António José Seguro tomou posse na segunda-feira, 9 de março, como Presidente da República, assumindo o compromisso de ser um chefe de Estado próximo de todos os portugueses, incluindo os milhões que vivem fora do país. No discurso de investidura, destacou o papel histórico da diáspora e garantiu que continuará a valorizar as comunidades espalhadas pelo mundo.

António José Seguro prestou juramento sobre a Constituição
A cerimónia decorreu na Assembleia da República, onde o novo chefe de Estado prestou juramento solene sobre a Constituição da República Portuguesa, comprometendo-se a cumprir e fazer cumprir a lei fundamental do país.
No início do discurso, o Presidente saudou o Parlamento e reafirmou o respeito pela expressão democrática do povo português representado na Assembleia, garantindo cooperação institucional no respeito pela Constituição.
Na cerimónia estiveram presentes os chefes de Estado de Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Moçambique e Timor-Leste, e também o Rei de Espanha, Felipe VI.
Seguro agradece a Marcelo e promete ser “Presidente de Portugal inteiro”
No discurso de investidura, António José Seguro sublinhou que pretende representar todos os portugueses, independentemente de viverem em território nacional ou no estrangeiro.
“Assumo hoje (…) a honra e a responsabilidade de servir Portugal como Presidente da República”, afirmou, agradecendo a confiança dos eleitores e prometendo ser “Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses”.
Para reforçar essa ideia, evocou o escritor Jorge de Sena e a frase: “Portugal é feito dos que partem e dos que ficam”, destacando o papel histórico da emigração na construção da identidade nacional.
Presidente da República condecorou Marcelo Rebelo de Sousa com o Grande-Colar da Ordem da Liberdade
O Presidente deixou também palavras de reconhecimento ao seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, agradecendo a dedicação demonstrada ao país ao longo dos últimos dez anos.
Como forma de reconhecimento pelo serviço prestado ao país, António José Seguro anunciou a atribuição do grau mais elevado da Ordem da Liberdade – o Grande-Colar – a Marcelo Rebelo de Sousa.
Segundo o novo chefe de Estado, independentemente das leituras políticas que possam existir sobre os seus mandatos, “ninguém pode negar o seu amor a Portugal” e a presença constante nos momentos mais importantes da vida nacional.
Presidente deverá residir nas Caldas da Rainha e autarca destaca ligação à diáspora
Seguro deverá manter residência em Caldas da Rainha, cidade onde vive e que passa agora a ter uma ligação simbólica ao mais alto cargo do Estado.
O presidente da Câmara Municipal, Vítor Marques, considerou que a tomada de posse representa um momento de orgulho para o concelho. “É uma emoção e um grande acto de democracia. Para nós tem um valor acrescido ver um caldense tomar posse como Presidente da República”, afirmou.
O autarca destacou também a importância de o chefe de Estado manter ligação ao território e compreender as realidades locais, sublinhando que a proximidade ajuda a perceber melhor as dificuldades e os desafios enfrentados pelos cidadãos.
Continuidade da ligação à diáspora portuguesa
António José Seguro afirmou também que pretende dar continuidade à prática iniciada por Marcelo Rebelo de Sousa de celebrar o Dia de Portugal tanto em território nacional como junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.
A iniciativa pretende reconhecer o contributo dos emigrantes para a economia, cultura e projeção internacional de Portugal.
Apelo à estabilidade política e confiança no futuro
Grande parte do discurso foi dedicada aos desafios internos do país, como o crescimento económico insuficiente, desigualdades persistentes, dificuldades no acesso à saúde e à habitação e o envelhecimento demográfico.
Perante este cenário, o novo Presidente apelou ao diálogo entre partidos e a compromissos duradouros em áreas estruturais, defendendo estabilidade política para responder aos problemas do país.
No final, deixou uma mensagem de esperança aos portugueses, citando Luís Vaz de Camões para recordar que “as coisas árduas e lustrosas alcançam-se com trabalho e fadiga”, apelando à união e confiança no futuro de Portugal.








