No passado dia 2 de abril, a Maison des Sciences de l’Homme acolheu a apresentação do livro “Imaginação – Cores, Deuses, Viagens e Amores”, de Francisco Louçã. O evento resultou de uma parceria entre a Bertrand Editora e a Fundação Calouste Gulbenkian, através da sua delegação em França. Assim, a sessão marcou a estreia internacional de uma obra que já esgotou em Portugal.

Além disso, o público reuniu leitores, académicos e interessados num ambiente dinâmico, onde o diálogo assumiu um papel central. Ao longo da sessão, o autor guiou os presentes por um percurso intelectual exigente, mas acessível.
Um ensaio sobre a essência humana
Desde o início, Francisco Louçã apresentou o livro como uma reflexão profunda sobre aquilo que define o ser humano. Segundo explicou à LusoPress, “quis perceber o que é essencial no ser humano”, destacando a imaginação como elemento central. Por conseguinte, o ensaio explora temas como cores, religiões, viagens e afetos, articulando-os numa visão coerente da cultura.
De facto, o autor defendeu que a capacidade de imaginar distingue a humanidade das restantes espécies. “Não só aprendemos, como aprendemos a aprender”, afirmou, reforçando a importância da linguagem e da cultura acumulada. Assim, o livro propõe uma leitura que liga pensamento, história e criação simbólica.
Entre história e imaginação
Por outro lado, Louçã construiu o seu argumento com base numa vasta rede de referências históricas e culturais. Por exemplo, evocou relatos de viajantes como Marco Polo e Ibn Battuta, colocando-os lado a lado com narrativas ficcionais atribuídas a John Mandeville.
Segundo o autor, estas histórias moldaram durante séculos a perceção do mundo. “Mesmo quando eram fantasiosas, influenciaram decisões reais”, sublinhou. Como exemplo, referiu Cristóvão Colombo, que acreditou ter encontrado sereias nas suas viagens. Desta forma, Louçã evidenciou o cruzamento constante entre realidade e imaginação.
Religião como construção cultural
Além disso, o livro analisa o papel das religiões enquanto formas de organizar o mundo. O autor explicou que sistemas politeístas e monoteístas revelam diferentes modos de representação. “As crenças estruturam sociedades e mentalidades”, afirmou, defendendo que estas narrativas constituem construções culturais poderosas.
Consequentemente, o ensaio convida o leitor a interpretar a religião não apenas como fé, mas também como expressão da imaginação coletiva.
Paris como palco simbólico
Entretanto, a escolha de Paris reforçou o significado da apresentação. Depois de Lisboa, a capital francesa surgiu como um passo natural. “Paris é sempre Paris: uma cidade das luzes”, declarou Francisco Louçã. Além disso, destacou a forte presença da comunidade portuguesa e a ligação histórica à cultura francesa.
A sessão decorreu integralmente em francês, o que ampliou o alcance da obra junto de novos públicos.
Um processo longo e um futuro promissor
Por fim, o autor revelou que desenvolveu o livro ao longo de cerca de seis anos. Durante esse período, reuniu notas, revisitou leituras e participou em debates que enriqueceram o conteúdo. Paralelamente, manteve o hábito de registar ideias em cadernos, sobretudo nas áreas da história e do pensamento cultural.
Atualmente professor no ISEG, em Lisboa, Francisco Louçã continua a sua atividade académica e prepara uma nova obra internacional, “Complex Evolving Economies”, com publicação prevista pela Cambridge University Press.
Para já, “Imaginação” permanece disponível apenas em português. No entanto, o autor admite futuras traduções, o que permitirá levar esta reflexão sobre os “mapas da imaginação” a um público ainda mais vasto.



