O município de Santa Maria da Feira atribuiu um total de 50.000 euros a duas organizações internacionais de solidariedade social para a Venezuela. A verba irá apoiar a comunidade portuguesa e lusodescendente a recuperar dos sismos na Venezuela, onde a emigração feirense tem forte representação.
Segundo revelou a autarquia, a medida foi aprovada por unanimidade em reunião do executivo camarário, composto por sete elementos do PSD, três do PS e um do Chega. E os fundos em causa serão distribuídos no terreno pela Cáritas e pela Oikos. São, a saber, “as instituições que o Governo português indicou” como aptas a gerir devidamente esse tipo de verbas.
Ligação afetiva e histórica da Feira à Venezuela
“Estamos ao lado do povo venezuelano e dos portugueses e feirenses que vivem na Venezuela”, afirma o presidente da Câmara da Feira, Amadeu Albergaria. “O nosso pensamento está com a Venezuela e, desde o momento em chegaram as tristes notícias do terramoto, estivemos sempre em contacto com a nossa comunidade lá”, realça o autarca.
Antes de mais, a ligação da Feira à Venezuela deve-se sobretudo a aspetos de caráter histórico e cultural. Em meados do século XX, esse país foi o destino de grande parte dos emigrantes de Santa Maria da Feira. E, desde então, a comunidade feirense lá emigrada, assim como os seus descendentes, continua a cumprir em solo venezuelano as principais tradições relacionadas com o seu concelho de origem. Por exemplo, a celebração anual da Festa das Fogaceiras. No feriado municipal da Feira, cumpre um voto religioso centenário a São Sebastião, oferecendo-lhe fogaças em troca de proteção contra a peste negra.
“A comunidade de Santa Maria da Feira na Venezuela é uma das mais extensas que Portugal tem nesse país e, como nunca esqueceu as suas raízes e celebra a nossa cultura, não pode deixar de contar com o nosso apoio no momento mais difícil desde que lá está”, justifica Amadeu Albergaria.
Mais de uma centena de portugueses entre as vítimas
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, os dois sismos registados na Venezuela a 24 de junho ocorreram com menos de um minuto de intervalo a cerca de 200 quilómetros de Caracas. Foram abalos de magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, seguidos por centenas de réplicas.
O mais recente balanço oficial indica que esses terramotos causaram pelo menos 16.740 feridos e 5.546 mortos. Entre as vítimas mortais há pelo menos 133 portugueses e lusodescendentes, sendo que continuam desaparecidas 21 outras pessoas com idêntica origem.
Em suma, Portugal foi um dos vários países da União Europeia que enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela, para ajudar nas operações de localização e recuperação de pessoas e animais entre os escombros.
Editado com AYC//LIL | Lusa



