30 Sep, 2020 Última Actualização 3:53 PM, 30 Sep, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Michael Tavares

 

Michael Botelho Tavares nasceu em New Bedford, no estado de Massachusetts, em 1976, mas todas as suas raízes são portuguesas, mais concretamente dos Açores. Nos Estados Unidos foi criado de perto dos avós e com eles teve uma grande convivência. “Aprendi a falar português com eles porque eles ficavam connosco quando éramos pequenos, eu e os meus irmãos. Ouvia histórias de vivências deles nos Açores, ouvia músicas que eles ouviam, principalmente o fado, e aprendi a gostar de fado por causa deles”. Rapidamente Michael Tavares apreendeu a cultura portuguesa. Depois do ensino secundário foi para a universidade e formou-se em Engenharia Mecânica, tendo depois tirado um mestrado em Engenharia de Fabricação. Começou a trabalhar em engenharia na empresa Johnson & Johnson, tendo aí desempenhado funções durante oito anos e meio. Só depois sentiu ser a hora certa para ingressar na empresa do pai, a Horacio´s. Actualmente está à frente da empresa há 12 anos, levando a bom porto a empresa familiar.


Michael Tavares admite que o seu sonho era continuar aquilo que o pai começou. “Estou actualmente e sempre a concretizar. Não quero pensar que está concretizado, porque quero trabalhar sempre para continuar. Sempre penso em levar isto para a frente. Outro sonho era progredir a nossa comunidade portuguesa aqui, ainda mais. Educar o que é ser português e o que é a nossa cultura. Tenho-me envolvido em várias organizações na nossa comunidade para ajudar a concretizar esse sonho”. Os valores que lhe comandam a vida, admite serem os que os foram transmitidos pelos pais. “Tudo o que quisermos tem de ser com muito sacrifício e trabalho, mas que nada é impossível. Sempre me passaram esta mensagem”. Michael tem ajudado diferentes organizações, de diferentes áreas, mas tem um gosto especial por tudo o que consegue fazer por Portugal. Criou, com a ajuda de um Cônsul, o Festival Viva Portugal em New Bedfor, que promove a cultura portuguesa. O evento já vai na sua quarta edição. Para Michael, Portugal significa as suas raízes. “Sou americano porque nasci aqui e tenho orgulho, mas as minhas raízes são portuguesas. A primeira vez que fui aos Açores senti que fazia parte daquele lugar, sentia-me em casa, faz parte de quem eu sou. Gostava que os portugueses continuassem a promover a nossa cultura”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Marcelino Ribeiro

 

Marcelino Ribeiro nasceu no coração da ilha da Madeira, mais concretamente no Curral das Freiras. Cresceu com os avós, pois os seus pais estavam emigrados em Inglaterra, e é deles que tem as maiores recordações da sua infância. Era de uma família pobre, obrigando-o a trabalhar desde novo. A partir dos 13 anos, ainda enquanto estudava, dedicada os fins-de-semana ao trabalho na construção civil. Com 17 anos abandona a escola e dedica-se em exclusivo ao trabalho. Surgiu-lhe a oportunidade de ir para Lisboa trabalhar num café, estando lá o tempo suficiente para tirar a carta. Não era a área que o fascinava e, por isso, regressou à Madeira e à construção. Conhece a sua esposa, que tinha nascido na França, mas já estava na Madeira com os pais. Depois de casarem, ainda tentam uma vida em Inglaterra, mas sem sucesso. Com os conhecimentos e a família que a sua esposa ainda tinha deixado em França, é para aí que decidem emigrar. Chegaram a terras gaulesas em 2004, permanecendo até hoje.


