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Seguro eleito Presidente da República em ambiente de festa nas Caldas da Rainha

Foi em ambiente de festa que o Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha, em Leiria, receberam o resultado das eleições de domingo, que elegeram António José Seguro como o próximo Presidente da República, conquistando o melhor resultado de um candidato presidencial ao ultrapassar o número de votos de Mário Soares no sufrágio de 1991.

Caldas da Rainha, 08 de fevereiro de 2026/Lusopress

O socialista, natural de Penamacor e adotado pela cidade das Caldas da Rainha, escolheu este espaço cultural para acolher a noite eleitoral, que juntou a população local, mas também grandes nomes do partido.

A Lusopress esteve presente no local e conversou com o Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vítor Marques, sobre a eleição deste “caldense” como novo Presidente da República, que a cidade aceita com “grande satisfação”.

“Temos aqui neste caso um caldense, não de nascimento, mas um caldense que vive já há muitos anos, tem aqui sua família e quer manter as suas ligações aqui às Caldas da Rainha, muito nos agrada, faz com que também eu próprio reconheça e faça com que os outros possam ver, valorizar aquilo que as Caldas têm para oferecer, uma cidade muito cujo cuida, com tudo aquilo que realmente é preciso para se viver, e que o Presidente da República pode continuar a viver aqui, claro, numa dimensão totalmente distinta. Ficamos muito felizes por essa decisão que tem tomado acerca das Caldas da Rainha”, disse Vítor Marques.

Também presente no local, o Secretário-Geral Adjunto da Juventude Socialista e responsável pela campanha de Seguro nas camadas mais jovens, André Abraão, refere que o principal objetivo era que “o maior número de portugueses” fossem votar, apesar das “duas semanas muito complicadas” que o país viveu devido ao mau tempo.

“E, claro, gostaríamos que Portugal respondesse com democracia, com liberdade, com humanismo, e estas projeções, que são projeções ainda, e digamos precisamente isso, uma vitória do progressismo, da liberdade, da democracia, daqueles que querem unir e que não querem dividir, que amam verdadeiramente Portugal e que não distinguem portugueses de primeira e de segunda. Foi esta a grande vitória que o povo português nos deu”, afirmou o jovem socialista, orgulhoso da vitória de António José Seguro.

Presidente de todos os portugueses

O antigo secretário-geral do Partido Socialista foi eleito Presidente da República com dois terços dos votos expressos, com cerca de 3,48 milhões, quando faltam apurar 20 freguesias, numa eleição em que concorreu contra André Ventura, líder do partido Chega.

Na segunda volta das eleições presidenciais, André Ventura voltou a ser o candidato mais votado entre os portugueses no estrangeiro, alcançando 51,88% dos votos, contra 48,12% de Seguro que venceu em território nacional.

No seu discurso de vitória no auditório completamente cheio no Centro Cultural e de Congressos, o Presidente da República eleito afirmou que deixa de ver Ventura como adversário, frisando que partilham o dever de “trabalhar por um Portugal mais desenvolvido” e que a maioria que o elegeu extingue-se na noite de domingo, garantindo que será um chefe de Estado de “todos, todos, todos os portugueses”.

António José Seguro deixou ainda uma primeira palavra para as pessoas atingidas pelo mau tempo, prometeu que não as esquecerá nem abandonará e disse que irá visitar as zonas afetadas para ver se os apoios chegam.

“Não vos esquecerei e não vos abandonarei”, prometeu Seguro, após deixar uma primeira palavra de pesar pelas vidas perdidas no mau tempo, de condolências e solidariedade total com quem ficou sem casa ou sem empresa.

“A solidariedade dos portugueses foi heroica, mas não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado”, disse, acrescentando que os “2,5 mil milhões de euros prometidos para a reconstrução têm de chegar ao terreno agora” e garantindo que visitará “as zonas afetadas para garantir que esses apoios estão a chegar”.

O Presidente da República eleito assegurou que não aceitará que as “burocracias impeçam a chegada dos apoios a quem já perdeu tanto” e sublinhou que “a resposta à dor não é o grito, é o trabalho”.

Depois de falar de uma oportunidade única para encontrar soluções duradouras no país, o vencedor das presidenciais definiu como “urgência maior” o planeamento e organização eficaz da resposta do Estado às tempestades e aos incêndios.

“Comigo não ficará tudo na mesma. Devemos isso aos portugueses”, considerou.

Reunião com Marcelo Rebelo de Sousa

Na segunda-feira, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, teve uma reunião “muito cordial” no Palácio de Belém com o Presidente da República eleito, António José Seguro, sobre assuntos de política nacional e internacional que durou três horas e meia, segundo uma nota da Presidência da República.

António José Seguro vai tomar posse perante a Assembleia da República, como estabelece a Constituição, como o sexto Presidente da República eleito em democracia, depois de António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

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