
Origens: Loureira (Leiria)
Data de nascimento: 23 de junho de 2006
Local de nascimento: Montfermeil (93047)
Signo astrológico: Touro
Nasceu em França e tem raízes familiares em Loureira, na região de Fátima, Leiria. Portugal faz, assim, parte de uma identidade construída entre os dois países. Contudo, para conhecer Nikita é preciso falar de desporto. Afinal, o judo acompanha grande parte da sua história e ajudou a transformar a jovem tímida que entrou pela primeira vez num tatami aos 10 anos.
Antes disso, praticava ballet, enquanto o irmão fazia judo e foi o pai quem a incentivou a experimentar a modalidade. “O meu pai queria que eu aprendesse a defender-me porque era uma rapariga. Queria que eu tivesse armas para a vida”, recorda. No início, a adaptação não foi fácil. Nikita admite que não gostou imediatamente do desporto. Além disso, era tímida e sentia dificuldade em controlar o stress.
Uma promessa ao pai e um cinturão negro
As primeiras competições despertaram uma ambição que acabaria por conduzi-la ao alto rendimento. Nikita queria evoluir. Mais do que isso, tinha feito uma promessa ao pai: chegar ao alto nível e conquistar o cinturão negro.
E cumpriu.
A conquista aconteceu em dezembro de 2019 e teve um significado especial. Nikita recebeu o cinturão negro precisamente no dia do aniversário do pai. Foi também com o apoio dele que continuou a perseguir o sonho de competir ao mais alto nível. “O meu pai ficou sempre ao meu lado, vinha a todas as competições. Foi o que mais partilhámos na vida”, conta.
Quando a pandemia ameaçou interromper o percurso, Nikita recusou ficar parada. Percebeu que precisava de entrar numa estrutura de alto rendimento para continuar a treinar. Por isso, candidatou-se a quatro. E uma delas abriu-lhe a porta.
Aos 17 anos, saiu de casa e mudou-se para Lyon. E durante três anos, conciliou os estudos com treinos intensivos e competições. “Pensei que tinha de dar tudo para conseguir o meu objetivo”, recorda. O tempo provou que a decisão valeu a pena. Hoje, descreve esse período como “os melhores três anos” da sua vida.
Do tatami aos projetos internacionais
Entretanto, Nikita deixou o alto rendimento, mas não abandonou o judo. Continua a treinar no clube onde tudo começou. E agora, transformou a experiência enquanto atleta numa oportunidade profissional.
Depois de estudar comércio e concluir o mestrado, passou dois anos em alternância na área das relações internacionais da Federação Francesa de Judo. Atualmente, continua ligada à instituição, onde trabalha na gestão de projetos além-fronteiras. Uma função que lhe permite olhar para o desporto além da competição.
Entre os projetos que mais a motivam estão iniciativas que procuram levar o judo a jovens e comunidades com menos oportunidades. Como por exemplo Senegal e Guatemala, onde já desenvolvem projetos piloto relacionados com o judo. “Quero estar em projetos onde a minha participação ajude e mude alguma coisa”, explica.
Solidária, atenta e disponível
A mesma preocupação aparece quando fala da vida pessoal. Nos tempos livres, Nikita prefere estar com a família e os amigos. Para ela, apoiar quem está próximo não é apenas uma qualidade que reconhece em si própria. É uma prioridade. “Sou uma pessoa muito ligada às pessoas à minha volta. Quando tenho tempo, vou ver as pessoas mais próximas de mim que precisam de mim.”
É também essa dimensão humana que pretende levar para o Miss Portuguesa França 2026.
“Uma mulher não é só um físico”
Nikita Vieira entra no concurso com uma ideia clara sobre aquilo que gostaria de fazer caso conquiste o título. Mais do que participar num concurso de beleza, quer ajudar a transformar a própria imagem associada às misses. “Gostava de mudar a imagem em termos de Miss. Há mensagens fortes que temos de transmitir às mulheres e, sobretudo, às meninas”, defende.
Uma dessas mensagens passa pela relação com o corpo e pelos padrões de beleza difundidos pela televisão e pelas redes sociais. “Uma mulher não é só um físico. As mulheres não são perfeitas como podemos ver na televisão ou nas redes sociais”, sublinha.
Nikita fala também a partir da experiência pessoal. Durante a juventude, enfrentou dificuldades relacionadas com a alimentação e com a imagem corporal. Por isso, considera importante mostrar a outras jovens que não estão sozinhas.
Mas há outra causa que pretende defender: a igualdade entre mulheres. Nikita reconhece que cresceu num contexto onde pôde estudar, escolher o seu caminho e usufruir de liberdade. No entanto, sabe que essa realidade está longe de ser universal. “Eu tive a sorte de nascer num país e numa família onde tenho direitos e liberdade. Infelizmente, há outra mulher igual a mim, noutra parte do mundo, que não tem essas liberdades.”
É esta visão que Nikita Vieira quer levar ao palco do Miss Portuguesa França 2026. Do ballet ao judo. Do alto rendimento aos projetos internacionais. Da competição ao compromisso social. O percurso ensinou-lhe que conquistar alguma coisa exige disciplina, persistência e capacidade para ultrapassar limites. Agora surge um desafio diferente. E Nikita quer aproveitá-lo não apenas para ser vista, mas também para ser ouvida.



