01 Oct, 2020 Última Actualização 3:53 PM, 30 Sep, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Silva Reis

 

Manuel Silva Reis nasceu na cidade do Porto e o seu nome está intimamente ligado à empresa mais antiga de vinhos em Portugal: a Real Companhia Velha. Oriundo de uma família tradicional, Manuel é terceira geração de uma família ligada ao vinho. “O meu avô esteve ligado ao vinho durante toda a sua vida, até interromper quando foi combater. O meu pai esteve 50 anos ligado ao Vinho do Porto, e eu já vou no meu quadragésimo ano”. Estudou ate ao 7º ano, ano que, por força da revolução do 25 de Abril, a família foi obrigada a emigrar. O seu pai era um dos accionistas do Banco Fernandes Magalhães e o sócio maioritário da Real Companhia Velha. Fomos ocupados pelos militares que colocaram a nossa família na fronteira.  Estivemos três anos emigrados forçosamente. Fiz alguns cursos lá fora e acompanhei o meu pai nos negócios. Quando retomámos a empresa eu já tinha 18 anos e, como o meu pai não tinha directores, pediu-me para ficar ao lado dele. Comecei a minha carreira ao lado do meu pai no dia 1 de Outubro de 1978. A empresa na altura estava com dificuldades, mas com o tempo e apoio conseguimos fazer um caminho”. Com uma vida ligada incondicionalmente aos vinhos, também os seus sonhos se confundem com os da empresa. “Conseguir ter uma empresa bi-centenária, e mantê-la activa e presente no mercado já é um sonho cumprido. Outro sonho que nós tínhamos, e que está a ser concretizado, foi crescer nos vinhos de denominação - Origem Douro. Com muito esforço e dedicação, hoje somos os maiores proprietários da região do Douro. O meu outro sonho, era conseguir que a geração dos meus filhos e sobrinhos, conseguissem dar seguimento ao carácter familiar e português que a empresa tem”.

O seu lado profissional e pessoal assenta na honestidade e integridade que implementa todos os dias, primando por evitar sempre os conflitos. Manuel Silva Reis foi o fundador da Associação Nacional de Jovens Empresários, onde fez grandes organizações como o Portugal Fashion, a criação da Fundação da Juventude e do Ministério da Juventude. É ainda mesário da Santa Casa da Misericórdia, e apoia muito os projetos sociais do Hospital de Santo António. “Tento ao máximo apoiar causas sociais”. Tem um grande orgulho em ser português e confessa que quando olha a bandeira portuguesa emociona-se. “Com estas questões da globalização, esquecemo-nos várias vezes do patriotismo. Portugal é Portugal, e para mim será sempre Portugal. Hoje em dia ser português é um orgulho e uma virtude. É uma ambição que cada um tem de ter, para fazermos este país melhor e mais justo, para que o mundo olhe para nós com respeito e admiração”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Zita Morgado

 

Zita Morgado é natural de Usseira, em Óbidos, mas o seu percurso de vida tem sido passado maioritariamente em França. Emigrou com os pais tinha cerca de 10 anos, numa época marcada pela forte emigração portuguesa. Em Portugal completou a 4ª classe e era a menina da família, tendo a primeira neta a surgir, caindo em si toda a atenção e carinho. Destes tempos, recorda o bem-estar familiar e a união que os caracterizava. Os destinos da vida levaram a que Zita deixasse Óbidos e abraçasse uma nova realidade. Em França continuou os estudos e foi-se especializando em Contabilidade e Secretariado. “Tive algumas dificuldades porque não conhecia a língua, mas fui ultrapassando com o tempo”, refere. Assim que terminou a formação, procurou emprego e encontrou-o numa agência de viagens, que procuravam alguém que falasse a língua portuguesa. Zita Morgado preenchia os requisitos e assim se iniciou na área do turismo, com 17 anos de idade. Já casada, Zita tentou um regresso a Portugal, acompanhando o regresso dos pais e das irmãs, mas ao fim de 6 anos percebeu que teria de regressa a França e que o seu percurso seria efectivamente em terras gaulesas. Voltou a trabalhar na área do turismo até 1993, altura em que decide abrir a sua própria agência de viagens, actividade que mantém até hoje.


