InícioNotíciasDiásporaVenezuela: portugueses precisam de ajuda económica e psicológica

Venezuela: portugueses precisam de ajuda económica e psicológica

A Assistência Médica Internacional (AMI) indicou à Lusa ter identificado portugueses e luso-venezuelanos a precisar de apoio económico e cuidados de saúde mental, em La Guaira, a região mais afetada pelo duplo sismo que em junho abalou a Venezuela.

“Há uma comunidade portuguesa, e luso-venezuelana, com muitas necessidades económicas e de apoio financeiro, mas também de suporte de saúde mental”, disse à Lusa este sábado o coordenador de projetos e representante da AMI na Venezuela, durante uma iniciativa promovida pela Embaixada de Portugal em Caracas em Naiguatá, La Guaira, de apoio social, cultural e educativo a afetados pelo duplo sismo.

“É muito importante realçar também que essa população está com abertura para falar com psicólogos (…) Nós temos conseguido efetivamente chegar, aproximar-nos da comunidade e ganhar a confiança para que as pessoas estejam connosco”, apontou Daniel Viegas Rocha.

Número de mortos ultrapassa 6.300

O número de mortos na Venezuela pelo duplo sismo de 24 de junho atingiu 6.301, mais 176 em relação à contagem anterior, segundo dados divulgados pelas autoridades venezuelanas.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, adiantou ainda na segunda-feira que foram assistidas 73.356 pessoas nos hospitais.

Rodríguez acrescentou que o governo disponibilizou 287 casas após o duplo sismo de magnitudes 7,2 e 7,5 na região norte do país sul-americano, em particular o Estado costeiro de La Guaira, próximo de Caracas.

A mesma fonte indicou também que 53.314 casas foram avaliadas pelas autoridades, das quais 31.336 foram consideradas habitáveis, 12.411 com restrições e 9.567 em “alto risco”. Rodríguez referiu ainda que foram recolhidas 483.525,41 toneladas de entulho.

O Colégio de Engenheiros da Venezuela solicitou entretanto uma atualização dos códigos de construção antissísmica nd país.

O Banco Mundial estima em 19,6 mil milhões de dólares os danos físicos diretos causados pelos sismos de 24 de junho e alertou recentemente que uma reconstrução lenta pode prejudicar a recuperação económica do país produtor de petróleo na próxima década.

Entre os mortos confirmados contam-se, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, 138 portugueses e lusodescendentes, sendo 109 adultos e 29 menores. E 118 tinham também a nacionalidade venezuelana.

Embaixador afasta cenário de regresso massivo de portugueses a Portugal

O embaixador português Frederico Silva, afastou o cenário de um regresso massivo de portugueses a Portugal, admitindo, no entanto, que houve “um número muito pequeno” de repatriamentos, após o duplo sismo que em junho abalou o país.

“O estado de ânimo é de tristeza, de choque, mas de determinação de continuar a viver neste belo país, que de facto acolheu os portugueses desde há décadas, há séculos até, de forma exemplar, integrando-os plenamente. Aqueles que perderam [o modo de vida], querem reconstruir, os seus modos de vida, o seu contexto de família e de vida, aqui na Venezuela”, disse à agência Lusa.

Questionado sobre se já ocorreram alguns repatriamentos, o embaixador explicou que foi “um número muito, muito pequeno” porque, como explicou, a comunidade “portuguesa, lusodescendente, está profundamente integrada na sociedade venezuelana”,

“Aquilo pelo que lutam, aqueles que necessitam, é de reconstruir o seu modo de vida na Venezuela”, apontou.

Com Lusa

ARTIGOS RELACIONADOS

Artigos Populares