Em França, Marcelino Ribeiro foi parar à área que melhor conhecia: a construção civil. Ainda teve uma pequena experiência nos camiões, antes de se tornar sócio de uma empresa de construção, entre 2006 e 2008. Em 2009 decide criar a sua própria empresa, a CR9, dedicada à construção e renovação. “Como tenho paixão por camiões e máquinas, em 2015, criei uma empresa de aluguer de maquinas e camiões, a LS9. Eu sou um pouco ambicioso e vim com a ideia de ir o mais longe possível, ou seja, estabilizar e dar o melhor possível à minha família. Hoje digo que eu não esperava chegar onde cheguei. Sei que sou um pequeno empresário, mas já me sinto feliz com o que concretizei”. É com humildade e sinceridade que Marcelino Ribeiro tem pautado os seus dias e tem conseguido sucesso nos projectos em que se envolve. Sente um enorme orgulho em ser português, mas também em ser madeirense, e deixa uma mensagem a todos os jovens que se querem lançar: “vão em frente, acreditem, mas não mudem quem são”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Artur Brás

 

Artur Mateus Brás é o seu nome completo, mas hoje é conhecido em França apenas por Arthur Brás. Oriundo de Vieira do Minho, onde nasceu em Outubro de 1948, Artur teve uma infância semelhante às crianças daquela altura. Sente que foi um privilegiado por, aos 11 anos, ter a oportunidade de ir estudar para Braga, aquilo que designa por o começo da sua vida. Em Braga esteve até 16 anos, onde completou o 5º ano na Escola Industrial Carlos Amarante. Assume que foi o momento mais difícil da sua vida, vinha apenas cerca de quatro vezes por ano a casa. Na altura, estava numa família de acolhimento. Era filho de lavradores e, por isso, também aqui tinha de ajudar no cultivo das terras, apesar de gostar muito de brincar e de ser acarinhado pelas pessoas de idade que o rodeavam. Aos 17 anos, decidiu emigrar para França, por causa da guerra das colónias portuguesas. Já em território francês, apesar de não conhecer ninguém, a sua ambição permitiu que rapidamente crescesse profissionalmente. “Comecei na construção, como muitos, era o nosso ponto de partida. Em pouco tempo, cerca de meio ano, consegui chegar a encarregado. Falava um pouco de francês, o que terá facilitado a minha integração. Pouco a pouco, fui subindo de escalão. Cheguei a encarregado geral com 20 anos, condutor de trabalhos com 23 e a director de agência com 26 anos. Sempre com ambição”, recorda.


Aos 27 anos regressou a Portugal, com a ideia de aqui se fixar de vez. Realizou vários investimentos em Vieira do Minho e começou a trabalhar por conta própria. Ao fim de um ano, um acidente numa obra fê-lo regressar a França, onde criou a sua empresa em 1977, especializada em vivendas de luxo. “Uma casa Arthur Brás, em França, é conhecida por ser uma casa de prestígio, optei sempre pela qualidade”. A empresa Arthur Brás Construções permaneceu no activo até ao dia em que Arthur Brás completou 40 anos e decidiu, novamente, regressar a Portugal. “Aí talvez já fosse tarde e tive dificuldades em me adaptar a Portugal. Voltei a França, e criei o grupo que tenho hoje. Recuperei a empresa que tinha na altura, que estava em dificuldades, e criei o Grupo Arthur Brás, onde desenvolvi a construção e promoção imobiliária, e agora também um hotel, o Hyatt Regency Chantilly”.


Arthur sempre foi ambicioso, querendo sempre estar na frente. “Ainda hoje, com a minha idade ainda continuo a desenvolver grande projectos. Não está no meu objectivo parar”. Assume que os valores presentes na sua vida assentam na educação que recebeu dos seus pais - seriedade e palavra. “O nome Arthur Brás é nome de muito respeito e que não se toca, porque a única herança que tenho na minha vida foi a herança do meu pai da palavra e da seriedade”. Participa na comunidade portuguesa da região, já presidente de uma equipa de futebol e participa financeiramente sobre várias acções de solidariedade. Considera-se português para sempre. “Tive sempre a nacionalidade portuguesa, nunca precisei da francesa. E tenho sempre prazer, onde vou, de dizer que sou português”. Aos português deixa uma mensagem de querer e de vontade. “Muita união e respeito pelos outros, é que isso que é importante na vida”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Armandino Pereira

 

