Entre latas de tinta, “Enquanto Houver Estrada Para Andar” e muita paixão pela arte, o jovem artista de 19 anos prestou uma homenagem original a Jorge Palma.
Chama-se Majé, tem 19 anos e pode dizer-se que é um verdadeiro homem dos sete ofícios. Artista visual, professor, músico e apaixonado pelas mais diversas formas de expressão artística, o jovem marcoense prefere manter a identidade resguardada, mas não esconde aquela que considera ser a sua verdadeira vocação: a arte.
Fã incondicional de Jorge Palma, um dos nomes incontornáveis da música portuguesa, Majé encontrou na pintura a forma de homenagear o artista que tantas gerações marcou. O resultado está agora eternizado numa parede de Marco de Canaveses: um mural onde o rosto de Jorge Palma surge como protagonista. “Vim para aqui logo de manhã cedo, peguei nas minhas latas e vim para aqui. Executei esta obra sem qualquer tipo de ruído. Eu e a parede durante duas horas e meia”, conta Majé.
Foram duas horas e meia de concentração absoluta, numa espécie de diálogo silencioso entre o artista e a parede. Uma dicotomia que acabou por dar vida a uma homenagem feita de cor, traço e sentimento.
Enquanto houver estrada para andar…
A paixão de Majé pela pintura mural não nasceu por acaso. O jovem artista já tinha experiência a trabalhar em parede e em tela, mas foi precisamente o contacto com este formato que despertou uma nova paixão. “Já tinha o gosto de pintar em parede, em tela, esse tipo de trabalho, mas nunca tinha visto um formato como a parede. E basicamente comecei-me a apaixonar por esta arte”, diz-nos.
Tal como numa canção de Jorge Palma, há aqui uma viagem que ainda está longe de terminar. Para Majé, cada parede é uma nova oportunidade para contar uma história e transformar um espaço através da arte.
Uma “Ajuda Divina”
Apesar de assumir a homenagem como fruto do seu trabalho e dedicação, Majé fala do projeto com alguma descontração e admite sentir que Jorge Palma lhe deu uma espécie de “ajuda divina” durante a realização do mural.
A ligação entre os dois artistas vai muito além da admiração. Se Jorge Palma encontrou na música uma forma de transformar sentimentos em palavras e melodias, Majé procura fazê-lo através da pintura. E foi assim que um rosto conhecido da música portuguesa encontrou uma nova casa, desta vez numa parede de Marco de Canaveses.
Dos pincéis às salas de aula
A arte ocupa uma parte importante da vida de Majé, mas não é a sua única atividade. O jovem artista desenvolve trabalhos artísticos em part-time e, simultaneamente, dá aulas a crianças do 1.º ciclo, nas áreas da música, dança e teatro.
Um percurso multifacetado que ajuda a explicar o seu gosto por diferentes formas de expressão.
Aos 19 anos, Majé vai construindo o seu próprio caminho, entre a criatividade, a educação e a vontade de experimentar novas linguagens artísticas.
Um mural que aproxima gerações
O impacto da obra pode medir-se também pela reação de quem passa. Majé confessa sentir um orgulho especial ao ver as pessoas pararem diante do mural e comentarem o trabalho, sobretudo aqueles que cresceram ao som das músicas de Jorge Palma.
Há, nesse encontro entre a pintura e a memória, uma ponte entre gerações. Para os mais velhos, aquele rosto pode trazer recordações de uma vida inteira. Para os mais novos, pode ser o ponto de partida para descobrir uma das figuras marcantes da música portuguesa.
Um olhar eternizado na parede
Majé eternizou assim um olhar que ficará para sempre nas nossas memórias. Um olhar que, numa parede de Marco de Canaveses, ganhou novas cores sem perder a identidade de quem o inspirou.
Entre arte urbana, música e memória, o jovem artista deixa uma homenagem que pretende resistir ao tempo.
E, “Enquanto Houver Estrada Para Andar”, Majé sabe que ainda há muitas paredes por pintar, muitas histórias para contar e muitos sentimentos para transformar em arte.

Majé, o artista visual que pintou o rosto de Jorge Palma num mural, em Marco de Canavezes.



