A Maison du Portugal – André de Gouveia, em Paris, recebeu no passado dia 15 de novembro a apresentação do livro “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa“. A sessão reuniu membros da diáspora, representantes institucionais e contou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. O historiador Daniel Bastos, autor da obra, apresentou o projeto desenvolvido em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido e descreveu-o como “uma ambição de vários anos”.

Um projeto construído ao longo de anos
Durante a sua intervenção, Daniel Bastos explicou que o livro surgiu do desejo de “concretizar uma história ilustrada e concisa da emigração portuguesa”. Essa intenção nasceu da investigação contínua no âmbito da diáspora, mas ganhou forma quando o historiador percebeu que existiam, espalhados por Portugal, inúmeros monumentos dedicados aos emigrantes. Segundo Bastos, “cada monumento é uma peça do puzzle da história da emigração portuguesa”.
Em parceria com Luís Carvalhido, que viajou pelo país para captar fotograficamente cada monumento, o autor conseguiu reunir um conjunto de imagens que retratam diferentes épocas e destinos da emigração. Muitas evocam a partida para França, simbolizada pela mala de cartão que marcou os anos 60 e 70. Bastos destacou ainda que a fotografia funciona como “uma mais-valia indubitável”, porque transmite uma forte carga emotiva e reforça a mensagem da obra.
Fotografia como instrumento de memória
O livro, bilingue em português e inglês, contou também com a tradução de Paulo Teixeira. A investigação prolongou-se por dois a três anos, e o último foi especialmente dedicado às fotografias. Bastos salientou que este processo exigente permitiu criar uma obra que presta “uma homenagem” e um gesto de “reconhecimento” à diáspora portuguesa.
O historiador acredita que muitos emigrantes e lusodescendentes vão reencontrar no livro fragmentos do território onde nasceram. Para si, o objetivo passa por fortalecer laços de pertença e conservar a memória das origens.
Reconhecimento do sacrifício e do contributo dos emigrantes
O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas considerou a obra um testemunho essencial da memória coletiva. Emídio Sousa afirmou que “estes monumentos representam o reconhecimento que hoje temos […] do esforço que foi sair de casa, sair da terra, deixar os filhos”. Recordou também a sua própria vivência: “Os meus pais emigraram e eu fiquei com a minha avó, ainda muito pequeno. Foi um sacrifício enorme”.
Além disso, destacou o impacto económico da emigração no desenvolvimento do país. Para Sousa, “essa geração ambiciosa, que não se acomodou, ajudou Portugal a desenvolver-se”, quer através das remessas, quer das casas ou dos negócios criados.
Paris como palco simbólico e olhar para o futuro
A apresentação em Paris tornou-se especialmente simbólica pela forte presença portuguesa em França. Para Emídio Sousa, o evento representou “uma honra”, porque permitiu contactar de perto com as histórias de vida da comunidade e recolher sinais sobre o caminho a construir para o futuro.
Disponível para compra, “Monumentos ao Emigrante” afirma-se assim como muito mais do que um livro: representa um gesto de reconhecimento coletivo e reforça a identidade portuguesa espalhada pelo mundo.



