A edição de setembro da Première Vision Paris terminou com um balanço globalmente positivo para as empresas portuguesas, apesar da menor afluência face a fevereiro e de um mercado marcado pela instabilidade e pelo aumento dos custos. Entre os cerca de 850 expositores presentes em Villepinte, 34 representaram Portugal, apresentando o know-how nacional em áreas como fios, tecidos, design, acessórios, couro, calçado e marroquinaria.

Realizada entre 1 e 3 de setembro, a feira voltou a reunir profissionais de várias partes do mundo. Para os expositores portugueses, contudo, o objetivo vai muito além da presença no certame: passa por criar contactos e transformar oportunidades em negócios.
Contactos são cada vez mais importantes
Para António Cunha, responsável pelo desenvolvimento comercial de vários mercados da Orfama, as feiras continuam a desempenhar um papel importante na conquista de novos clientes. “Um dos objetivos da nossa participação nas feiras é contactar novos clientes, de forma a podermos aumentar o nosso negócio”, explicou à LusoPress.
Na Première Vision, a empresa registou uma boa afluência ao espaço. “Tivemos muitos clientes a visitar o nosso stand e a conhecer a nossa coleção”, afirmou.
No entanto, o processo comercial já não termina com a feira. “A realidade de chegar às feiras e sair de lá já com encomendas na carteira deixou de existir; isso já faz parte do passado”, explicou António Cunha. Assim, o acompanhamento dos contactos ganha cada vez mais importância.
Custos aumentam pressão sobre empresas
Além disso, a subida dos custos continua a preocupar o setor. A Orfama prevê, por exemplo, um aumento significativo no preço da caxemira 100% para a estação de inverno 2027-2028.
António Cunha estima um acréscimo de cerca de 40 euros por quilo. “Teremos necessariamente de aumentar os preços, porque não há outra forma de manter o negócio sustentável”, afirmou.
Por isso, as empresas procuram simultaneamente controlar custos, diferenciar os seus produtos e conquistar novos mercados.
Ferreira e Filhos aposta novamente no vestuário
Entretanto, a Ferreira e Filhos decidiu voltar a apostar no vestuário, depois de nos últimos anos ter concentrado a atividade nos têxteis-lar e participado noutras feiras.
Miguel Ferreira e Valérie Doussineau, comerciais da empresa, explicaram que a flexibilidade da produção permitiu esta mudança. “Como temos a flexibilidade de trabalhar tanto os têxteis-lar como o vestuário, decidimos alterar novamente a nossa estratégia e voltar a apostar no vestuário.”
O regresso a Villepinte trouxe novos contactos, nomeadamente de clientes europeus e de outros mercados. “Para já, creio que temos algum potencial para desenvolver novos negócios a partir dos contactos que estabelecemos”, afirmaram.
Portugal vê oportunidades na mudança
Também Jorge Branco, diretor comercial da Têxtil Nortenha, considerou positiva a participação, embora tenha notado uma menor afluência face a fevereiro.
“Estamos entusiasmados com aquilo que poderá surgir”, afirmou, destacando a importância do acompanhamento após a feira.
Para o responsável, a transformação do mercado pode, aliás, beneficiar a indústria portuguesa. “Em Portugal, concretamente, eu diria que não estamos perante um problema, mas sim perante uma oportunidade.”
Segundo Jorge Branco, algumas marcas que trabalhavam tradicionalmente em segmentos médio-baixos procuram agora produtos de gama alta e luxo. Essa mudança exige maior flexibilidade, sobretudo perante encomendas menores e matérias-primas mais complexas.
“Acaba por ser um desafio interessante reorganizar as empresas nesse sentido e adaptar a nossa capacidade de produção às novas exigências do mercado”, concluiu.
Assim, apesar da instabilidade, dos custos crescentes e de ciclos comerciais mais curtos, os expositores portugueses deixam Paris com novos contactos e oportunidades. Agora, o desafio passa por transformar esses contactos em negócios concretos para as próximas estações.



