A Lusopress esteve no salão internacional de vinhos “Wine Paris”, que este ano recebeu profissionais da indústria de vários países, incluindo Portugal, num dos maiores pavilhões na Expo Porte de Versailles, apresentando expositores de todas as regiões vitivinícolas do país.

Com quase um século de história, a Companhia Agrícola do Sanguinhal, uma vinícola familiar da região de Óbidos, esteve em Paris para “fazer contactos e vendas” num mercado que “ainda não é prioritário”, mas que é conhecido pelos seus vinhos.
Presente em vários países, a empresa pretende diferenciar-se dos vinhos portugueses que são vendidos pelo mundo.
“A nossa empresa foi fundada pelo meu bisavô em 1928, apesar das quintas já pertencerem à família desde 1911. Somos o produtor mais antigo da região de Lisboa, quer a produzir e engarrafar vinho. É uma empresa que ainda tem muitas tradições, mas claro que se prepara sempre para os próximos séculos”, disse à Lusopress Diogo Reis, diretor-geral da Companhia Agrícola do Sanguinhal.
Já com uma presença muito forte em Portugal, a ideia da empresa passa por “encorajar sempre clientes novos e também parcerias novas”, com os seus vinhos a serem vendidos em restaurantes estrela Michelin.
“A nossa qualidade é reconhecida em Portugal e no mundo”, afirmou, referindo que têm “uma escolha bem diversificada” de vinhos, desde tintos, a brancos, licorosos, espirituosos e frutificados.
Maior representação dos vinhos de Lisboa
Também presente no certame, a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa, organismo que controla e certifica os vinhos da região, trouxe a maior representação de vinhos para assim os promover perante os clientes do setor franceses, de forma a combater as dificuldades na venda do vinho.
“Os Vinhos de Lisboa estão a correr bem, com dificuldades como todos os pavilhões, e por isso é que estamos cá, mais uma vez”, disse Carlos João Pereira da Fonseca, vogal da direção da comissão, referindo que este ano têm “a maior representação dos vinhos de Lisboa”, numa clara demonstração de “interesses pelos vinhos portugueses” pelo mundo.
A região de Lisboa exporta para mais de 100 países, sendo os principais mercados o Reino Unido, os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil e a Escandinávia (Suécia, Noruega e Finlândia).
“Nós vendemos anualmente, neste momento, cerca de 65 milhões de garrafas para mais de 100 países. É realmente um trabalho extraordinário dos nossos produtores, mas também resultado não só do seu trabalho, mas também da qualidade dos nossos vinhos”, referiu, acrescentando a grande variedade de vinhos, que “se adaptam bem a todos os mercados”, e as grandes regiões produtoras como Alenquer, Torres Vedras, Óbidos e as encostas d’Aire.
O objetivo agora passa por aumentar a presença em França, também devido à enorme comunidade de portugueses que vivem no país e que se devem orgulhar dos vinhos que “mais medalhas ganham nos grandes concursos internacionais”.
Assim, para a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa, este salão é “uma porta de entrada também no mercado francês”.
Mau tempo em Leiria
A região de Leiria que foi afetada por uma sequência de tempestade nas últimas semanas, é uma preocupação para a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa, já que Leiria pertence à região dos vinhos de Lisboa, que vai de Lisboa até ao Pombal.
Para além de mortes, estas tempestades causaram vários estragos nas infrastruturas de casas e empresas, provocando “um panorama muito desolador na região”.
“O impacto foi muito grande, principalmente por causa da chuva e do vento. O vento afetou as nossas adegas, os armazéns, exatamente como afetou as outras indústrias. Há telhados que soltaram as telhas, há zonas onde houve armazéns que inclusive abateram por causa da chuva e do arrastamento das terras”, afirmou Carlos João Pereira da Fonseca.
E, embora a vinha não seja propriamente afetada pela quantidade de água, só daqui a alguns meses poderão calcular o prejuízo pelo deslizamentos de terras que podem inutilizar os terrenos para a vinha.
“Neste momento, nós ainda nem sabemos, o que é que aconteceu às vinhas, porque as plantas, nesta fase do ano, não são muito afetadas pelo excesso de água. As nossas vinhas são afetadas pela destruição causada pelo excesso de água, pelas correntes de água, pelas árvores que caíram em cima das vinhas, por causa do excesso de água as árvores caíram e do vento”, acrescentou.
Resposta do Governo
Na abertura da “Wine Paris”, o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, destacou a importância da participação de Portugal neste salão, mas também esclareceu como é que o Governo está a acompanhar os impactos no setor do vinho do mau tempo que afetam sobretudo a região centro.
“Nós temos, a partir do Orçamento do Estado, apoios nas zonas de calamidade para os agricultores e os produtores, apoios rápidos”, disse à Lusopress o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes.
No caso de uma exploração agrícola tiver mais de 30% de prejuízo, o Governo lançou “um concurso de 40 milhões de euros, em termos de fundos europeus da política agrícola comum”.
“Acresce uma linha de 500 milhões para as explorações agrícolas, para a tesouraria, e também 1.000 milhões de euros para a recuperação, também acessível para empresas agrícolas”, referiu, acrescentando que já foi pedido “um pedido de apoio ao Fundo de Solidariedade e da Reserva Agrícola”.
O ministro defendeu ainda que este é um setor que contribui para “a conexão territorial”, que funciona como proteção civil, funcionando como tampão em muitos sítios também na altura dos incêndios, e “é um setor onde há renovação geracional” com “enólogas e enólogos de grande qualidade”.
Portugal está entre o 10º e 11º produtor mundial de vinho.
“Além disso, tem um super hábito no setor do vinho de 800 milhões de euros por ano, o que ajuda a nossa balança comercial e é extremamente importante do ponto de vista económico. Mas também temos inovação e investigação nesta área, estamos a dar cartas, e não é por acaso que aqui (no salão), depois de França e de Itália, estamos Portugal e Espanha como os terceiros maiores expositores, com 300 produtores”, afirmou.



