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“Momentos com Vinho” regressa a Sernancelhe para celebrar vinho, produtores e território

A quinta edição do “Momentos com Vinho” regressou a Sernancelhe nos dias 16 e 17 de maio, reunindo produtores, entidades institucionais e visitantes num evento dedicado à promoção dos vinhos, espumantes e produtos das regiões do Távora-Varosa, Douro e Dão.

A sessão de abertura contou com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Carlos Santos, do secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, e do presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, Gilberto Igrejas.

“A intenção deste ano, juntando a gastronomia, a cultura e o vinho, é também puxar um pouco para os nossos viticultores, porque no ano passado tivemos a situação dos incêndios e arderam muitas vinhas. E este ano temos as tarifas da América. Há sempre um problema. E a energia que está a aumentar e, portanto, temos de ter um olhar”, referiu o presidente da Câmara.

Carlos Santos destacou que a presença do Secretario de Estado do Planeamento tem como intuito ajudar com “soluções para compensar os custos que estão mais elevados na agricultura e na viticultura”. 

“Espumantes são uma identidade”

O secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional destacou a crescente afirmação de Sernancelhe enquanto território ligado à produção de espumantes na região de Távora-Varosa.

“Sernancelhe é conhecida mais pela terra da castanha, mas também começa a ser conhecida pela terra dos espumantes”, afirmou.

Hélder Reis sublinhou ainda a dimensão cultural associada ao produto: “os espumantes não são só um produto económico, são uma identidade ligada a todo um património cultural”.

Consumo mundial de vinho preocupa setor

O presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto alertou para a quebra do consumo mundial de vinho, defendendo a importância de iniciativas locais como os “Momentos com Vinho” na valorização dos produtos endógenos e na promoção da coesão territorial.

Segundo Gilberto Igrejas, os níveis de consumo mundial aproximam-se atualmente dos registados em 1957, apesar da evolução das práticas culturais e enológicas.

“Temos de dar a conhecer os nossos produtos locais e reforçar a coesão territorial”, acrescentou.

Apoios e valorização do setor

Carlos Santos destacou o crescimento da produção vitivinícola no concelho, sublinhando a importância estratégica da sub-região de Távora-Varosa. O autarca referiu que Sernancelhe conta com cerca de 570 hectares de vinha, dos quais 530 destinados à produção DOP Távora-Varosa, com destaque para a casta Malvasia Fina na produção dos espumantes “Terras do Demo”.

O presidente da Câmara de Sernancelhe defendeu ainda a necessidade de reforçar apoios ao setor, nomeadamente no âmbito dos seguros agrícolas, da ligação entre universidades e produtores e da renovação geracional.

“Temos de valorizar social e economicamente a viticultura, tornando este setor mais atrativo para os jovens”, defendeu.

O interior pode liderar

Na sua intervenção, Hélder Reis sublinhou a importância da valorização dos recursos endógenos como motor de desenvolvimento do interior do país.

“O interior não está condenado ao esquecimento”, afirmou.

O secretário de Estado considerou que eventos como o “Momentos com Vinho” representam uma afirmação de confiança no território, destacando o vinho, a gastronomia e a cultura como elementos essenciais para a criação de riqueza e emprego.

Produtores e desafios do setor

Entre os expositores esteve Ricardo Paiva, representante da Quinta da Gingeira, em Armamar, que assumiu o negócio familiar desde 2004 após formação em enologia.

“Os meus pais já eram produtores, eu estudei e acabei por ficar a gerir o negócio da família”, explicou.

O produtor e enólogo reconheceu dificuldades crescentes na comercialização e exportação, referindo as tarifas internacionais como um obstáculo adicional.

“Com esta história agora da guerra, torna-se mais difícil escoar produtos. As taxas são altíssimas neste momento”, referiu.

Ainda assim, cerca de 80% das vendas da Quinta da Gingeira são realizadas em Portugal, com presença também em mercados como França, Luxemburgo, Estados Unidos e China.

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