InícioInformaçãoPeregrinação do Emigrante ganha outro significado com eclipse solar em Fátima

Peregrinação do Emigrante ganha outro significado com eclipse solar em Fátima

No dia de um histórico eclipse solar, os peregrinos presentes no Santuário de Fátima para a tradicional Peregrinação dos Emigrantes, acabaram a tarde de olhos postos no céu.

A escadaria da Basílica de Nossa Senhora do Rosário foi o “palco” escolhido por uma família de nove pessoas emigrada no Mónaco, natural de Braga.

Entre a curiosidade das crianças e a memória do “Milagre do Sol”

Sempre que regressam de férias a Portugal, a passagem por Fátima é obrigatória e, este ano, por coincidência, “é dia de um fenómeno raro”.

“Conseguimos comprar óculos para todos e quem sabe não assistimos hoje a um milagre”, atirou Laura Costa, enquanto olhava para o céu.

A curiosidade e a ansiedade entre os mais novos era grande. À medida que o tempo ia passando, iam partilhando que “a bola amarela” ia ficando cada vez “mais pequenina”.

“Isto é muito bonito! Também quero ver a chuva de estrelas!”, referiu Mia Alves Martins, de nove anos. Momentos depois, a temperatura baixou ligeiramente e ficou visível apenas “uma pequena linha laranja”.

Já entre os mais velhos, o eclipse trouxe à conversa o “Milagre do Sol” de 13 de outubro de 1917, perante milhares de pessoas.

Na altura, as testemunhas relataram que o astro começou a girar como uma roda de fogo, mudando de cor, e pareceu cair em ziguezague em direção à Terra, espalhando um calor que secou o chão e as roupas molhadas, num dia de chuva.

Um fenómeno raro que só volta a acontecer em 2144

Esta tarde assistiu-se, pela primeira vez desde 1912 a um eclipse do sol, que total (100%) foi apenas no Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano, sendo parcial (entre 92% e 99%) na maior parte do continente. 

O próximo será só em 2144 e “nessa altura já não estaremos cá”.

Uma peregrinação feita de fé e devoção

“Tivemos a oportunidade estar aqui hoje, num local maravilhoso, onde se respira paz. Não foi planeado, mas quis o destino que tivesse sido aqui: só pode ter sido um sinal”, acrescentou Carla Martins.

Da zona de Lisboa veio também, ao Santuário de Fátima, um grupo de oito mulheres para “ter o privilégio de levar o andor” da Nossa Senhora de Fátima, porque “servir a Nossa Senhora é uma missão”. 

Nem todas trouxeram óculos certificados para assistir ao eclipse lunar, mas a Ana Luzia, de Pinhal Novo, não quis desperdiçar a oportunidade de acrescentar este fenómeno à fé que carrega.

“É a fé que nos salva e foi uma sorte o eclipse calhar no dia desta peregrinação”, concluiu.

Com CMM (AMF) // FPA | Lusa

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