
De 4 a 7 de setembro de 2025, a Serra da Estrela recebeu o Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, um encontro que reuniu 32 academias provenientes de 15 países e quatro continentes. Durante quatro dias, cerca de 400 participantes celebraram a portugalidade, a amizade e o espírito solidário que une a diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.
Quatro dias de confraternização e descoberta
O evento, organizado pela Academia do Bacalhau da Serra da Estrela, contou com um programa diversificado que combinou cultura, gastronomia e turismo. O congresso teve início em Fornos de Algodres, com uma receção oficial e um jantar de boas-vindas no Palace Hotel & SPA, animado pelo grupo “Céu Azul”.
No dia seguinte, os compadres e comadres participaram num roteiro turístico pelas Beiras, que incluiu visitas a Gouveia, Seia, Folgosinho, Trancoso, Pinhel, Guarda e Covilhã. Em cada localidade, foram recebidos pelos executivos municipais e puderam conhecer o património local.
Além disso, desfrutaram de provas de queijos, enchidos e vinhos da região, reforçando o convívio entre as diferentes academias.
Por outro lado, o programa integrou também momentos culturais, como a inauguração da exposição de Figuras de Santo António no Museu da Guarda, da autoria do compadre Mário Coelho. O ponto alto chegou no sábado à noite, com o Jantar de Gala, apresentado por José Figueiras e animado pela Banda Tradição e pelo trompetista David Carrapo. A noite ficou marcada pela alegria e pela celebração da portugalidade.
“Trouxemos o mundo à Serra da Estrela”

Em declarações à LusoPress, o presidente da Academia do Bacalhau da Serra da Estrela, sublinhou a importância do evento para a região e o orgulho de ter sido anfitrião de um encontro de dimensão mundial.
“Foi um gosto enorme poder receber este Congresso com 400 pessoas vindas de 15 países. Trouxemos o mundo à Serra da Estrela. Este encontro promoveu a nossa cultura, a nossa gastronomia e as nossas paisagens”, disse José Luís Cabral.
Segundo o responsável, o congresso representou uma oportunidade para divulgar o melhor da Serra da Estrela. “Muitos dos participantes poderão regressar no futuro para conhecer melhor as terras da Estrela”, acrescentou, destacando o impacto turístico positivo do evento.
A voz da tradição e o desafio do futuro
Entre os testemunhos recolhidos, Silvério Silva, membro histórico da Academia de Bacalhau de Joanesburgo, partilhou a sua visão sobre o crescimento do movimento desde 1968. “Tudo começou num restaurante onde só se servia bacalhau, azeite e vinho de Portugal. Hoje, é um espetáculo ver como cresceu — há cerca de 60 academias espalhadas pelo mundo.”
No entanto, o veterano fez questão de alertar para a necessidade de renovação.
“É fundamental envolver os jovens para garantir o futuro das academias.”
Por sua vez, Rui Amorim, representante da nova Academia de Bacalhau de São Jorge (Açores), destacou o papel solidário das academias nas suas comunidades. “A nossa prioridade será ajudar quem mais precisa em São Jorge. A solidariedade começa em casa, mas pode chegar a qualquer parte do mundo.”
A força da diáspora portuguesa

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, reforçou a dimensão simbólica do congresso como espaço de reencontro entre Portugal e a sua diáspora. “Este evento representa o regresso às origens dos nossos pais e avós que emigraram para procurar uma vida melhor. A nossa missão é acolhê-los de braços abertos, com gratidão e orgulho.”
Além disso, o autarca deixou uma mensagem de incentivo ao investimento dos portugueses no estrangeiro. “Portugal precisa do vosso contributo. Só juntos — os que estão cá e os que estão lá fora — continuaremos a fortalecer o nosso país.”
Serra da Estrela promoveu-se ao mundo
Por fim, o Congresso Mundial das Academias do Bacalhau terminou com um passeio à Torre da Serra da Estrela. E uma visita à Covilhã, culminando num almoço de confraternização na Casa da Esquila, no Casteleiro.
Em suma, durante quatro dias, a Serra da Estrela afirmou-se como um território de hospitalidade. Mas também de cultura e sabores autênticos, reforçando os laços entre as comunidades portuguesas e o país que as viu nascer.
Assim, o congresso de 2025 ficará na memória como uma celebração de solidariedade, amizade e orgulho português.



