Em Ovar, o restaurante Oxalá é mais do que uma casa de refeições: é um projeto familiar com três décadas de história, construído com base na proximidade, no trabalho e nas pessoas.

Um projeto familiar que cresceu com as pessoas
Em entrevista à Lusopress, o proprietário, José Rebelo, resume o início da casa como uma herança familiar que foi crescendo com o tempo e com a dedicação de todos.
“Isto é um projeto familiar que começou com um tio e as coisas foram andando e eles foram-nos dando a oportunidade de crescermos”, explica, considerando que “até hoje não há limite”.
Atualmente, com cerca de 40 colaboradores, o restaurante mantém a mesma filosofia: evoluir sem perder a essência.
Mais do que a carta ou o espaço, o que distingue o Oxalá é o fator humano.
“A diferença são as pessoas. Nós fazemos o nosso melhor para que todas as pessoas levem uma experiência positiva”, sublinha José Rebelo, destacando o ambiente de proximidade e o acolhimento como imagem de marca da casa.
Essa relação próxima com o cliente é, para o proprietário, o verdadeiro segredo da longevidade do restaurante: fazer com que quem entra queira voltar.
“Kecena” e o ambiente descontraído da casa
No restaurante, há uma expressão que acabou por ganhar vida própria: “Kecena”. Mais do que uma palavra, tornou-se uma forma de traduzir o espírito leve, espontâneo e bem-disposto que se sente no espaço.
Um ambiente onde a informalidade, a boa disposição e a autenticidade fazem parte da experiência de quem visita o restaurante.
Da matéria-prima à mesa: tudo é trabalhado na casa
Na cozinha, o Oxalá distingue-se por um princípio simples, mas exigente, em que toda a matéria-prima é transformada pela equipa.
“Não produzimos, mas transformamos tudo o que servimos”, explica José Rebelo, referindo-se ao trabalho feito desde a padaria à pastelaria, passando pela carne, peixe e legumes.
Essa dedicação reflete-se numa carta ampla, onde convivem pratos de carne, peixe e marisco com forte ligação à tradição portuguesa.
Os pratos mais marcantes que incluem o robalo ao sal
Ao longo dos anos, alguns pratos tornaram-se referências da casa. A feijoada de marisco foi um dos mais emblemáticos e continua a ser um dos preferidos dos clientes.
A carta inclui ainda especialidades como robalo ao sal, rodovalho, garoupa, arroz de tamboril, sinfonia marítima e gambas angolanas, além de propostas mais intensas no universo da carne, como o naco de vitela, miminhos de ‘filet mignon’ e ‘chateaubriand’ (carne mal passada).
A identidade gastronómica do Oxalá prolonga-se nas sobremesas, também produzidas internamente, com destaque para o tradicional pão de ló de Ovar, símbolo da região e presença obrigatória na mesa da casa.
Um espólio de vinho que conta Portugal
Para além dos tetos com garrafas de vinho e notas de diferentes países e obras do escultor Paulo Neves, um dos espaços mais impressionantes do restaurante é a sua sala de vinhos, com cerca de 10 a 12 mil garrafas de todas as regiões demarcadas do país.
Douro, Dão, Alentejo, Ribatejo, Lisboa, Algarve, Açores e Madeira estão representados numa coleção que, mais do que um espólio, funciona como homenagem ao vinho português e ao momento de partilha à mesa.
“Um bom vinho marca a pessoa e o momento”, resume José Rebelo.
Um futuro feito de continuidade
Sobre o futuro, o proprietário não fala apenas em crescimento, mas em continuidade de valores. O desejo é simples: que o restaurante continue a fazer parte da vida de quem o visita, principalmente aqueles que viu crescer e que serviu desde pequenos.
“Se eu conseguir isso, o Oxalá vai viver para sempre”, refere.




















