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Nova geração revisita o rasto português em Paris através da fotografia

Uma exposição no Consulado-Geral de Portugal em Paris reúne 57 fotografias que revelam, através do olhar de jovens lusodescendentes, as marcas da presença portuguesa na capital francesa.

Alunos da Secção Internacional Portuguesa da Cité Scolaire Honoré de Balzac percorreram Paris à procura de lugares, símbolos e histórias ligados à presença portuguesa. O resultado deu origem a 57 fotografias, agora reunidas na exposição Sur les traces des Portugais à Paris, inaugurada a 24 de setembro no Consulado-Geral de Portugal em Paris.

O projeto nasceu assim de uma iniciativa da Associação de Pais dos Alunos da instituição escolar (APESIP) e recebeu o Prémio de Melhor Projeto Associativo da Cap Magellan 2025. Inicialmente pensado como um concurso para alunos do colégio e do liceu, acabou por ganhar uma dimensão mais ampla.

“Foi um percurso de um ano”, explicou à LusoPress Sofia Gomes, vice-presidente da APESIP Honoré de Balzac. A associação desafiou os jovens a procurar “as pegadas dos nossos portugueses” pelas ruas da capital francesa e a registá-las através da fotografia.

A qualidade dos trabalhos levou a associação a querer mostrar todas as participações. “As fotografias ficaram muito bonitas e dissemos: ‘Não podemos guardar estas fotografias só para nós’”, recordou Sofia Gomes.

Um olhar jovem sobre Portugal em Paris

A exposição apresenta esta presença através de uma perspetiva diferente. Estações ferroviárias, edifícios, murais, lojas e espaços do quotidiano revelam assim uma ligação entre a cidade onde estes jovens cresceram e as raízes familiares portuguesas.

Mafalda Paiva de Oliveira, cônsul-geral adjunta de Portugal em Paris, destacou precisamente essa dimensão. “É uma exposição magnífica”, afirmou à LusoPress, sublinhando que os trabalhos mostram tanto lugares diretamente associados a Portugal como espaços mais pessoais, incluindo as casas de alguns alunos.

As fotografias permitem, assim, conhecer “aquilo que é o seu Portugal em Paris”. Para a diplomata, o projeto também ajuda os jovens a revisitar “a história da sua família e a história das suas origens na cidade onde vivem”.

Da Gare d’Austerlitz ao 25 de Abril

Entre os trabalhos distinguidos, Gabriel Fortunato conquistou o primeiro prémio com uma fotografia realizada na Gare d’Austerlitz, um local associado à chegada de várias gerações de portugueses a França. A imagem junta a palavra Saudade, escrita no pó de um comboio, a passageiros que se abraçam.

Madalena Lopes Morgado ficou em segundo lugar com La Saudade sur Béton, inspirada num mural do artista açoriano Pantónio. A imagem relaciona a obra com os edifícios construídos por trabalhadores portugueses.

Já Rosalie Leal conquistou o terceiro lugar com uma fotografia do mural Viva a Liberdade, de Vhils, dedicado à Revolução dos Cravos e à figura de Celeste Caeiro.

“É um prazer poder partilhar estas fotografias com as pessoas”, afirmou Gabriel Fortunato. Madalena Lopes Morgado explicou que quis “mostrar a nossa cultura e o que é ser emigrante”. Por sua vez, Rosalie Leal lembrou a dimensão coletiva da iniciativa: “Nós ganhámos, mas foi toda uma secção que participou neste concurso”.

Entre duas culturas

Para Sofia Gomes, a exposição representa também uma oportunidade para transmitir a memória da emigração às novas gerações. “No fundo, todos temos a mesma história”, afirmou, defendendo que os jovens devem conhecer aquilo “por que os seus pais e avós passaram”.

Essa identidade, porém, não implica escolher entre Portugal e França. “Sou francesa e sou portuguesa, sou as duas culturas”, afirmou.

A mesma ideia esteve presente na atuação de Desgo, filho de emigrantes portugueses, que cruzou o rap com a guitarra portuguesa. “Aqui somos portugueses e lá somos franceses”, afirmou o músico, defendendo uma identidade que combina as duas culturas.

Para Desgo, manter essa ligação é assim uma forma de preservar a memória familiar: “Fazer esta música, fazer estas exposições, é importante para não esquecer e para dizer ao mundo aquilo que somos”.

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