Quinta-feira, Junho 4, 2026
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A “Revolução das Marionetas” chega a Paris

No passado dia 13 de abril, a Maison du Portugal – André de Gouveia, situada na Cidade Universitária de Paris, acolheu um seminário dedicado à história das marionetas portuguesas e à recente renovação do Museu da Marioneta, em Lisboa. A diretora da instituição, Ana Paula Rebelo Correia, conduziu a sessão e apresentou os principais resultados do trabalho desenvolvido. Além disso, a iniciativa integrou um ciclo sobre o espetáculo ao vivo e voltou a afirmar-se como um espaço relevante de divulgação cultural junto da comunidade lusófona em Paris.

A “Revolução das Marionetas” chega a Paris

Um projeto com quase três décadas

Ao longo de 28 anos, Graça dos Santos e Jean-Claude Yon organizaram este seminário com o objetivo de explorar o chamado spectacle vivant. Nesse sentido, o projeto percorre várias áreas artísticas, desde o século XIX até à atualidade. Graça dos Santos explicou: “Este seminário tem como objetivo dar uma ideia das artes do espetáculo ao vivo, aquilo a que chamamos spectacle vivant, desde o século XIX até ao século XXI.”

Por outro lado, a organização privilegia uma abordagem ampla, que inclui teatro, dança, música e marionetas, sem esquecer a importância dos espaços cénicos.

Acessibilidade como prioridade

Além da diversidade temática, o seminário distingue-se pela abertura ao público. Qualquer pessoa pode participar, independentemente do seu nível de conhecimento. Graça dos Santos reforçou esta ideia ao afirmar: “É o único deste tipo em Paris que é aberto a toda a gente. Pode vir um curioso e participar.”

Ainda assim, a organização procura simplificar conteúdos mais técnicos. Dessa forma, consegue aproximar a reflexão académica da realidade social e cultural contemporânea.

A revolução das marionetas portuguesas

Durante a sua intervenção, Ana Paula Rebelo Correia apresentou a investigação iniciada em 2024, que deu origem à exposição A Revolução das Marionetas, 1970-1980. Consequentemente, este trabalho permitiu revisitar um período pouco estudado e identificar uma fase de rutura na história desta arte em Portugal.

A diretora explicou: “Agora conseguimos retraçar a história da segunda metade do século XX.” Além disso, destacou o surgimento de novas linguagens artísticas e práticas inovadoras que marcaram essa época.

Renovação do Museu da Marioneta

Em 2025, o museu passou por uma profunda renovação. Embora tenha perdido parte da coleção internacional, a instituição reforçou a ligação a artistas portugueses. Muitos criadores decidiram doar os seus acervos, contribuindo para enriquecer o espólio nacional.

Ana Paula Rebelo Correia afirmou: “Desenvolvemos uma relação próxima com vários artistas que trabalharam intensamente nos anos 70 e que acabaram por fazer uma doação muito significativa.”

Além disso, a reorganização do espaço permitiu ampliar áreas expositivas e integrar o teatro na experiência museológica. “Atualmente, dispomos de duas salas maiores e trouxemos também o teatro para dentro do museu”, acrescentou.

Desafios e futuro da arte da marioneta

Apesar dos avanços, o processo apresentou várias dificuldades. A diretora reconheceu: “Tudo foi um desafio ao longo deste último ano. Absolutamente tudo.” Ainda assim, a equipa conseguiu adaptar o edifício histórico com o apoio do artista plástico António Viano.

Por fim, Ana Paula Rebelo Correia destacou a vitalidade desta forma artística. “A marioneta é uma arte bem viva, e o museu procura mantê-la assim”, afirmou. Nesse contexto, sublinhou também a importância de festivais e da programação regular. Concluiu: “Acredito profundamente que a arte é aquilo que nos une, tanto nos bons como nos maus momentos.”

Assim, o seminário reforçou o interesse crescente pelas marionetas portuguesas e consolidou o seu papel como espaço de encontro entre investigação, criação e público.

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