Confessa-se uma mulher com muitos sonhos, uns alcançados outros não, mas o maior de todos foi conseguir ser a sua própria patroa. “Sou independente, tenho liberdade de acção, e isso é muito bom”. Para si, o mais importante na vida é a honestidade, o bem-estar das pessoas que estão à sua volta e a sua família. “O meu maior núcleo é o estar junto dos que me são mais queridos”. Zita tem ainda tempo para a solidariedade, ajudando várias associações, sempre que assim é solicitada. Não esquece as suas origens e salienta que para si, ser portuguesa, é uma honra e um prazer. “Considero-me patriota porque, por exemplo, ensinei os meus filhos a falar português e penso que todos os emigrantes deviam fazer o mesmo. A todos os portugueses desejo muita felicidade e que tenham vontade de levar Portugal para a frente”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Soares

 

Manuel Soares é natural de Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, tendo nascido em 1964. A família é o principal elemento da qual se recorda da sua infância. Partiu com 17 anos para França e lá permanece até hoje. Começou por trabalhar com o seu pai numa empresa, mas rapidamente veio ao de cima a sua veia empreendedora. Criou a sua primeira empresa em 1988, lançando-se por mero acaso no mundo dos mosaicos mas, pouco tempo depois, o mármore torna-se a sua paixão e hoje tem uma empresa de renome em Paris. Em 1994 cria a Real Marbre, empresa que perdura até hoje. A coragem e a seriedade são duas das características do povo português que considera terem-no influenciado na sua vida.
Para Manuel Soares o sucesso profissional que atingiu em França não teria sido o mesmo se tivesse ficado em Portugal, acredita que não lhe teriam surgido as mesmas oportunidades e também a necessidade de trabalho e vontade de vencer. Em pequeno, sonhava em poder construir uma vida profissional e pessoal se sucesso, passos que considera ter alcançado com sucesso. Ainda assim, tem sempre sonhos e objectivos a cada dia que passa: “agora é deixar traços da nossa passagem”. Construiu toda a sua vida com base na família, o que considera ser um dos valores essenciais na sua existência. Diariamente, acrescenta a seriedade e a motivação de ir sempre além do que faz no dia-a-dia. Manuel Soares é membro activo da Academia do Bacalhau de Paris, tendo já desempenhado as funções de vice-presidente e sendo desde o início de 2019 presidente da academia. Acha importante participar numa associação que ajuda as pessoas mais carenciadas. A maioria dos funcionários das suas empresas são portugueses, o que revela desde logo o seu patriotismo. Para si, ser português “é guardar as nossas raízes e guardar a nossa forma de pensar e nunca esquecer a nossa pátria”. Como alguns portugueses a viver no estrangeiro, ajuda a economia do país tendo recentemente criado uma empresa em Portugal de produção e transformação. Define os portugueses como um povo patriota, trabalhador e corajoso, mas a quem ainda falta união e solidariedade. Acima de tudo, Manuel Soares deseja muita saúde e sucesso no dia-a-dia a todos os portugueses.



