Na noite de 12 de maio, centenas de fiéis reuniram-se no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris, para assinalar a véspera do 13 de maio, uma das datas mais importantes da tradição mariana. Entre cânticos, orações e momentos de silêncio, a celebração voltou a atrair uma forte participação da comunidade católica lusófona e francófona.

Desde cedo, a igreja revelou-se pequena para acolher todos os participantes. Ainda assim, muitos permaneceram no exterior para acompanhar a cerimónia, sobretudo durante a tradicional procissão das velas, um dos momentos mais marcantes da noite. À medida que os fiéis percorriam o recinto, as luzes das velas iluminaram o santuário ao som da “Ave Maria”, criando um ambiente de recolhimento e união.
Além disso, a celebração deste ano destacou-se pela diversidade de participantes. Famílias, jovens e idosos juntaram-se num momento de fé comum, reforçando o papel do santuário como espaço de encontro espiritual para a comunidade portuguesa em França.
Oração pela paz marcou a celebração
Em declarações à LusoPress, o Padre Nuno Aurélio, reitor do santuário, afirmou sentir-se “alegre e feliz” com a forte adesão dos fiéis. Segundo o sacerdote, o atual contexto internacional ajuda a explicar a elevada participação.
“Este ano, talvez pelos apelos constantes do Papa à oração pela paz e também pela situação que vivemos atualmente, as pessoas sentiram necessidade de estar presentes”, explicou.
Ao mesmo tempo, o reitor relacionou essa procura espiritual com os conflitos internacionais que dominam a atualidade. “Falamos do Irão, do Estreito de Ormuz, do Médio Oriente, de Israel, da Ucrânia… começamos a sentir que tudo isso também nos diz respeito”, referiu.
Por isso, defendeu a importância da oração como resposta dos cristãos perante a instabilidade mundial. “Para um cristão, a oração é a nossa primeira arma, uma forma de alimentar em nós a esperança e a confiança. A oração age e o Papa recorda-nos que a primeira forma de agir é rezar”, acrescentou.
Um santuário aberto a todas as comunidades
Ao longo da celebração, o ambiente refletiu também um forte espírito de inclusão. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris acolheu fiéis de várias origens, mantendo uma celebração bilingue em português e francês.
Segundo o Padre Nuno Aurélio, essa abertura permite que todos se sintam integrados. “O santuário é diocesano e está aberto a toda a comunidade. A celebração é bilingue, para acolher francófonos e lusófonos, e isso faz com que as pessoas se sintam bem, porque não se sentem estrangeiras”, afirmou.
Além disso, o sacerdote recordou que a Igreja deve funcionar como um espaço de acolhimento e proximidade. “Na casa da Igreja nunca somos estranhos”, sublinhou.
Apelo à paz e ao combate da violência
No final da celebração, o reitor deixou ainda uma mensagem dirigida aos fiéis num período marcado pela tensão internacional e pelo aumento da violência no quotidiano.
Ao recordar as palavras atribuídas a Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, o sacerdote reforçou a atualidade da mensagem. “Rezai para alcançar a paz e para que a guerra termine”, citou, lembrando que esse pedido surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, mas continua atual.
Por outro lado, alertou para a banalização da violência nas sociedades atuais. “Todos os dias, em Portugal ou em França, vemos nos telejornais situações de mortes, agressões e violências graves”, lamentou.
Dessa forma, o Padre Nuno Aurélio apelou a uma reflexão coletiva sobre os comportamentos individuais e sociais, defendendo que cada pessoa deve contribuir para reduzir os conflitos no dia a dia e promover uma cultura de paz.



