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Ontário quer estreitar negócios com Portugal

O ‘premier’ do Ontário, Doug Ford, defendeu o reforço das relações comerciais com Portugal. O governante classificou o país como um “parceiro comercial vital”, num contexto em que os Estados Unidos estão a “virar-se para dentro”.

“À medida que os Estados Unidos se viram para dentro, estas são exatamente as relações que procuramos fortalecer. Aliás, são as que queremos apostar ainda mais”, afirmou Doug Ford, durante um encontro com empresários da comunidade luso-canadiana, em Toronto.

“Portugal é um parceiro comercial vital para o Ontário”

O governante conservador destacou Portugal entre os países europeus com os quais a província canadiana pretende aprofundar as relações económicas e comerciais.

Doug Ford, Premier of Ontario

“Portugal é um parceiro comercial vital para o Ontário. Estou confiante de que a nossa relação só irá crescer nos próximos anos. Isto é, à medida que criamos prosperidade duradoura para os nossos cidadãos dos dois lados do Atlântico”, declarou.

Segundo Ford, o comércio bilateral entre o Ontário e Portugal ultrapassou 1,1 mil milhões de dólares canadianos em 2025 (cerca de 682 milhões de euros). Por isso, existem «enormes oportunidades» para aumentar esse valor e criar emprego nos dois territórios.

“Há enormes oportunidades para expandir [esta relação], fazê-la crescer ainda mais. Seja para criar empregos em Portugal, como para criar empregos aqui no Ontário e em todo o país”. Palavras do governante dirigidas ao embaixador de Portugal no Canadá.

Canadá e Portugal juntos nos negócios

Por outro lado, Doug Ford garantiu ainda que Portugal encontrará no Governo do Ontário “um forte aliado” nesse objetivo.

O ‘premier’ identificou a indústria aeroespacial, assim como a indústria transformadora avançada e as ciências da vida entre os setores nos quais as duas partes podem aprofundar a cooperação.

Ford recordou, a este propósito, contactos mantidos pelo ministro do Desenvolvimento Económico, Criação de Emprego e Comércio do Ontário, Vic Fedeli, com representantes portugueses para procurar novas formas de desenvolver as parcerias existentes.

O chefe do Governo do Ontário enquadrou a aproximação a Portugal na estratégia da província. Isto com o objetivo de diversificar os mercados e, ao mesmo tempo, encontrar novos parceiros comerciais. Considerando o momento de tensões comerciais com os Estados Unidos, principal parceiro económico do Canadá.

Ford voltou a criticar o protecionismo e defendeu o comércio livre como instrumento de crescimento económico, afirmando que o Ontário procura novos mercados e parceiros comerciais.

Encontro Portugal-Canadá reúne centenas em Ontário

No encontro, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá e que reuniu cerca de 170 pessoas, o embaixador de Portugal no Canadá defendeu também que existe uma oportunidade para elevar a relação económica entre os dois países e, em particular, com o Ontário, a «um novo nível».

O diplomata destacou setores como mineração, indústria aeroespacial e defesa, tecnologias e ‘software’, indústria farmacêutica e ciências da vida, energias renováveis e agroindústria como áreas onde estão a crescer os investimentos e as possibilidades de cooperação.

Já o tesoureiro da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá, Vitor Severino, disse à Lusa que a escassez de mão de obra e a incerteza económica estão entre as principais preocupações das empresas luso-canadianas no Ontário.

«A preocupação que ouço com maior frequência é, por um lado, a escassez de mão de obra e, por outro, a incerteza económica geral causada pelo abrandamento da economia», afirmou.

Tecnologia e defesa são setores chave de investimento

Severino apontou ainda a tecnologia e o aumento do investimento na área da defesa, tanto no Canadá como na Europa, como uma das principais oportunidades ainda por explorar pelas empresas portuguesas e canadianas.

«Existe uma grande oportunidade para as empresas canadianas e portuguesas entrarem nesses mercados com novas tecnologias», considerou.

O responsável explicou que a câmara de comércio pretende aproximar os empresários dos decisores políticos e criar condições para contactos diretos entre empresas.

«Não abrimos as portas. Juntamos as pessoas para que possam abrir as portas umas às outras», resumiu.

Com SEYM // RBF | Lusa

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