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Batalha de La Lys: 108 anos de memória e homenagem

Sob um céu cinzento e marcado pela chuva, as comemorações do 108.º aniversário da Batalha de La Lys decorreram entre 18 e 19 de abril, no norte de França. Entre Richebourg, La Couture, Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse, o ambiente carregado intensificou o tom solene das cerimónias. Ano após ano, estas iniciativas mantêm viva a memória dos soldados portugueses que perderam a vida na Primeira Guerra Mundial.

Além disso, o ponto central voltou a ser o Cemitério Militar Português de Richebourg, onde repousam 1831 militares. Ali, autoridades civis e militares, assim como associações locais, depositaram coroas de flores junto ao monumento evocativo. Este gesto simbólico reforça o respeito e a ligação histórica entre Portugal e França.

Discursos que reforçam a memória

Durante a cerimónia, várias entidades portuguesas marcaram presença, evidenciando a importância desta evocação. O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou: “O que hoje se evoca é o sacrifício supremo pela pátria, pela liberdade e pela paz”. E acrescentou: “Foram portugueses que tombaram, muitos deles a combater até à última bala”.

Por outro lado, o governante alertou para os desafios atuais: “Infelizmente, os povos não aprenderam com a Primeira Guerra Mundial. Hoje, enfrentamos novas ameaças e, por isso, este exercício de memória deve ser permanente”.

Também o embaixador de Portugal em França, Francisco Ribeiro de Menezes, destacou o simbolismo do momento: “É uma homenagem a uma aliança muito forte entre França e Portugal”, sublinhando o caráter emocional da cerimónia. “Encontramos sempre alguém com uma história ou ligação familiar. Trata-se de um dia muito emotivo para todos”.

Memória coletiva e ligações pessoais

De facto, as comemorações cruzam história coletiva e memórias individuais. O embaixador recordou o seu avô, que combateu na batalha e foi feito prisioneiro. Este testemunho pessoal reforça a proximidade entre passado e presente.

Entretanto, as homenagens continuaram em La Couture, com discursos oficiais e momentos musicais protagonizados por crianças. Assim, promoveu-se a transmissão da memória às gerações mais jovens. O dia terminou com uma missa em Arras, reforçando o caráter espiritual da evocação.

No dia seguinte, Boulogne-sur-Mer e Ambleteuse receberam novas cerimónias, ampliando a dimensão simbólica do evento.

O dever de recordar

O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o General João Cartaxo Alves, destacou o “dever de memória”. “Pertence àqueles que fizeram o sacrifício máximo e ajuda-nos a compreender o valor de ser militar. Hoje, celebramos a paz e garantimos que nunca serão esquecidos”.

Já o presidente da Liga dos Combatentes, o General Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, sublinhou a continuidade destas cerimónias: “Realizamos estas homenagens há mais de um século”. Frisou também: “Os soldados aqui sepultados ficaram para sempre, e é essa memória que continuamos a honrar”.

Uma batalha que marcou Portugal

A Batalha de La Lys, travada a 9 de abril de 1918, constituiu um dos momentos mais marcantes da participação portuguesa na guerra. As tropas, fragilizadas e exaustas, enfrentaram uma ofensiva alemã de grande escala. Como resultado, registaram-se milhares de mortos, feridos e prisioneiros.

Ainda assim, apesar da derrota, a resistência portuguesa tornou-se símbolo de coragem e sacrifício. Por conseguinte, estas cerimónias assumem um papel essencial: preservar a memória e reforçar os valores da paz. Mais de um século depois, entre o silêncio dos cemitérios e a emoção das homenagens, a Batalha de La Lys permanece viva como um apelo constante à união entre povos e à construção de um futuro mais pacífico.

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