 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Victor Roriz

 

Victor Roriz tem, em cada imagem que capta, a forma de demonstrar o orgulho que sente em ser português. Fotógrafo de profissão e de paixão, pensa que se tivesse saído de Portugal o sucesso poderia ter sido maior mas os trabalhos no exterior dão-lhe a “possibilidade de sair e lutar por mais”. Nasceu em 1962 em Viana do Castelo, de onde ainda hoje mantém fortes recordações da sua infância: a primeira bicicleta e as idas à praia. “Nasceu” praticamente numa empresa fotográfica, facto que viria a marcar o seu percurso profissional. Era fotógrafo o seu tio-avô, o seu pai e dois tios. Sempre ligado à imagem, foi por aqui que traçou o seu rumo. Aos 20 anos formou-se em fotografia, tendo tido também passagens pelo estrangeiro onde se especializou em fotografia de moda e de arquitectura. Criou, em Pedras Rubras, uma empresa especializada em fotografia aérea, tendo sido a principal empresa deste sector. Também se dedicou ao vídeo documental, mas a paixão pela fotografia venceu, estando praticamente toda a vida ligado ao negócio de família - Roriz Imagem. Tinha um sonho de menino, que era ser médico, porque sempre gostou da ideia de poder salvar pessoas, mas ao longo da sua profissão sente que também se realizou tendo muitas boas surpresas e boas resoluções de imagem. “Quero fazer mais, muito mais. Cada vez que faço sinto que ainda não fiz o que quero fazer”, diz, afirmando que para si o mais importante é a dignidade e a humildade. Está ligado à academia do bacalhau e a associações de beneficência mais directa, como é o caso da APPACDM. Para si, ser português, é “ter a dignidade de um ser humano. Tenho muita vaidade em ser português e muito orgulho neste país pequeno ter conseguido fazer o que fez até agora. Orgulho-me também da juventude que está com muita força e a representar bem Portugal no mundo”. Victor Roriz deixa a mensagem “aos de dentro e aos de fora de trem sempre vaidade daquilo que somos e a humildade de quem somos”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Pedroso

 

Manuel Pedroso nasceu na América, foi criado em Portugal e voltou durante a Segunda Guerra Mundial respondendo ao apelo patriótico do presidente. Completou, em Novembro de 2019, 100 anos, uma marca só alcançada pelos mais resistentes. Nasceu em New Bedford, nos Estados Unidos. Os seus pais eram portugueses, de Alvados, a terra das grutas, ao pé de Mira de Aire, concelho de Porto de Mós. Emigraram em 1914 mas depois da Primeira Guerra Mundial tiveram de regressar ao seu pais de origem. Manuel assim pisou solo português, onde foi criado e passou a ser português “como qualquer outro”, conta. Tinha 22 anos quando regressou aos Estados Unidos. “O Roosevelt fez um apelo a todos os americanos para regressarem”, recorda. O Japão tinha atacado há pouco Pearl Harbor (7 de dezembro de 1941) e o presidente Franklin Roosevelt declarava guerra também à Alemanha. Chegou e não falava nada de inglês. Como não podia ir para a guerra, acabou por ir construir barcos. Antes, ingressou numa escola para aprender a ser soldador. “Ajudei a fazer 150 navios de guerra, aqui nos estaleiros em Providence”. Em Providence ficou até hoje, onde constituiu família com Maria Pedroso, natural de Porto de Mós, de Zambujal de Alcaria. Conheceram-se jovens em Portugal e são casados há mais de 60 anos.


Hoje, já atingida a meta dos 100 anos Manuel Pedroso mantém activo o negócio que entretanto criou: o Friends Market, o que parece uma típica loja de pequena cidade americana, diferenciando-se pela bandeira portuguesa na montra. Aqui encontra-se uma grande variedade de produtos portugueses.
As duas pátrias estão-lhe no coração de igual forma, e orgulha-se de ter ensinado português aos seus dois filhos. Até uma neta quis aprender o idioma dos avós. Já centenário, Manuel Pedroso diz que tenciona continuar a trabalhar. Já não vai há algum tempo a Portugal, mas conhece bem o país, incluindo a Madeira e esses Açores de onde são originários muitos luso-americanos da região. Apesar da distância, está a par de tudo o que se passa em Portugal, preocupando-se por se manter informado. Acima de tudo, valoriza a família, mostrando-se orgulhoso pelo núcleo familiar que construiu e que pretende continuar a manter unido.

 

 

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