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Liga Portuguesa Contra o Cancro assinala 85 anos

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) assinalou, na sexta-feira, o seu 85.º aniversário com uma sessão solene no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, destacando o apoio a mais de 25 mil doentes no último ano e reforçando o compromisso de colocar o doente no centro do sistema de saúde.

Cerimónia reuniu responsáveis e especialistas

A sessão solene comemorativa decorreu na Sala Almada Negreiros no Centro Cultural de Belém e reuniu responsáveis institucionais, especialistas, representantes do setor da saúde e vários voluntários da Liga.

A data foi marcada pela intervenção do presidente da Liga, Vítor Veloso, que destacou o papel essencial dos colaboradores, voluntários e doadores para o trabalho desenvolvido pela instituição.

O responsável sublinhou ainda a ambição da LPCC em continuar a desempenhar um papel determinante na resposta ao cancro em Portugal, nomeadamente na prevenção, numa altura em que aumentam os desafios na área da oncologia e em que se prevê que a incidência vai aumentar.

“A Liga tem trabalhado de modo crescente, do modo adaptar-se à vida atual, do modo adaptar-se aos doentes atuais, às famílias dos doentes e, sobretudo, ao facto de, durante esses anos todos, de uma maneira crescente, ter ajudado esses doentes a lutar em relação à sua doença, em todos os aspectos”, afirmou o presidente da LPCC em entrevista, destacando a luta da Liga para colocar o doente “deve estar “no centro do sistema”.

Futuro da oncologia em debate

O médico e investigador Manuel Sobrinho Simões abordou as perspetivas futuras da oncologia na conferência “Cancro: os próximos 85 anos”.

Com uma ligação de décadas à Liga, destacou o papel da instituição na prevenção, no diagnóstico e no acompanhamento pós-tratamento, sublinhando a importância de um apoio contínuo aos doentes.

“Se tiver que identificar a pior estupidez que nós fazemos é usar uma palavra – “cancro” – que é sempre uma coisa péssima, porque é a ideia de que é terrível. Não é verdade, quer dizer, dois terços das pessoas já não morrem de cancro. E, portanto, nós temos cancros que são realmente muito malignos, mas temos muitas neoplasias ou tumores que são quase benignos ou benignos”, disse em entrevista à Lusopress, defendendo assim a necessidade de desmistificar o cancro.

Mais de 25 mil doentes apoiados e 2,2 milhões de euros atribuídos

No último ano, a Liga Portuguesa Contra o Cancro apoiou 25.200 doentes, mais 3.300 do que em 2024, o que representa um aumento de 15%.

De acordo com dados divulgados pela instituição, foram atribuídos mais de 2,2 milhões de euros em apoios, nomeadamente para medicamentos, próteses, transporte e alimentação, registando um crescimento de 24%.

Ministra critica atraso nos registos oncológicos

Durante a sua intervenção, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, manifestou perplexidade com os atrasos na divulgação do Registo Oncológico Nacional, questionando a publicação de dados com vários anos de atraso quando existem informações mais atualizadas.

Ana Paula Martins defendeu que estes dados são essenciais para avaliar o sistema de saúde, identificar possíveis diferenças regionais no tratamento do cancro, analisar taxas de mortalidade e medir a eficácia das inovações terapêuticas.

“Se nós criámos os registos foi porque precisávamos deles”, afirmou, defendendo a necessidade de intervir para ultrapassar esta situação e garantir maior transparência.

A ministra da Saúde assumiu ainda o compromisso de acompanhar o tema, esperando que seja possível avançar na disponibilização dos dados nos próximos meses.

Na mesma intervenção, destacou os progressos registados na área da oncologia em Portugal e sublinhou ainda o papel da Liga Portuguesa Contra o Cancro na prevenção, literacia em saúde, apoio social e psicológico, investigação e voluntariado, considerando a instituição “uma referência incontornável da sociedade portuguesa”.

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