O Hipódromo de Paris-Vincennes voltou a vestir-se de verde e vermelho no dia 27 de setembro, para mais uma edição do Grande Prémio de Portugal. Ao longo do dia, milhares de pessoas passaram pelo recinto para acompanhar as corridas de trote e participar numa programação que juntou gastronomia, música, folclore e tradições portuguesas.

A edição deste ano contou com nove corridas, entre as quais o Grande Prémio de Portugal e o Prix des Élites, prova de nível Grupo I. Paralelamente, o público encontrou atuações de grupos folclóricos, animação musical com o DJ Moka, gastronomia portuguesa, food trucks e várias atividades gratuitas.
Para Bruno António, responsável pela organização, o evento assume uma importância que ultrapassa o universo das corridas. “É importante manter este evento para fazer viver as nossas tradições, a nossa cultura, celebrar a nossa identidade, a nossa Portugalidade, mas sobretudo uma Portugalidade aberta”, afirmou à LusoPress.
Nesse sentido, o organizador defende uma festa capaz de chegar a toda a sociedade. “Não é uma festa apenas da comunidade portuguesa: é uma festa de todas as comunidades e de toda a sociedade francesa”, sublinhou.
Segundo Bruno António, o Grande Prémio de Portugal reúne habitualmente cerca de 20 mil pessoas e tornou-se, assim, numa das principais iniciativas da comunidade portuguesa na região parisiense.
Uma festa para todas as gerações
Além da celebração cultural, a organização procura aproximar diferentes gerações. Bruno António considera fundamental envolver os mais jovens e permitir que a comunidade evolua sem perder as suas raízes.
“É uma festa que tenta captar o máximo possível a juventude, que procura abrir-se a outras realidades e, sobretudo, fazer evoluir a nossa comunidade”, explicou.
Mickael e Géraldine Ferreira, do projeto Mika Portugal Family, partilham essa preocupação. “Nós não queremos perder as tradições. É o mais importante, porque ainda vemos jovens de 10, 15 anos a recuperar e a manter tradições antigas”, afirmou Mickael.
Géraldine destacou, por sua vez, a diversidade da comunidade portuguesa. “É extraordinária precisamente por isso, porque junta pessoas de todas as idades. Está tudo misturado, todas as gerações, e isso é magnífico”, afirmou.
Rádio Alfa reforça ligação ao público
A Rádio Alfa voltou a marcar presença no Grande Prémio de Portugal, mantendo uma parceria que se prolonga há vários anos. A estação participou ainda numa das provas, a Corrida Rádio Alfa – Prémio Rádio Alfa.
Didier Caramalho acompanhou a corrida ao lado da pista, num carro. “Eu e o Vítor tivemos a oportunidade, e a sorte, de participar numa das corridas. Não em cima dos cavalos, obviamente, mas a acompanhá-la num carro ao lado da pista”, contou.
A experiência permitiu à equipa aproximar-se ainda mais do público. Para Didier Caramalho, tratou-se de “um momento muito importante” para a Rádio Alfa e para os portugueses presentes. “Foi, sem dúvida, um grande momento da lusofonia”, resumiu.
Vítor Santos salientou igualmente o contacto direto com os ouvintes. “É também o contacto com o público, com as pessoas que nos reconhecem, que passam por nós e que vêm ter connosco”, afirmou. E, com o bom tempo a acompanhar a iniciativa, deixou ainda uma nota bem-humorada: “E o sol também esteve connosco!”
Portugalidade também passa pelos cavalos
Apesar da música, do folclore e da gastronomia, os cavalos continuaram no centro da jornada. Bruno António considera que o evento também ajuda a aproximar a comunidade de uma modalidade que nem sempre conhece.
“O cavalo é também uma modalidade que as pessoas podem descobrir através desta festa”, explicou. O objetivo consiste em “dar a conhecer as corridas e todo este universo que, muitas vezes, pensamos ser um universo de nicho, ligado a uma certa elite”.
Entre a pista e o espaço festivo, o Grande Prémio de Portugal voltou assim a cruzar duas dimensões: a descoberta das corridas de cavalos e a celebração de uma identidade portuguesa vivida fora de Portugal. Uma festa que, ano após ano, procura manter as tradições, juntar gerações e abrir a Portugalidade a toda a sociedade.



