Ao celebrar 40 anos de história, o Grupo Lusiaves afirma-se como um dos maiores ‘players’ agroalimentares no espaço ibérico, empregando cerca de seis mil colaboradores diretos e consolidando uma forte presença internacional. Em entrevista à Lusopress, a administradora Susana Gaspar recordou o início da empresa, o crescimento sustentado ao longo de quatro décadas e os desafios de um setor em constante evolução.

O início da Lusiaves
Como nos conta Susana Gaspar, a centelha original deste percurso nasceu em 1974, nas Meirinhas. Sem receber salário nos primeiros seis meses de trabalho num escritório por “estar a aprender”, o fundador adquiriu um bando pioneiro de 300 pintos, criando-os num pequeno anexo para conseguir pagar as prestações de uma motoreta que havia comprado para as suas deslocações.
Dessa audácia inicial germinou, em 1986, a constituição da Lusiaves, que arrancou com uma estrutura de apenas 32 trabalhadores e uma atividade focada exclusivamente no frango inteiro a granel. Ainda assim, logo em 1987, a jovem empresa alcançaria o marco de um milhão de euros em vendas.
E foi crescendo, “ao longo do tempo foi aumentando a produção, surgiu a necessidade de ter pavilhões e quintas e, mais tarde, a urgência de controlar todo o processo”, explica Susana Gaspar sobre esta fase de crescimento e verticalização do negócio.
Este caminho de excelência e o impacto profundo na indústria agroalimentar nacional valeram ao fundador, em 2015, a condecoração pelo Presidente da República com a prestigiada Comenda de Mérito Industrial.
Crescimento sustentado e estrutura nacional
A estratégia de verticalização total, “do campo ao prato”, permitiu a integração de pilares de eficiência como a Racentro (nutrição animal), a Lusifrota (logística) e modernos centros de incubação.
“Temos desde a galinha ao ovo. Os centros de incubação, as quintas de produção, os centros de abate em vários pontos do país, os centros de distribuição e também empresas ligadas à restauração”, enumera a administradora.
A sede do Grupo, que centraliza os serviços partilhados de várias áreas, desde a financeira, à jurídica, passando pelo marketing e recursos humanos, funciona como o motor de suporte de todo o ecossistema.
“Costumo dizer que aqui é o cérebro da empresa”, afirma.
Exportação e presença internacional
Com o mercado nacional consolidado, o Grupo expandiu as suas fronteiras. Em solo francês, a organização opera uma estrutura estratégica junto ao emblemático Mercado de Rungis, em Paris. Espanha assume-se como outro mercado fulcral, consolidado em 2025 através da aquisição do Grupo Oblanca. Paralelamente, foi sendo desenhada uma rota de expansão no norte da Europa, onde o Grupo já marca presença em seis países escandinavos.
“Nunca estamos satisfeitos”
Questionada sobre o que diferencia hoje a empresa dentro do setor agroalimentar, a administradora aponta a exigência como um pilar fundamental.
“Nunca estamos satisfeitos”, afirma, destacando a procura constante pela melhoria contínua, pela modernização tecnológica e pela atualização permanente de equipamentos e processos, assegurando que a organização seja capaz de evoluir ao mesmo ritmo que as exigências dos consumidores evoluem.
A sustentabilidade é outro tema fulcral na estratégia do Grupo, traduzindo-se numa preocupação permanente em valorizar os resíduos gerados pela atividade. Para Susana Gaspar, este nível de escrutínio é sempre encarado como um forte motor de progresso: “A exigência é sempre positiva, porque obriga-nos a evoluir e a acompanhar de perto as
dinâmicas do mercado e do cliente”.
Uma mensagem para os jovens empresários
Susana Gaspar deixou ainda uma mensagem dirigida aos jovens, em especial às mulheres, que sonham construir o seu próprio percurso empresarial.
“Acreditem, nunca desistam, vão para a frente, porque amanhã é sempre um novo dia”, concluiu.



