A empresa de limpeza Pro Net assinalou 35 anos de atividade com uma celebração no Liberty Country Club, em Plaisir, nos arredores de Paris. A festa juntou colaboradores, clientes, fornecedores e parceiros e serviu, sobretudo, para recordar a história de uma empresa familiar portuguesa que atravessou momentos difíceis e conseguiu manter-se em crescimento.

Criada em 1991 por Carlos Trovão, emigrante português em França, a Pro Net começou como um pequeno negócio familiar. Um ano depois, Fátima Trovão juntou-se ao marido e passou a trabalhar na empresa. Hoje reformada, acompanha com orgulho o percurso dos filhos, Mickael e Nicolas, que deram continuidade ao projeto iniciado pelo pai.
“Hoje é um dia muito especial, porque me faz lembrar o meu marido, que criou a Pro Net há 35 anos”, contou Fátima Trovão à LusoPress.
Uma história marcada pela adversidade
No final de 1999, a vida da família mudou radicalmente. Carlos Trovão sofreu um grave acidente de mota e permaneceu três anos e meio em coma. Durante esse período, Fátima assumiu a gestão da empresa enquanto acompanhava diariamente o marido.
“Durante esse tempo, foi uma batalha. Todos os dias ia visitá-lo ao centro e tratava da empresa com a nossa secretária. Às vezes, saía de lá à meia-noite”, recordou.
Carlos Trovão morreu em 2013. Entretanto, Mickael tinha iniciado funções na Pro Net, em janeiro desse ano, e começou a assumir progressivamente a liderança da empresa, contando mais tarde com o irmão Nicolas.
De pequeno negócio a 84 trabalhadores
Treze anos depois, Mickael olha para o percurso com orgulho. A empresa passou dos primeiros tempos, quando Carlos e Fátima asseguravam praticamente tudo, para uma estrutura com 84 trabalhadores e cerca de 230 clientes com contrato em toda a região de Île-de-France.
Entre os clientes encontram-se grupos como Veolia, Thalès e Vinci, além de laboratórios farmacêuticos. Apesar do crescimento, Mickael mantém um princípio herdado do pai.
“O meu pai ensinou-me que, seja um cliente pequeno ou grande, temos de tratá-lo da mesma maneira. É o mais importante”, afirmou.
Para o empresário, algumas relações ultrapassam mesmo a dimensão comercial. “Não é apenas um contrato, é uma amizade. Criamos uma relação e, quando essas pessoas pensam em limpeza, pensam na Pro Net.”
Por isso, considera que o crescimento da empresa representa também a concretização do legado do pai. “Se estivesse aqui para ver tudo isto, acho que não acreditaria.”
Uma equipa com forte presença lusófona
A ligação à comunidade portuguesa continua igualmente presente na empresa. Mais de 70 dos 84 trabalhadores são oriundos da lusofonia, sobretudo portugueses e brasileiros.
“Poder dizer que, todos os dias, em França, falo português com os meus empregados é algo que nem toda a gente pode dizer”, sublinhou Mickael.
Nicolas Trovão, responsável pela área comercial, destaca, por sua vez, a proximidade existente dentro da empresa. “É uma pequena empresa familiar, mas que perdura no tempo. Todos os empregados são como os meus amigos. Se precisam de alguma coisa, eu estou sempre aqui para eles.”
Família e união
Essa proximidade também marca a experiência dos trabalhadores. João Ferro, funcionário há oito anos, resume a relação com a administração de forma simples: “São os meus patrões, mas é como se fossem família”.
Fabíola Basílio, que trabalha na Pro Net há sete anos, partilha a mesma opinião. “São ótimos patrões. São pessoas boas, em quem podemos confiar. Quando precisamos, estão sempre ali para nos ajudar.”
Para Mickael, cuidar da equipa é essencial. “A limpeza não sou eu, não é o meu irmão, não é o meu falecido pai, nem é a minha mãe: são os empregados. E nós temos de cuidar o máximo possível deles.”
Ligação a Plaisir e olhos postos no futuro
A Pro Net mantém também uma forte ligação a Plaisir, onde está instalada desde a sua criação. A presidente da Câmara Municipal, Sandrine Carneiro, destacou essa relação. “É uma empresa de Plaisir que sempre se manteve fiel ao seu território. Estamos muito felizes e muito orgulhosos por tê-la connosco.”
Agora, a prioridade passa por continuar a crescer sem perder a identidade. “O desafio é manter esta família, porque é o mais importante para mim”, afirmou Mickael.
O símbolo da empresa, um sapo criado pelo fundador, representa igualmente essa continuidade. “O logótipo é muito importante e foi o meu pai que o criou. Até eu não posso mudá-lo”, explicou.
Para Nicolas, o desejo é simples: “Podemos desejar mais 35 anos”. Mickael já pensa na geração seguinte. “A minha filha, que tem cinco anos e meio, estará no meu lugar a falar.”
Assim, 35 anos depois da sua criação, a Pro Net continua a ser uma história de família, trabalho e continuidade. Uma história que começou com Carlos e Fátima Trovão, cresceu com os filhos e procura agora preparar o caminho para a próxima geração.



