Domingo, Junho 23, 2024
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Livro em três línguas oficiais portuguesas celebra Língua Materna

Escrito nas três línguas oficiais portuguesas, o livro “Maria das pernas compridas / Marie de las piernas cumpridas”, de Lurdes Breda, lançado em Leiria para celebrar o Dia Internacional da Língua Materna.

Em braille e em mirandês

Inspirado num regionalismo que significa chuva e que lhe serve de título, o novo livro da escritora conta com ilustrações de Cristina Ramos Sousa e, além do texto em português, está traduzido para mirandês por Alcides Meirinhos, da Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa.

Livro em braille com máquina de escrever em braille
Máquina de escrever braille (Foto de Thirdman)

O projeto é complementado com o livro em braille, audiolivro e vídeo-livro em Língua Gestual Portuguesa, estes últimos acessíveis ‘online’ através de QR Code, num trabalho coordenado por Célia Sousa, no Centro de Recursos para a Inclusão Digital, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria.

Literatura inclusiva

Segundo a autora, “o livro compõe-se num único poema” que permite “partir à descoberta do ciclo da água” tendo como protagonista uma cegonha.

Nesse sentido, “o português serve como ponte para outras línguas maternas”. Isto é, o mirandês, “língua materna de uma minoria, infelizmente”, e “a Língua Gestual Portuguesa”.

A tradução em mirandês procura não só a divulgação da língua, oficialmente reconhecida em Portugal desde 1998, como também “a defesa desse património”.

“O mirandês é uma língua minoritária e cada vez mais as línguas minoritárias estão ameaçadas”

Lurdes Breve

Lurdes Breve referiu ainda dados segundo os quais a cada duas semanas há uma língua que se extingue “e com ela toda a herança linguística e cultural do povo que a falava”.

Em defesa do património linguístico

“Maria das pernas compridas” procura assim fazer a defesa do património linguístico português, mas encarando a língua portuguesa como ponte para outras culturas.

“É uma espécie de viagem para outros falares, mesmo a Língua Gestual Portuguesa, é um falar com as mãos”

Lurdes Breda

Segundo Lurdes Breda, esta viagem serve “como base para chegar aos outros, como língua também de tolerância, de aceitação, mas como defesa da nossa cultura. Da nossa identidade cultural, no fundo”.

O multilinguismo, defendeu, “é muito importante para as crianças, os jovens, e não só, adquirirem outras competências”.

Para ser ainda mais acessível e inclusivo, haverá versão em braille, que será distribuído por algumas instituições e mostrado “para sensibilizar o público”.

MLE // SSS (Lusa)

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