A associação Des Originaires du Portugal assinalou o 25 de Abril com um evento marcante no Palais des Sports, em Corbeil-Essonnes, apostando num formato renovado. Em vez do habitual serão de fados, o presidente Adolfo Gonçalves decidiu elevar a fasquia, com a atuação do ‘cowboy português’, Zé Amaro. “Organizo sempre um evento no 25 de Abril; por hábito fazia fados, mas este ano quis algo diferente: um grande concerto com a nossa associação”, explicou.

O objetivo manteve-se claro desde o início. “Tinha de ser no 25 de Abril, porque é um dia muito especial para mim e para a associação. Simboliza a liberdade conquistada pelos nossos soldados”, afirmou o dirigente. Com a colaboração técnica de Arménio Santos, o espetáculo atingiu, este ano, um novo patamar, sobretudo ao nível do som e da iluminação.
Comunidade unida em torno da liberdade
Por outro lado, o evento destacou-se pela forte adesão da comunidade portuguesa, uma das mais representativas da região. A celebração transformou-se assim num verdadeiro momento de afirmação coletiva. “Fazia todo o sentido comemorarmos este momento. O que queríamos era alegria, dança e celebrar a liberdade – e foi isso que aconteceu”, sublinhou Adolfo Gonçalves.
De facto, o convívio desempenhou um papel central ao longo da noite. Segundo o presidente, estas iniciativas vão muito além do entretenimento. “Sem convívio não se constrói nada. Aqui juntamos várias nacionalidades e esse convívio faz bem às pessoas, ajudando a evitar muitos problemas”, destacou.
Zé Amaro conquista o público
Entretanto, em palco, Zé Amaro correspondeu plenamente às expetativas. O cantor proporcionou um espetáculo envolvente, marcado pela proximidade com o público e por um alinhamento que combinou temas conhecidos com novas sonoridades. “É muito especial para mim estar aqui hoje, porque se juntam duas datas incríveis: por um lado, a liberdade; por outro, a alegria e a festa. Nós, portugueses, sabemos celebrá-las em qualquer parte do mundo”, afirmou.
O artista apresentou novidades, incluindo colaborações com D.A.M.A, Sérgio Reis e Lucía Pérez. Ainda assim, deixou clara a sua prioridade. “O mais importante é que as pessoas se divirtam”, frisou.
A força da diáspora portuguesa
Ao mesmo tempo, a ligação à diáspora marcou toda a noite. Zé Amaro reforçou a importância de manter viva a identidade cultural fora de Portugal. “Para mim, é sempre ótimo proporcionar um bom momento e, acima de tudo, reforçar a ideia de que esta portugalidade não acaba e que continua a crescer de forma positiva”, afirmou.
Com uma agenda internacional exigente, o cantor continua a levar a música portuguesa a vários pontos do mundo, incluindo passagens por Portugal, Suíça, Estados Unidos e Canadá. Ainda assim, mantém uma certeza. “Onde quer que vá, a alegria é sempre o prato principal”, garantiu.
Tradição e futuro da associação
Antes do concerto principal, Zé Baltazar aqueceu o público e ajudou a criar um ambiente festivo. Por sua vez, a associação aproveitou a ocasião para mostrar o seu percurso. Inicialmente focada no desporto, a coletividade evoluiu para uma intervenção cultural sólida, com um rancho folclórico e um grupo de bombos.
O evento teve um objetivo prático: assegurar a continuidade das atividades. “As receitas servem para manter a associação, pagar licenças e apoiar deslocações. Queremos continuar a crescer e levar o nosso grupo ainda mais longe”, explicou Adolfo Gonçalves, apontando a Alemanha como próximo passo.
Em suma, entre música, reencontros e celebração, Corbeil-Essonnes voltou a afirmar a força do associativismo português. O espírito do 25 de Abril permaneceu vivo, como símbolo de liberdade, identidade e união.



