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Uma vida dedicada aos outros: padre Martim celebra 90 anos

No passado dia 19 de abril, o padre Artur Martim da Silva, mais conhecido como padre Martim, celebrou 90 anos de vida rodeado por cerca de 170 amigos, em Le Raincy, nos arredores de Paris. A ocasião reuniu várias gerações da comunidade portuguesa, que reconheceram, com emoção, o impacto profundo do sacerdote nas suas vidas. Ao longo do evento, sucederam-se momentos de homenagem, partilha e gratidão.

Uma vida dedicada aos outros: padre Martim celebra 90 anos
Uma vida dedicada aos outros: padre Martim celebra 90 anos

Apesar do destaque, o padre Martim manteve a sua habitual discrição. “Se me perguntarem quem sou, confesso que é difícil responder. Prefiro que sejam os outros a dizê-lo”, afirmou à LusoPress. Ainda assim, refletiu com serenidade: “Aos 90 anos, olho para aquilo que sou e para aquilo que fiz e sinto-me feliz”, acrescentando, com simplicidade: “Se me perguntarem o que podem desejar-me, diria simplesmente: que a vida continue”.

Entre raízes portuguesas e missão em França

Nascido a 19 de abril de 1936, na aldeia de Cabris, em Ribeira de Pena, cresceu num Portugal rural marcado pela escassez. Desde cedo, seguiu o caminho religioso, ingressando no seminário, onde permaneceu durante 12 anos. Posteriormente, exerceu funções como professor, até aceitar o desafio de partir para França.

Inicialmente, previa ficar apenas dois anos. Contudo, rapidamente percebeu uma necessidade maior. “Fiquei porque percebi que havia aqui uma necessidade mais urgente de apoiar os portugueses”, explicou. Assim, decidiu permanecer e dedicar-se à comunidade emigrante, muitas vezes afastada das suas raízes.

Educação e cultura como pilares

Com o objetivo de preservar a identidade portuguesa, fundou, no início da década de 1970, o Centro Português de Formação Cultural em Le Raincy. Embora o projeto tenha começado de forma modesta, rapidamente se tornou essencial para a comunidade.

Uma vida dedicada aos outros: padre Martim celebra 90 anos

Ao longo dos anos, ensinou português, mas também Filosofia, História e Política. Dessa forma, contribuiu para a formação académica e pessoal de muitos jovens. Além disso, formou professores e incentivou o diálogo entre culturas, criando pontes entre Portugal e França.

Fé, ação e independência

Paralelamente ao ensino, desenvolveu uma intensa atividade pastoral na igreja de São Luís do Raincy, onde celebrou missas, acompanhou famílias e orientou jovens. “A imagem que tenho da comunidade é muito positiva”, sublinhou, destacando o dinamismo e o sentido de responsabilidade dos portugueses locais.

Mesmo aos 90 anos, mantém uma vida ativa e autónoma. “Em casa, faço tudo sozinho. Não dependo de ninguém”, afirmou. Além disso, pratica desporto regularmente: “Jogo ténis duas vezes por semana e, sempre que posso, vou esquiar”. Esta energia reflete uma disciplina que considera essencial para o equilíbrio pessoal.

“Em casa, faço tudo sozinho. Não dependo de ninguém para tratar das minhas coisas. Sou independente e completamente livre”, continuou.

Testemunhos que revelam um legado

Durante a celebração, vários testemunhos evidenciaram a influência do padre Martim. Christelle Veloso recordou: “Foi ele que me ensinou a falar português e que me iniciou na cultura portuguesa. Tenho muitas boas recordações com ele, e uma visão muito elogiosa dele”.

Por sua vez, Maria Emília destacou: “Conheci-o nas aulas de português em 1973. Para mim, o Martim é uma pessoa muito aberta e agradável, sempre disponível para todos. Mas, mais do que isso, é um amigo e, pessoalmente, alguém que vejo quase como um pai”.

Também Manuel Rego, muito emocionado, reforçou essa ideia: “É um homem excecional. Está sempre disposto a ajudar e, sinceramente, ajudou-me bastante. Para mim, é um segundo pai. Desejo-lhe muitos anos de vida e que continue presente na nossa comunidade”.

Um exemplo que continua

Ao longo de décadas, o padre Martim construiu muito mais do que uma carreira: criou laços, fortaleceu identidades e inspirou gerações. Por fim, deixa uma mensagem clara: “Cada pessoa deve procurar viver a sua vida com autenticidade”.

A celebração dos seus 90 anos não marcou apenas uma data, mas sim o reconhecimento de uma vida dedicada aos outros — uma vida que continua a inspirar diariamente.

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