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Capital do cavalo atrai milhares à Golegã

A vila da Golegã voltou a afirmar-se como a capital nacional do cavalo com mais uma edição da icónica Feira Nacional do Cavalo, que decorre anualmente em novembro, coincidindo com o São Martinho. Entre o som dos cascos nas ruas empedradas, o cheiro a castanhas assadas e o brilho das charretes, o certame reuniu cavaleiros, criadores, artesãos e milhares de visitantes vindos de todo o país e do estrangeiro.

Mais do que um evento equestre, a feira é um ponto de encontro entre gerações e uma celebração viva da tradição portuguesa.

“É um gosto na vida”

António Rebelo natural de Aguiar da Beira, viveu vários anos em França e agora que está de regresso ao país, não dispensa a presença anual na Golegã. Esta é já a sua terceira presença consecutiva no evento. “Sempre gostei de cavalos. Agora tenho três e isto é uma coisa que eu gosto mesmo. Tenho pena que a minha mulher tenha menos tempo para partilhar este gosto comigo, porque passo mais tempo com os cavalos do que com ela”, confessou entre risos.

O criador, que mantém um picadeiro em casa, partilha o quotidiano entre o trabalho e o treino dos animais. “Ocupo-me deles cerca de duas horas por dia. Tenho um lusitano de seis anos que precisa de ser mais trabalhado, mas é um prazer. É um gosto na vida.”

Apesar dos percalços — como a queda que sofreu no ano passado na Golegã, que se tornou viral no TikTok —, António não desanima. “Isto de quedas de cavalo acontece a todos. Quem anda, cai. Mas continuo, porque é o que gosto de fazer.”

Paixão que se herda

Na sua família, a paixão pelos cavalos já começa a passar às novas gerações. “A minha filha Cátia também gosta de montar, mas trabalhar com os cavalos é mais complicado”, admite. Ainda assim, garante que a tradição não vai acabar: “Os meus netos gostam. Tenho aqui o Miguel, que é capaz de seguir o meu caminho.”

Miguel, um dos mais pequenos visitantes da feira, também não esconde o entusiasmo: “Gosto de vir à Feira da Golegã porque é fixe! Gosto de andar de charrete”, disse sorridente.

“O momento alto do ano”

Para muitos cavaleiros e entusiastas, a Golegã é o ponto alto do calendário. “É muito importante para quem gosta de cavalos vir à Feira da Golegã. É o momento alto do ano”, afirmou Cátia Amaral que participou com o seu fiel companheiro de quatro patas.

Com elegância e orgulho, descreveu o ambiente único do evento: “Trajar com o fato à portuguesa e montar na manga é muito bonito. O meu cavalo é muito manso, é como um cachorrinho. Tenho mais medo das pessoas que não se desviam do que dele, porque é muito tranquilo.”

Arte e tradição de mãos dadas

Além dos cavalos, a Feira da Golegã é também um espaço para a arte e o artesanato. Rita Caleiro, fundadora do projeto Palavras com Arte, participa há nove anos no certame.

Este ano, trouxe novidades inspiradas na vila: “Criámos ímanes e peças alusivas à Golegã, com fotografias nossas da bênção dos romeiros, da Igreja e da Casa Carlos Relvas. São memórias que as pessoas podem levar consigo.”

O stand cresceu e passou a ocupar dois espaços em frente ao Café Central, um dos pontos mais movimentados do recinto. “Queremos que os visitantes levem um bocadinho da feira e da vila consigo, através de peças com mensagens e significado. É a nossa forma de espalhar afetos.”

“Faz parte do nosso ADN”

Para muitos visitantes, a feira é também um tributo à identidade portuguesa. “A cultura ligada ao cavalo e ao São Martinho é algo que faz parte do nosso ADN. Cada vez mais temos de abraçar as nossas raízes, porque é isso que fascina quem nos visita”, referiu Elsa Gomes, cantora convidada para participar em vários eventos durante o certame.

Até dia 16 de novembro, a Feira Nacional do Cavalo da Golegã 2025 volta a provar que tradição e modernidade podem coexistir. Além disso, entre charretes, exposições, concursos e momentos de convívio, a vila ribatejana continua a ser o coração pulsante da cultura equestre portuguesa — um espaço onde o amor pelos cavalos une gerações e mantém viva a alma do Ribatejo.

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