A União Geral de Trabalhadores (UGT) assinalou o Dia do Trabalhador no Centro Nacional Desportivo do Jamor, em Oeiras, com fortes críticas às alterações em discussão ao Código do Trabalho, numa altura em que o processo negocial entra na sua fase decisiva.

O secretário-geral da central sindical, Mário Mourão, alertou no 1.º de Maio para medidas que considera prejudiciais, defendendo que “reduzem direitos e salários” e agravam as condições de vida dos trabalhadores.
O alerta surge num momento em que as negociações estão prestes a ser concluídas. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, já indicou que o processo deverá ficar fechado esta semana, tendo convocado uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS) para 7 de maio, com o objetivo de encerrar formalmente o tema entre Governo e parceiros sociais.
UGT quer travar medidas gravosas
Em entrevista à Lusopress, o secretário-geral destacou que os trabalhadores enfrentam atualmente múltiplos desafios, desde a perda de poder de compra até à dificuldade em conciliar vida profissional e pessoal. A habitação surge como uma das principais preocupações, sendo apontada como um fator que “consome os rendimentos de uma grande maioria dos trabalhadores portugueses”.
A central sindical reforça, assim, a necessidade de garantir melhores salários, maior estabilidade laboral e condições de vida mais dignas. Ao mesmo tempo, deixa um apelo à mobilização, alertando para o impacto das decisões em curso.
“O que está em cima da mesa é muito grave e pode fazer o país recuar décadas. Não queremos voltar atrás, queremos avançar”, afirmou o dirigente.
Festa do trabalhador
Só depois do tom reivindicativo se fez sentir o ambiente de celebração. As comemorações decorreram no Centro Nacional Desportivo do Jamor, em Oeiras, reunindo trabalhadores, sindicalistas e famílias num ambiente de convívio e participação.
Pelo segundo ano consecutivo, a UGT escolheu aquele espaço para assinalar a data, destacando as condições para a convivência entre sindicatos e o apoio da autarquia local. O programa incluiu atividades desportivas durante a manhã e momentos culturais ao longo da tarde.
A iniciativa contou ainda com a presença do secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, que marcou presença para manifestar apoio aos trabalhadores.
O encerramento ficou a cargo do cantor Quim Barreiros, reunindo várias gerações num momento de celebração que contrastou com o tom de alerta deixado ao longo do dia.
Entre reivindicações e convívio, o 1.º de Maio promovido pela UGT volta a afirmar-se como um espaço de luta e reflexão, num momento decisivo para o futuro das leis laborais em Portugal.







