
Há uma parte do Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar comprometido pelo impacto do sismo de junho. Este local acolheu as equipas de socorro portuguesas após o duplo sismo de 24 de junho. Mas agora foi notificado para demolir parte da estrutura, disse à Lusa fonte da direção.
“Estiveram aqui uns engenheiros do Governo. E notificaram-nos que o edifício estava em muito comprometido, inclusive as sete vigas tanto da parte de baixo como do andar de cima, que terá de ser demolido”, disse Marta de Jesus.
Salas dedicadas ao ensino de português estão danificadas
Trata-se, explicou, de um edifício de dois andares, com aproximadamente 400 metros quadrados. Está situado do lado esquerdo do clube, onde na parte de baixo funciona um pequeno café. E onde os associados se reuniam para recriação, jogar dominó e cartas.
“Na parte alta ficavam os salões de aulas de português, que estão deteriorados”, frisou.
Marta de Jesus apelou às autoridades portuguesas e à comunidade lusófona local que “apoiem economicamente a reconstruir o clube, porque, uma vez demolido, não terão “recursos suficientes” para a reconstrução.
Clube solidário com comunidade na Venezuela
Por outro lado, explicou que durante mais de 20 dias as equipas de resgate portuguesas que estiveram na Venezuela, viram a situação do clube.
“É um clube simbólico para a comunidade. Durante as enxurradas de 1999 fomos centro de acolhimento e de apoio para muita gente da nossa comunidade que perdeu as suas casas”, frisou.
O duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas, pessoas feridas e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o que registou maior afetação.
Balanços trágicos
A saber, o último balanço atualizado revela 6.438 pessoas mortes a lamentar. No entanto, as autoridades apontam para 86.358 pessoas assistidas nos hospitais depois dos sismos.
Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
O edificado ficou muito comprometido. Das 59.109 habitações inspecionadas, 34.680 estão habitáveis, mas 13.733 têm restrições. E, por conseguinte, há 10.696 consideradas de “alto risco”. As equipas de proteção civil removeram 528.222 toneladas de escombros.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
O Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) a destruição material casada pelos terramotos.
Com FPG (RN) // NCM | Lusa



