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40 anos de Portugal na UE: o papel dos jovens

Como preservar a memória das gerações anteriores, defender a democracia e dar aos jovens um papel ativo no futuro da Europa? Estas questões estiveram no centro da mesa-redonda «Geração Europa», organizada pela Cap Magellan, a 10 de outubro, na Maison du Portugal – André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris.

Integrado no encontro da rede Trabalhar Juntos, o debate assinalou os 40 anos da adesão de Portugal às Comunidades Europeias, em 1986. Além disso, reuniu jovens lusodescendentes e representantes associativos para refletir sobre os desafios políticos e sociais que marcam as novas gerações, sobretudo perante a subida da extrema-direita.

Entre os participantes estiveram Clarisse Vaz Baudard, quadro superior do Estado, especialista em diplomacia educativa europeia e internacional e presidente da APESIP do Liceu Montaigne; Emmanuel Mouhica, diplomado em Assuntos Europeus e Relações Internacionais, em dupla formação franco-portuguesa e Leticia Alves, estudante da mesma área. Enzo Frederico, secretário-geral da Cap Magellan, moderou a discussão.

Um balanço positivo da integração europeia

Quatro décadas depois da adesão, os participantes destacaram as transformações económicas e sociais de Portugal, bem como o contributo dos fundos europeus para o desenvolvimento do país.

Clarisse Vaz Baudard recordou a realidade portuguesa dos anos 80 e 90, que considera muito diferente da atual. «Era um país relativamente pobre e muito diferente daquele que conhecemos atualmente: mais aberto, empenhado, dinâmico e voltado para a Europa e para o mundo», afirmou.

Também Emmanuel Mouhica sublinhou a evolução alcançada. «Penso que o Portugal de hoje não tem nada a ver com o de há 40 anos», declarou. Por sua vez, Leticia Alves considera que a integração europeia foi decisiva para aproximar Portugal dos restantes Estados-Membros, tanto a nível económico como social.

Apesar deste balanço positivo, os participantes defenderam contudo a necessidade de proteger os valores democráticos e preparar as próximas gerações para os desafios europeus.

Combater o extremismo através da participação

Perante a subida da extrema-direita, Clarisse Vaz Baudard destacou a importância da educação, da informação e do envolvimento cívico. «É fundamental desenvolver um espírito crítico o mais aberto possível», aconselhou, considerando que a participação na sociedade representa uma das melhores formas de contrariar os extremismos.

Na mesma linha, Enzo Frederico defendeu que a formação académica, por si só, não chega. «Não basta estudar, é preciso também educarmo-nos e procurar compreender o mundo que nos rodeia», salientou.

Além disso, Emmanuel Mouhica apelou à preservação da memória das famílias que emigraram para fugir às ditaduras ou procurar melhores condições de vida. Para o responsável, as associações, as universidades e o quotidiano podem ajudar assim a transmitir essa herança às novas gerações.

Os jovens querem participar nas decisões

A participação juvenil não deve limitar-se à presença em eventos públicos. Hermano Sanches Ruivo, presidente-fundador da associação ACTIVA, defendeu que os jovens precisam de ter influência real nas decisões políticas.

«Os jovens não são o futuro, são já o presente», afirmou, apontando os conselhos municipais de juventude como espaços importantes para apresentar propostas e responder às necessidades locais.

Leticia Alves partilhou esta visão e destacou a capacidade dos jovens para denunciar problemas e propor soluções. «A juventude é aquela que dá voz aos problemas com que nos deparamos e pode também ser um agente de mudança», declarou.

Identidade portuguesa e pertença europeia

A relação entre as origens portuguesas e a identidade francesa também marcou o debate. Clarisse Vaz Baudard resumiu esta pluralidade: «Sinto-me 100% francesa, 100% portuguesa e, diria, 200% europeia e 200% eu própria».

Por sua vez, Emmanuel Mouhica considera que as duas nacionalidades contribuem para a sua personalidade. Já Leticia Alves salientou a importância de manter uma ligação entre o país onde se nasce e aquele onde se vive.

Por fim, os participantes defenderam a valorização da língua portuguesa e o reforço do seu ensino no estrangeiro. Quatro décadas após a adesão de Portugal à Europa, a mensagem do encontro foi clara: preservar a memória e a identidade exige também dar às novas gerações uma voz ativa na construção do futuro europeu.

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