passa sobretudo pelas pequenas lojas. A empresa separa a produção de private label da sua marca própria, que procura chegar a um público mais especializado.
“É um cliente diferente e a Maison & Objet é precisamente a feira indicada para esse tipo de público”, explica Vera Dias, comercial da Ceramirupe.
A empresa considera que a afluência melhorou face ao ano passado e aproveita a presença em Paris para procurar novos compradores, sobretudo em Itália, nos Países Baixos e na Alemanha.
Apesar de já contar com algumas lojas em França, incluindo em Paris, o mercado continua a apresentar dificuldades. “É realmente difícil entrar no mercado francês”, admite Vera Dias, acrescentando que a Alemanha e os Estados Unidos têm atualmente maior peso nas vendas.
Além disso, a concorrência e a cópia de produtos representam desafios para a empresa, num setor onde o design e a diferenciação das coleções assumem um papel central.
Energia e mão de obra pressionam produção
Enquanto procuram novos clientes, os fabricantes portugueses enfrentam também o aumento dos custos de produção. Na Costa Nova, a energia representa uma preocupação particular, já que a cozedura da cerâmica continua a depender do gás.
A empresa tem investido em soluções mais sustentáveis, nomeadamente através de painéis fotovoltaicos e da recuperação da água utilizada na produção. Ainda assim, o aumento dos custos do gás, das tintas e da mão de obra continua a pressionar as margens.
A componente artesanal acrescenta outro desafio. “Todos os acabamentos que fazemos são manuais”, explica Carla Santos. A empresa emprega cerca de 1100 pessoas, 70% das quais mulheres.
Assim, entre custos elevados, concorrência e mercados instáveis, os produtores portugueses procuram na Maison & Objet mais do que visibilidade. Até 14 de setembro, os 22 expositores presentes em Villepinte tentam transformar a participação em novos contactos, encomendas e oportunidades de negócio, confirmando a aposta numa internacionalização cada vez mais diversificada.