Foi em Melgaço que nasceu Armandino Lourenço Pereira, a 28 de Janeiro de 1964. Dividiu a sua infância entre Portugal e França, país para onde partiu com dez anos de idade. De Portugal recorda até hoje o 25 de Abril, acontecimento que o marcou particularmente. Foi precisamente nesse ano que partiu para solo gaulês. Começou a trabalhar cedo, para o irmão que tinha uma empresa no Sul de França. A sua vida profissional ficaria associada à construção de casas individuais, tendo começado nesta área numa empresa onde conseguiu chegar a condutor de trabalho. Posteriormente, já noutra empresa, chegou a chefe, até 2001, anos em que decidiu abrir a sua própria empresa - a Maison Prisme, também ela dedicada à construção de casas individuais.
Ao longo da sua vida, dá valor à justiça, às seriedade, humildade e à palavra. “É importante pagarmos a tempo e horas, e por isso tenho parceiros que trabalham comigo há mais de 20 anos”. Também a vertente mais solidária não fica de lado na vida de Armandino Pereira. “Ajudei durante muito tempo uma instituição que cuidava de crianças mal tratadas pelos pais. Hoje, essa associação já não existe, mas continua a colaborar com pedidos locais, nomeadamente no que diz respeito à polícia e bombeiros”, conta.

Para si, ser português é um orgulho. “Sempre me reivindiquei português e sempre serei português, com todo o orgulho. Os meus filhos vão pelo mesmo caminho”. Filhos, aliás, que já fazem parte da estrutura da empresa. A ligação a Portugal mantém-se forte até hoje, visitando o seu país todos os meses e efectuando, também em Portugal, vários negócios. Ainda assim, Armandino Pereira tem um desejo: “gostava que todos os portugueses fossem mais unidos, que se ajudassem mais uns aos outros. Devemos ter orgulho de sermos portugueses, mas temos de nos preocupar mais uns com os outros”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Arlindo dos Santos

 

Arlindo dos Santos nasceu na aldeia de Cepelos. Cresceu no Norte de Portugal, no concelho de Vale de Cambra, mas tal como muitos portugueses, veio para França ainda jovem. “Precisava de arranjar trabalho” e, por isso, começou na área da construção, nos revestimentos de fachadas. Em Abril de 1987, decidiu fundar uma empresa e aventurou-se por conta própria. A “Enterprise dos Santos Arlindo” começou apenas com três empregados determinados e com vontade de avançar. Com o tempo, o negócio evoluiu e actualmente o empresário é presidente do grupo DSA. Com mais de 700 funcionários e uma estrutura que poucos atingem, este grupo reúne um portefólio composto por várias empresas que cobrem todo o território francês. Dedica-se essencialmente à criação de fachadas em construções, ao isolamento térmico exterior e à renovação interior e exterior. Abrange tanto os materiais convencionais, como o gesso, a pintura, o tijolo ou argila, como técnicas mais modernas. O empresário recorda que “foi evoluindo pouco e pouco”. Em 2004, a empresa abandonou a sede localizada na cidade de Cachan, no departamento Val-de-Marne e mudou-se para Chilly-Mazarin. Actualmente, o grupo DSA tem novas instalações situadas em Massa, nos arredores de Paris.

O empresário está convicto que só a coragem e a vontade das pessoas é que podem mudar a vida. Arlindo é determinado e teve talvez a coragem necessária para avançar. “É preciso trabalhar, ser sério e sofrer certos riscos porque nem tudo é dado”, afirma. O empresário já teve alguns percalços, já conheceu o reverso da moeda, mas hoje colhe frutos. “Foi difícil fundar a empresa, passar por aquelas dificuldades, mas hoje estou contente”, confessa. Quando está a falar do seu trabalho, nunca esquece os funcionários. Muitos deles já somam mais de 20 anos de casa e são “quase família”. “Eu gosto de os ter do meu lado porque foi com eles que eu consegui chegar até aqui”. Hoje, descreve-se como pessoa discreta e séria. Desvia-se das câmaras, não procura protagonismo, embora o mereça. Lembra que “a vida pode ser curta” e, por isso, não pede nem espera muito mais do futuro. “Amanhã espero consolidar o que eu fiz até hoje”, disse à Lusopress. Durante 30 anos, construiu um grupo sólido no estrangeiro, mas ainda tem saudades da terra onde nasceu. Arlindo dos Santos afirma que a França tem o seu respeito, mas Portugal pode conta sempre com o seu patriotismo. “O meu hino será sempre o português”.

 

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