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Batismos de voo solidários levam alegria a jovens em Leiria

Nos dias 26 e 27 de junho, o aeródromo de Leiria transformou-se num palco de emoções, aventuras e muitos sorrisos. A 12.ª edição dos batismos de voo solidários, promovida pela Associação Cívica Cavaleiros do Céu, juntou mais de 300 crianças e jovens com deficiência ou em situação vulnerável. Todos eles vieram de instituições da região Centro de Portugal para viver algo que muitos jamais imaginaram: voar pela primeira vez.

Batismos de voo solidários levam alegria a jovens em Leiria

Durante dois dias intensos, seis pilotos portugueses e franceses realizaram 112 voos, distribuídos por três aeronaves. No total, passaram 23 horas no ar, com cada voo a durar, em média, 20 minutos. Apesar de curtos, esses minutos foram suficientes para transformar vidas e criar memórias que vão perdurar.

Tudo começou muito antes da descolagem

A iniciativa não começou apenas quando os aviões levantaram voo em Leiria. A aventura teve início em França, com a descolagem de um avião a partir do aeródromo de Lognes, nos arredores de Paris. Ao comando seguiam três figuras fundamentais do projeto: Armindo Gameiro de Abreu, o seu filho Alexandre Gameiro de Abreu, e o piloto profissional Vítor António.

A viagem, com duração de cerca de seis horas e meia, foi marcada por um espírito de missão, onde a solidariedade e a paixão pela aviação andaram lado a lado. O objetivo era claro: chegar a Portugal para assim proporcionar momentos únicos a quem mais precisa.

Paixão e compromisso que fazem a diferença

Manuel Silva, piloto e cofundador da iniciativa, sublinhou a importância deste gesto com palavras carregadas de significado:

Ao seu lado, Hélder Monteiro, também fundador e membro dos Cavaleiros do Céu, recordou como tudo começou com uma simples conversa entre amigos, durante umas férias. Essa ideia transformou-se num projeto sólido, com impacto direto em centenas de vidas.

Para dar resposta a todas as crianças, os pilotos realizaram assim até três voos por hora. Hélder explicou ainda que, felizmente, o bom tempo permitiu que tudo decorresse sem interrupções, algo que nem sempre acontece em edições anteriores.

Leiria recebeu novamente esta missão solidária

Esta foi a segunda vez consecutiva que Leiria acolheu a iniciativa. Segundo Armindo Gameiro de Abreu, a escolha deveu-se às boas condições do aeródromo. A organização já passou por várias localidades, como Lousã, Fátima e Coimbra, e continua a crescer ano após ano.

A estrutura logística necessária para pôr esta operação no ar é complexa, mas o resultado final justifica cada esforço. Para os voluntários e pilotos envolvidos, o sorriso das crianças à chegada é a maior recompensa.

Também os mais velhos ganharam asas

Apesar de a iniciativa se centrar nas crianças e jovens, os organizadores decidiram também alargar o projeto a outros públicos em situação de fragilidade. Este ano, tal como nas duas edições anteriores, participaram também seniores.

A ideia partiu de Armindo Gameiro de Abreu, que há dois anos convidou um lar de idosos da sua terra natal, São Simão de Litém, para permitir que os seus próprios pais também vivessem essa experiência. Este ano, o convite foi para 15 utentes do Centro de Bem-Estar Social da Zona Alta de Torres Novas. Mais uma prova de que nunca é tarde para levantar voo.

O futuro passa por voar em família

Com os olhos postos no futuro, Armindo revelou um desejo:

“Gostava de proporcionar voos em conjunto com familiares próximos. Seria bonito ver um irmão, por exemplo, partilhar essa experiência com uma criança com deficiência.”

A próxima edição ainda não tem destino definido, mas poderá realizar-se em Castelo Branco ou regressar a Coimbra. Independentemente do local, o espírito mantém-se: usar a aviação como ferramenta de inclusão, alegria e superação.

Mais do que voar, criar memórias

No final dos dois dias, os aviões pousaram e os motores silenciaram-se, mas as emoções continuaram no ar. E a aventura não terminou aí. Poucos dias depois, Armindo Gameiro de Abreu realizou outro sonho antigo: saltou de paraquedas em Le Havre, França. Esta edição dos batismos de voo solidários voltou assim a mostrar que, quando se juntam paixão e solidariedade, os céus deixam de ser o limite.

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